terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mais um 11 de setembro...

Bom, esse último final de semana foi recheado de "especiais" na televisão sobre o atentado de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center em Nova York, e ao Pentágono em Washington, lembrando do ataque terrorista a democracia norte-americana. Hipocrisia a parte, a coisa que realmente me fascina na tragédia foi perceber o quanto a arte imita a vida, ou vice-versa. Foi perceber que toda aquela parafernalha da mídia e do cinema norte-americano sobre um fim apocalíptico para o mundo começava para eles mesmos. E eu tinha 15 anos na época, minha consciência política não se assemelha ao que é hoje. Não sou a favor nem contra o terrorismo, é apenas mais uma arma encontrada para a guerra, por mais covarde que seja. Antigamente usou-se da guerrilha e revoluções heróicas foram travadas. Até mesmo suposições de uma guerra bacteriológica são perpetradas, como na Guerra do Paraguai, onde envenenamos as nascentes dos rios que banhavam pequenas cidadas paraguaias e matamos dezenas de milhares de civis sem gastar munição. (vide: não existem provas cientícias do meu conhecimento que comprovem isso, mas é uma suposição histórica bastante difundida). Venho falar de um outro 11 de setembro esquecido.

O Brasil já passava por uma Ditadura havia 9 anos. A repressão instituida pelo Ato Institucional nº 5  já tinha quase 5 anos. E em 1973, no mesmo 11 de setembro, mais um regime democrático constituído foi atacado, para defesa da democracia pregada pelos norte-americanos, que realizaram um golpe vitorioso no Brasil, que foi importado para o Chile, causando a morte do presidente socialista Salvador Allende quando o Palácio La Moneda foi bombardeado. Recentemente, o corpo do ex-presidente chileno foi exumado, e ficou esclarecido que ele se suicidou. Será que isso faz alguma diferença no que realmente aconteceu? Telejornais como o Jornal Nacional (preciso falar o quão tendenciosa é a mídia? Desnecessário) somente falavam da importância de se saber se foi suicidio ou se as bombas que explodiram sobre o Palácio teriam decretado o fim do ex-presidente. Mas não se discute o fim de um regime democrático naquele país. Entretanto, se televisiona incessantemente como a democracia foi atacada nos Estados Unidos, 28 anos depois.

Se eu defendo o ataque as torres gêmeas? Não. Só acho muito irônico. Será que o finado Osama Bin Laden tinha alguma queda pela ironia do destino? Porque não atacar em 31 de março, na mesma data que a democracia foi atacada no Brasil? Ou em alguma outra data, na Guerra do Golfo, nos confrontos no Kuwait, como ele foi treinado pelos americanos para matar soviéticos, enfim, qualquer simbologia que os estudiosos dizem que os islâmicos fundamentalistas radicais escolhem para desempenhar seus atos de cólera divina para atacar o demônio capitalista. Nada disso me afeta dessa maneira.

O que me incomoda é essa questão de dois pesos e duas medidas. Se em um dia matou-se quase 3 mil pessoas em um ataque terrorista aos Estados Unidos, o que eles não fizeram nesses 8 anos no Iraque? Ou no Vietnã? Ou na Coréia? Ou mesmo no Chile, que colocou Augusto Pinochet no poder por mais de duas décadas, matando dezenas de milhares de pessoas? Essas pessoas que morreram nos ataques ao World Trade Center tem mais valor porque viviam na maior potência do mundo? E as centenas de milhares que morrem na África? E o trabalho escravo ainda existente em todo mundo (ou vocês acham que "esse negócio de trabalho escravo" acabou com a alforria dos negros?) Por fim, cansei de reclamar. Não estou mais na idade de falar, e sim na de fazer. Para quem provavelmente ler isso, não devo estar falando nenhuma novidade. Só espero que a mídia tendenciosa um dia se volte a nosso favor.

Jornal Nacional - 11/09/2001
Curta sobre o Golpe no Chile em 11/09/1973