Um post anterior sobre educação desenvolveu uma discussão polêmica nos comentários. Isso é muito importante, para expandir a discussão com diferentes pontos de vista. Mas como os principais escritores deste espaço, fora os textos enviados, são de orientação materialista dialética, acho que cabe um post para discutir o que ficou discutido na teoria, no post "Novos horizontes". Não no texto em si, mas nos comentários.
Como materalista dialético (é um tabu se dizer marxista, materialista dialético é algo mais sisudo e intelectual) acredito realmente na doutrina em que o Estado deve ser derrubado para finalmente ser destruído e assim se instituir um regime comunitário, onde os bens e meios de produção seriam de utilidade de todos, comumente. Para 90% da população mundial, fazendo uma estipulação demasiado "nas coxas", isso é um sonho, uma lenda, ou como gostam de usar, uma utopia. No post anterior, discutiu-se uma educação crítica, que serviria pra conscientizar a crítica no cidadão. Isso foi tratado como utopia, já que o sistema é indestrutível, e mesmo que não fosse, o que viesse não seria muito diferente. Mas a justificativa é algo que eu particularmente acho metafísico demais, e anti-empírico. A lógica Hobbesiana de que "o homem é o lobo do homem".
O que me incomoda nessa lógica, é que se tornou um senso comum, papo de fila de banco, algo que transcende toda a história conhecida. Não importa como, onde, quando e porque, o homem sempre vai devorar o homem. É de sua natureza, de seu instinto. Ele não é altruísta por natureza. O conceito de uma natureza humana é algo que me perturba profundamente. Acho que não me dou bem com psicólogos por isso. Coisas metafísicas que transcendem a história são injustificáveis a partir do ponto que não são empiricamente comprováveis. Justificar que o homem se devora, sem saber sua própria justificativa, é ignorar os problemas. O homem não se devora porque é maléfico. Nem mesmo os lobos se devoram por serem maléficos, é apenas o instinto de sobrevivência. Cientificamente, o homem descende do macaco. Bem, assim eu aprendi. Australopitecus, Homem de Neanderthal, Homo-Erectus, Homo-Sapiens e por aí. Algo comprovado cientificamente nos animais, o instinto de sobrevivência, apenas existe no homem porque ele descende dos animais. Isso é a natureza do homem? Talvez de todos os seres vivos, mas é algo cientificamente comprovado.
O homem não tem uma natureza maléfica, ou antropofágica. Ele apenas é uma criatura com instintos que se baseiam nos seus antepassados mais remotos, e que foi transformado durante a história, tanto fisicamente quanto em questões intelectuais. O sistema escravocrata, a Idade Média feudal, absolutista, o início e o apogeu do sistema capitalista, e as ditaduras sobre o proletariado, tudo é um produto do homem, e vice-versa.
Acho que esse post teve mais o sentido de desacreditar a lógica Hobbesiana, de um Estado forte e controlador, já que ele provaria ser o primeiro dos conservadores, mantedores da ordem com a força, na crença de que só a ordem pode manter o progresso. É o lema na nossa bandeira. Ordene-se, de acordo com o sistema. Acredito que isso é muito mais cômodo do que a luta pela Ditadura do Proletariado. Termino citando o pensador e filósofo italiano Antonio Gramsci:
"Dizer a verdade, chegar em comum a verdade, é cumprir ação comunista e revolucionária.
A fórmula "ditadura do proletariado" deve deixar de ser somente uma fórmula, uma ocasião para ostentar fraseologia revolucionária.
Quem quer os fins, deve também querer os meios."
("DEMOCRACIA OPERÁRIA", Antonio Gramsci. 1ª Edição: L'Ordine Nuovo, 21 de junho de 1919, Tradução: Thiago Chagas Oliveira, em 9/11/2006)
Como materalista dialético (é um tabu se dizer marxista, materialista dialético é algo mais sisudo e intelectual) acredito realmente na doutrina em que o Estado deve ser derrubado para finalmente ser destruído e assim se instituir um regime comunitário, onde os bens e meios de produção seriam de utilidade de todos, comumente. Para 90% da população mundial, fazendo uma estipulação demasiado "nas coxas", isso é um sonho, uma lenda, ou como gostam de usar, uma utopia. No post anterior, discutiu-se uma educação crítica, que serviria pra conscientizar a crítica no cidadão. Isso foi tratado como utopia, já que o sistema é indestrutível, e mesmo que não fosse, o que viesse não seria muito diferente. Mas a justificativa é algo que eu particularmente acho metafísico demais, e anti-empírico. A lógica Hobbesiana de que "o homem é o lobo do homem".
O que me incomoda nessa lógica, é que se tornou um senso comum, papo de fila de banco, algo que transcende toda a história conhecida. Não importa como, onde, quando e porque, o homem sempre vai devorar o homem. É de sua natureza, de seu instinto. Ele não é altruísta por natureza. O conceito de uma natureza humana é algo que me perturba profundamente. Acho que não me dou bem com psicólogos por isso. Coisas metafísicas que transcendem a história são injustificáveis a partir do ponto que não são empiricamente comprováveis. Justificar que o homem se devora, sem saber sua própria justificativa, é ignorar os problemas. O homem não se devora porque é maléfico. Nem mesmo os lobos se devoram por serem maléficos, é apenas o instinto de sobrevivência. Cientificamente, o homem descende do macaco. Bem, assim eu aprendi. Australopitecus, Homem de Neanderthal, Homo-Erectus, Homo-Sapiens e por aí. Algo comprovado cientificamente nos animais, o instinto de sobrevivência, apenas existe no homem porque ele descende dos animais. Isso é a natureza do homem? Talvez de todos os seres vivos, mas é algo cientificamente comprovado.
O homem não tem uma natureza maléfica, ou antropofágica. Ele apenas é uma criatura com instintos que se baseiam nos seus antepassados mais remotos, e que foi transformado durante a história, tanto fisicamente quanto em questões intelectuais. O sistema escravocrata, a Idade Média feudal, absolutista, o início e o apogeu do sistema capitalista, e as ditaduras sobre o proletariado, tudo é um produto do homem, e vice-versa.
Acho que esse post teve mais o sentido de desacreditar a lógica Hobbesiana, de um Estado forte e controlador, já que ele provaria ser o primeiro dos conservadores, mantedores da ordem com a força, na crença de que só a ordem pode manter o progresso. É o lema na nossa bandeira. Ordene-se, de acordo com o sistema. Acredito que isso é muito mais cômodo do que a luta pela Ditadura do Proletariado. Termino citando o pensador e filósofo italiano Antonio Gramsci:
"Dizer a verdade, chegar em comum a verdade, é cumprir ação comunista e revolucionária.
A fórmula "ditadura do proletariado" deve deixar de ser somente uma fórmula, uma ocasião para ostentar fraseologia revolucionária.
Quem quer os fins, deve também querer os meios."
("DEMOCRACIA OPERÁRIA", Antonio Gramsci. 1ª Edição: L'Ordine Nuovo, 21 de junho de 1919, Tradução: Thiago Chagas Oliveira, em 9/11/2006)
3 comentários:
Não sei se a referência feita no texto disse respeito a mim, mas, de qualquer forma, achei por bem deixar claro algumas coisas:
1)Educação crítica, em minha opinião, não é utopia. É totalmente possível. No post anterior apenas defendi que a culpa pela falta da educação crítica é TAMBÉM (não somente) dos professores, boa parte um bando de acomodados (NÃO TODOS).
2)O sistema não é indestrutível. A questão é: independente do sistema, haverá sempre oligarquia e domínio de uns sobre os outros. É o que mostra resumidamente a teoria das elites do Bobbio e algumas obras, (a que me vem na cabeça agora é o sociólogo Charles Tilly).
3)Minha menção ao "homem ser lobo do homem" não foi uma avaliação história, mas uma opinião pessoal. Minha pouca experiência de vida me faz ser um pessimista em relação à natureza humana (embora eu seja otimista em outros aspectos). É preciso que fique claro: historicamente, a obra do Hobbes foi obviamente criada para um determinado fim, para servir a interesses burgueses. Minha descrença no comportamente humano é apenas uma opinião pessoal minha, do ser humano Turner e não uma análise histórica.
4)O homem não é maléfico. É instinto, "devora" o outro por instinto. Se fosse maléfico poderia ser mudado... como é instintivo, a coisa fica mais difícil rs.
5)Vc está correto. Como eu disse: a obra de Hobbes, como toda obra, destina-se a atender a determinados interesses. No caso, o surgimento de um Estado de certa forma opressor.
6) Gramsci, genial como sempre foi, tocou na ferida: o problema é que sempre se quer os fins, mas não os meios. Por que não? Porque somos acomodados, covardes, não gostamos de correr riscos. Preferimos ficar na merda, mas uma merda que conhecemos, do que arriscar tentar algo melhor sob o risco de ter perdas materiais ou perder a própria vida.
7)Concluindo? Então o que nos resta? Aceitar a situação? Claro que não... devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance pra despertar senso crítico, votar consciente, ajudar o próximo, debater, buscar soluções e investir sobretudo na educação. Mas sem a falsa ilusão de que a ditadura do proletariado ocorrerá um belo dia, caindo do céu e que resolverá todos os males da humanidade da noite pro dia.
temos de ter o singelo cuidado de não naturalizar, coisas que não são naturais.
esse papo de homem como lobo do homem, para mim não cabe, não vejo como instintivo, vejo como algo que é incutido no ser, durante seu processo evolutivo(educativo).
mas o texto está legal, o comentário do turner foi interessante, embora eu tenho discordado de uma parte como já referido acima.
eu acho que o problema do turner é achar que uma mudança dentro desse sistema, é possivel.
o problema é o seguinte: o sistema é o lobo do homem, e não o homem o lobo dele mesmo. o sistema produz e reproduz exploração. claro que o homem criou o sistema, com o intuito de defender seus interesses e suas propriedades antes de tudo.
não adianta, podem criticar como quiserem os marxistas e a ditadura do proletariado, a história do homem começou com o advento da propriedade privada, e isso não começou no cercamento dos campos na revolução francesa e inglesa nem nada disso. relações de classe são encontradas desde o primórdio, antes da existência de papel-moeda, de troca, mas enfim, não cabe aqui falar disso.
o homem não é uma criatura a parte na história biológica evolutiva, ele tb passa por mudanças, nada é transcendental que vá ficar com o homem para sempre....ele supera falhas e se melhora, nisso Darwin estava certo...e é assim que a Ditadura do Proletariado é a superação do sistema capitalista, meu caro Turner...não sei dizer se vc é somente um pessimista, ou é um acomodado em não só tentar mudar o q pode, mas tbm o q vc acha q não pode, como o sistema.
A Ditadura do Proletariado é apenas a superação do sistema capitalista, ele tbm não vai resolver tudo sozinho, a maior luta não é a tomada do poder, é a hegemonia do proletariado e a manutenção para destruição do Estado capitalista, para assim a revolução ter algum sentido.
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