sábado, 8 de março de 2008

Aula de política

Nunca me peguei assistindo TV Câmara. Acho que já tenho motivos demais pra me revoltar, além de ficar assistindo os crápulas corruptos discutindo e falando mais merda que o povo engole. Mas por algum motivo, trocando de canais, eu e mais dois amigos vimos um programa bem ao estilo “Programa Livre”, em que jovens questionavam figuras públicas, e neste programa em especial o execrável Leonardo Picciani estava na mesa. Para quem não conhece a política do Rio, ele é mais um integrante daquelas famílias que se criaram dentro da política, como os Neves em Minas, os Magalhães na Bahia, aqui no Rio existem vários. E uma garota, não sei se muito burra ou muito inteligente, pergunta ao Leonardo Picciani porque existe corrupção e o que a causa. E a brilhante resposta do sujeito, talvez mais estúpida do que a pergunta da menina, é culpar a sociedade capitalista de consumo. Não abstenho o capitalismo de culpa, claro que ele corrompe, já que a necessidade imediata de prazer, de gozo, de realização, agora, e não depois, faz com que as pessoas ajam irresponsavelmente, sem pensar em certas conseqüências. Entretanto, acho que a corrupção também depende de algo mais metafísico, que é complicado um materialista explicar: a índole, ou a moral, não sei dizer exatamente o que. É tentador demais para qualquer um aquelas quantidades exorbitantes de dinheiro. Mas o capitalismo é produto do próprio homem, então o homem se auto-corrompe.

Em seguida, ele resolve atirar contra o comunismo russo, que concentrou muito capital e deixou milhares na pobreza. Outro tiro mal dado, chamando o que aconteceu nos anos 70 e 80 de comunismo. Fica a questão clara de raciocinar se existia realmente o comunismo após a morte de Lênin em 1924, ou se existiu até mesmo antes, já que a Rússia, depois União Soviética, saía da Primeira Grande Guerra, para um período revolucionário e depois uma Guerra Civil. Será que houve tempo para uma experiência realmente comunista, ou pulou-se diretamente para uma ditadura burocrática não do proletariado, mas sobre ele? É ai o tiro mal dado de Picciani. Então um outro rapaz, talvez um pouco mais lúcido, questiona porque Picciani critica a sociedade capitalista consumista, já que ele ostenta a marca dessa sociedade num belo relógio em seu pulso, além de suas vestimentas. E pergunta qual sistema seria o mais correto, já que ele não acredita nem no capitalismo e nem no comunismo. E é aí que o tiro sai pela culatra.

O brilhante parlamentar Leonardo Picciani, Deputado Federal pelo PMDB (isso mesmo, Federal) fala que para ele o mais sensato seria um capitalismo com maior distribuição de renda, um capitalismo igualitário. Preciso repetir, UM CAPITALISMO IGUALITÁRIO. Será que um sujeito desse teve qualquer tipo de aula sobre o que é um sistema capitalista? Será que ele não tem noção de que capitalismo e igualitarismo são contradições? E em seguida ele justifica, com mais sagacidade ainda. “Entendam bem, seria um sistema em que os ricos não ficariam mais ricos, porque já estão bem do jeito que estão (ou vocês achavam que os ricos, como ele, perderiam dinheiro pra haver um capitalismo igualitário?) e o pobre teria uma melhor condição”. Adorei essa definição, prova como ele é um ignorante. Agora a solução é o Banco Central produzir papel moeda a rodo e distribuir aos pobres. É perfeito. E que se dane a inflação, o capitalismo é igualitário!

E criticam o presidente. Coitado, o presidente não sabe de nada. Mas ele é assessorado por ministros e um corpo legislativo brilhante. Isso fica cada vez mais evidente. Pelo menos os tucanos e os demos (opa, quer dizer, os “DEMO-cratas”) não desmentem que são a direita. Não ficam com esse papo pequeno-burguês que o povo engole. Capitalismo igualitário? Valha-me Deus, onde vamos parar...

Um comentário:

Unknown disse...

po caraa metafisica não explica porra nenhuma decentemente, o que ocorre são valores constituidos, devido a relação constituida junto ao meio.
agora quanto a esta decrépita figura, acho importante ressaltar que: aconteça o que acontecer o pmdb será governo.