Que título impactante, não é? Eu acho que é. Entretanto, não adianta só falar e deixar sem explicação, como Weber fazia com seus modelos ideais criados à partir da observação e adequação do fato à realidade. A questão realmente é explicitar o papel contra-revolucionário da classe média no golpe civil-militar (sim, civil e militar, o golpe não foi desferido apenas pelos militares) de 1964.
Acredito que o Felipe faria um apanhado melhor da crise da legalidade em 1961, quando a tentativa de golpe sobre João Goulart com a renúncia de Jânio Quadros foi rechaçada pelas forças legalistas, lideradas por Leonel Brizola no sul e Miguel Arraes no nordeste. Com o apoio da população civil, inclusive da classe média, os grandes empresários, tecnocratas, burgueses e militares não sustentaram aquela situação de excessão, tampouco o regime parlamentarista, e logo Jango voltou ao poder, em um regime presidencialista, e com mais força do que tinha antes da renúncia de Jânio Quadros. Entretanto, a elite, os tecnocratas e os intelectuais orgânicos, tanto burgueses quanto militares, perceberam o erro de tática cometido. E é aí que se encontra o grande plano do golpe civil-militar de 1964.
A elite tecno-empresarial criou organismos e instituições de cunho civil, apoiada pelos militares, para implantar a política liberal das grandes corporações transnacionais por todo o território latino-americano, em especial, aqueles onde era predominante a política nacional-reformista, como era o caso brasileiro. Logo, criou-se o IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que procurava implantar essa política, o primeiro com estudos e apoio logístico, financeiro e intelectual, e o segundo com uma proposição mais de ação e de militância concreta contra as forças nacional-reformista e de esquerda.
O plano de gênio dessa elite civil apoiada pelos militares estava em desacreditar a mobilização nacional-reformista, arregimentando os grandes empresários, os meios de comunicação e as grandes corporações, espalhando sua mensagem de política liberal do grande capital, e assim, minando as forças do governo de Jango, a ponto de adentrarem o congresso com a ADEP (Ação Democrática Popular), um braço congênere do IPES dentro do governo. Na grande mídia, os grandes jornais, de acesso da classe burguesa e média, como O Globo da Familia Marinho, e o Estado de São Paulo, de Júlio Mesquita Filho, difundiam as mensagens da política tecnocrática. Fora o apoio logístico, financeiro e intelectual de agências de inteligência norte-americanas, como a CIA, e de grandes anéis tecno-burocráticos, como o CED, a CONSULTEC, o BGLA, entre outros.
Entretanto, a mobilização em torno da classe média fez com que o movimento contra-revolucionário da direita tomasse um peso de movimento de massas. Organizações como a CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia), que organizou a Marcha da Familia com Deus pela Liberdade, e TFP (Sociedade em Defesa da Tradição, Familia e Propriedade), uma organização feminina, e outra de cunho católico, ingressaram com grande peso reacionário no movimento contra-revolucionário. A CAMDE era financiada financeira e logisticamente pelo IPES, e apoiada ideologicamente pela Igreja Católica, com um discurso anti-comunista e reacionário, agregando as senhoras de classe média, defensoras fervorosas da moral e dos bons costumes católicos.
A minha teoria é que a influência política ideológica dessa elite, que atuava nos grandes espaços da mídia, sobre a classe média, foi capaz de cooptá-la para uma atitude contra-revolucionária clássica, de teor altamente reacionário em si, enquanto as classes burguesas e a elite tecno-empresarial adotava uma posição modernizante-conservadora, posta em prática com o chamado "Milagre Econômico" que durou até início dos anos 70. O peso de massas que a classe média acrescentou ao golpe, foi de fato primordial para se adotar um papel de "Revolução de 1964" pela direita.
Entretanto, minha pesquisa, futuramente, ficará restrita a um desses órgãos de classe média contra-revolucionários. Estou decidindo entre a CAMDE e a TFP, a segunda existente até os dias de hoje, com seus próprios intelectuais. Não sei dizer se eram orgânicos, segundo a visão gramsciana. Contudo, é indispensável estudar o papel civil no golpe de 1964, e como a política contra-revolucionária das camadas médias civis fez com que a intervenção tomasse uma conotação de ação legitimada por toda a sociedade civil. Há algo de podre na Terra Brasilis.
Para saber mais sobre o golpe civil-militar, leia:
DREIFUSS, René Armand. "1964: A Conquista do Estado - Ação Política, Poder e Golpe de Classe". Petrópolis. Editora Vozes, 1981.
Sobre a CAMDE:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campanha_da_Mulher_pela_Democracia
http://www.faroldademocracia.org/editorial_unico.asp?id_editorial=33
Marcha da Familia com Deus pela Liberdade:
http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/5995_1.asp
Sobre o IPES:
http://pt.wikipedia.org/wiki/IPES
Sobre o IBAD:
http://pt.wikipedia.org/wiki/IBAD
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jgoulart/htm/6Na_presidencia_republica/O_Instituto_Brasileiro_de_Acao_Democratica.asp
Sobre o TFP:
http://www.tfp.org.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tradi%C3%A7%C3%A3o,_Fam%C3%ADlia_e_Propriedade
P.S.: tudo que for da FGV e CPDOC, leiam com mais cautela. No Wikipédia, mais cautela ainda.
Mas os links são para o pessoal que ler, não ficar muito perdido no que eu pretendo debater.
Acredito que o Felipe faria um apanhado melhor da crise da legalidade em 1961, quando a tentativa de golpe sobre João Goulart com a renúncia de Jânio Quadros foi rechaçada pelas forças legalistas, lideradas por Leonel Brizola no sul e Miguel Arraes no nordeste. Com o apoio da população civil, inclusive da classe média, os grandes empresários, tecnocratas, burgueses e militares não sustentaram aquela situação de excessão, tampouco o regime parlamentarista, e logo Jango voltou ao poder, em um regime presidencialista, e com mais força do que tinha antes da renúncia de Jânio Quadros. Entretanto, a elite, os tecnocratas e os intelectuais orgânicos, tanto burgueses quanto militares, perceberam o erro de tática cometido. E é aí que se encontra o grande plano do golpe civil-militar de 1964.
A elite tecno-empresarial criou organismos e instituições de cunho civil, apoiada pelos militares, para implantar a política liberal das grandes corporações transnacionais por todo o território latino-americano, em especial, aqueles onde era predominante a política nacional-reformista, como era o caso brasileiro. Logo, criou-se o IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que procurava implantar essa política, o primeiro com estudos e apoio logístico, financeiro e intelectual, e o segundo com uma proposição mais de ação e de militância concreta contra as forças nacional-reformista e de esquerda.
O plano de gênio dessa elite civil apoiada pelos militares estava em desacreditar a mobilização nacional-reformista, arregimentando os grandes empresários, os meios de comunicação e as grandes corporações, espalhando sua mensagem de política liberal do grande capital, e assim, minando as forças do governo de Jango, a ponto de adentrarem o congresso com a ADEP (Ação Democrática Popular), um braço congênere do IPES dentro do governo. Na grande mídia, os grandes jornais, de acesso da classe burguesa e média, como O Globo da Familia Marinho, e o Estado de São Paulo, de Júlio Mesquita Filho, difundiam as mensagens da política tecnocrática. Fora o apoio logístico, financeiro e intelectual de agências de inteligência norte-americanas, como a CIA, e de grandes anéis tecno-burocráticos, como o CED, a CONSULTEC, o BGLA, entre outros.
Entretanto, a mobilização em torno da classe média fez com que o movimento contra-revolucionário da direita tomasse um peso de movimento de massas. Organizações como a CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia), que organizou a Marcha da Familia com Deus pela Liberdade, e TFP (Sociedade em Defesa da Tradição, Familia e Propriedade), uma organização feminina, e outra de cunho católico, ingressaram com grande peso reacionário no movimento contra-revolucionário. A CAMDE era financiada financeira e logisticamente pelo IPES, e apoiada ideologicamente pela Igreja Católica, com um discurso anti-comunista e reacionário, agregando as senhoras de classe média, defensoras fervorosas da moral e dos bons costumes católicos.
A minha teoria é que a influência política ideológica dessa elite, que atuava nos grandes espaços da mídia, sobre a classe média, foi capaz de cooptá-la para uma atitude contra-revolucionária clássica, de teor altamente reacionário em si, enquanto as classes burguesas e a elite tecno-empresarial adotava uma posição modernizante-conservadora, posta em prática com o chamado "Milagre Econômico" que durou até início dos anos 70. O peso de massas que a classe média acrescentou ao golpe, foi de fato primordial para se adotar um papel de "Revolução de 1964" pela direita.
Entretanto, minha pesquisa, futuramente, ficará restrita a um desses órgãos de classe média contra-revolucionários. Estou decidindo entre a CAMDE e a TFP, a segunda existente até os dias de hoje, com seus próprios intelectuais. Não sei dizer se eram orgânicos, segundo a visão gramsciana. Contudo, é indispensável estudar o papel civil no golpe de 1964, e como a política contra-revolucionária das camadas médias civis fez com que a intervenção tomasse uma conotação de ação legitimada por toda a sociedade civil. Há algo de podre na Terra Brasilis.
Para saber mais sobre o golpe civil-militar, leia:
DREIFUSS, René Armand. "1964: A Conquista do Estado - Ação Política, Poder e Golpe de Classe". Petrópolis. Editora Vozes, 1981.
Sobre a CAMDE:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campanha_da_Mulher_pela_Democracia
http://www.faroldademocracia.org/editorial_unico.asp?id_editorial=33
Marcha da Familia com Deus pela Liberdade:
http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/5995_1.asp
Sobre o IPES:
http://pt.wikipedia.org/wiki/IPES
Sobre o IBAD:
http://pt.wikipedia.org/wiki/IBAD
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jgoulart/htm/6Na_presidencia_republica/O_Instituto_Brasileiro_de_Acao_Democratica.asp
Sobre o TFP:
http://www.tfp.org.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tradi%C3%A7%C3%A3o,_Fam%C3%ADlia_e_Propriedade
P.S.: tudo que for da FGV e CPDOC, leiam com mais cautela. No Wikipédia, mais cautela ainda.
Mas os links são para o pessoal que ler, não ficar muito perdido no que eu pretendo debater.
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