terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Crônicas de um pequeno burguês

Em épocas de crise, vendem até a mãe, desde que você pague os juros. Fato. Bancos vendem cartões de crédito a rodo. Me ligam mais de duas vezes por dia. American Express ja me ligou. Eu lá vou gastar com American Express? Meu VISA já é tão mal-usado. Gosto tudo no dinheiro, a vista, sem prestação nem dinheiro que supostamente vai vir, vai chegar, mas nunca chega.

Agora, as montadoras diminuem os juros dos carros à prestação. A Toyota já vende carros sem juros! A 36 prestações! (Quem tem dinheiro, acredito que poucos, comprem um Toyota, porque tá SEM JUROS!) A Ford já lança um Ecosport Flex! Vai abater o preço bruto do carro em dois mil reais, além de economizar no consumo de gasolina, claro. Daqui a pouco a Chevrolet tem uma promoção: compre um S10, e leve um Celta de graça! Ainda vou ver cada loucura, de lembrar o Brasil tacando fogo nas reservas da café durante a crise de 29 para tentar levantar o preço no mercado exportador. E eu, consumindo no A vista, no que eu tenho eu pago. Sem contar com o ovo na cloaca da galinha.

E hoje, um grande absurdo que eu percebi, e acho que um dia atrasado. A passagem de ônibus já está a R$ 2,20! Eu era da época que pagava R$ 0,60 pra ir pra qualquer lugar dentro do município. De 9 anos pra ca, já foi um aumento de 200% no preço da passagem! E a gente não nota, porque nosso dinheiro não vale nada. Por isso eu pago a passagem no dinheiro, nada de RioCard. Porque aí eu sei quanto tenho na mão. Tudo à vista.

Daqui há um tempo, a situação vai estar tão ruim, que vai ter gente dando seus estoques por aí, em grande saldões, descontões, tudo a R$ 1,99. E as lojas de R$ 1,99 vão falir! Daí, pros saques e furtos, não falta muito. Parece que o governo la do Tio Sam já ta liberando verba pras montadoras que tavam pra falir. Imagina a Chrysler falindo, e eu levando um Dodge da loja a preço de banana. Seria lindo, motor 4,8, 1 km por litro, bebe que nem uma viúva deprimida. Depois falam que eu sou catastrofista. Que nada. Eu pago tudo a vista. E to vendo meu dinheirinho só indo embora. Imagina eu pagando juros. Mais um inadimplente. Tem muita gente já recorrendo à inadimplência, pra pagar as contas do mês. A coisa ta feia, camarada. E o governo tem recordes de arrecadação, e o povo consumindo. Como é que pode? Não é com dinheiro real, é com dívida, com juros, que neguinho ta comprando tudo. E na hora que a cor do dinheiro sumir??

Ainda bem que eu pago tudo a vista...né


Zé das Couves

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Direitos e Deveres

Agora é falando pra todo mundo entender. Estou tentando me livrar do palavreado bonito e rebuscado, e de explicações que eu acabo de encontrar, e que provavelmente a grande maioria nunca vai ter. Então, agora, explicações simples para problemas de todos. Ou quase todos.

No último final de semana, devido ao meu período de conclusão de curso (em breve, eu espero) tive que fazer o ENADE, assim como tantos outros estudantes universitários. É o que nos tempos de FHC era conhecido como Provão, e era publicamente rechaçado, odiado, um ataque a democracia, já que obriga os universitários a prestá-lo, senão seu diploma ficaria preso devido a uma pendência com o governo. E para eu ficar mais bobo, eu vi estudantes universitários empenhados em responder as questões da prova. Porque isso? Vou relatar o que aconteceu.

Para minha surpresa, um colega de curso, um semestre mais antigo, fez prova no mesmo local que eu. E discutimos árduamente sobre porque fazer ou não fazer a prova. Ele acusou a esquerda de fraqueza de mente, que é tudo uma relação de poder, que o governo ordena isso então devemos obedecer, porque é nosso dever cívico, além de contribuintes, devemos votar, e fazer o ENADE quando o governo manda, porque assim ele quer. Assim que tem que ser. Ainda fui acusado de não ter um sentimento patriótico, porque nunca vesti uma farda ou algum uniforme com a bandeira do meu país bordada nele, ou algo ufanista, dotado de um Policarpo Quaresma. Simplesmente impressionante. Era eu um traidor da pátria?

Aqui vem o que eu só consegui pensar uma hora depois de ter escrito três propostas para a educação brasileira que está extremamente defasada, no cartão resposta, colar um adesivo de boicote e ir até o ponto de ônibus mais próximo:
Não existe uma concepção de cidadania que inclua os direitos e deveres de um cidadão que seja do conhecimento da população. A população não sabe as leis que a regem. Apenas os que andam fora da lei tem noção dos seus direitos. Desde o assaltante esfarrapado até os criminosos de colarinho branco. Porque é meu dever cívico votar, ou fazer o ENADE, ou me alistar aos 18 anos? Eu considero uma obrigação, que não deixa para o indivíduo escolhas, então ele não é mais indivíduo, ele é sujeito. Sujeito a ordens, a diretrizes, e a responsabilidades que não lhe condizem. Porque eu digo isso? Até agora falamos dos deveres de um cidadão, sem mesmo entender direito o conceito de cidadão e de cidadania. Falarei sobre os deveres do Estado, para quem nós temos deveres cívicos a prestas, mas de quem não exigimos nossos direitos.

O Estado têm o dever de dar educação pública e de qualidade para TODOS. É uma lei de diretriz e base da educação nacional. Entretanto, essa LDB deixa brechas para que o Estado tire essa responsabilidade dos seus ombros, e jogue para cima das escolas particulares, das ONG's, de movimentos de solidariedade. Mas como que todos terão condições de pagar por essas escolas particulares? Que hoje em dia, perdem em qualidade.

O Estado têm o dever de prestar serviço de saúde pública a toda população. Entretanto, presenciamos hospitais caindo aos pedaços, sem leitos, sem espaço, sem aparelhos, sem exames, sem médicos. E ainda por cima, crescem descomunalmente os consultórios e hospitais privados. Todos são familiarizados com a Rede D'or? (Copa D'or, Barra D'or, Quinta D'or, aqui no Rio de Janeiro, por exemplo) Todos temos que possuir planos de saúde. Não que somos obrigados a isso, mas dificilmente teremos um atendimento de qualidade se não tivermos planos de saúde.

Algum de vocês faz uso de transporte público? Ônibus, trem, metrô, barca, o que for? Acredito que não. Os que tiverem, me falem, me mudo para cidade de vocês AGORA.

Entretanto, os deveres cívicos das pessoas são constantemente lembrados. Como votar com consciência, alistamento aos 18 anos, cuidar e preservar da sua cidade, prestar o ENADE, sermos solidários e cooperativos. São deveres cívicos. Mas e nossos direitos de cidadãos, de uma existência digna provida pelo Estado, de respeito as leis, a ordem, a justiça, entre outros direitos. A segurança pública por exemplo, tornou-se privada, não só com as firmas de segurança patrimonial, os guarda-costas no caso dos grandes "endinheirados", mas também no caso da classe média e baixa, que tem seu serviço de segurança provido pelas milícias ou por uma polícia corrupta. Quando nenhum dos dois é presente, o tráfico toma conta de uma comunidade. Isso quando não há embate entre os três, o que é o mais recorrente. Como sentir que contribuo prestando uma prova, bastante contestável por seu caráter obrigatório, apenas com função de estatística, cumprindo com meu dever cívico, se o Estado que deveria me proteger e dar conta dos meus direitos fundamentais, se imiscuiu e tira a responsabilidade dos seus ombros?

Lamento aos camaradas que lerem isso, que querem mudar, mas não posso reconhecer e defender um Estado que me explora, me obriga a fazer o que não desejo para poder seguir com a minha vida, e ainda não tem condições de prestar os serviços básicos da minha sobrevivência, como educação e saúde. O ENADE não muda nada. Nem as 3 propostas que eu escrevi no meu cartão resposta, frente e verso, junto com meu adesivo de boicote. Nem o boicote, nem fazer a prova, vão mudar nada. Mas pelo menos eu não deixo de acreditar nos meus ideais por pouca coisa. E posso aproveitar o restante do meu domingo com quem valoriza o que eu penso e a minha companhia, e não cumprindo um dever para quem não me garante meus direitos.

Bom ENADE, e boa alienação aqueles que preferem continuar assim

Continuou complicado. Uma coisa realmente tenho que melhorar, aprender a discursar de maneira mais simples, que torne meu argumento plausível e inquestionável. Bem, isso só com o tempo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Um novo movimento...novo?

O Rio de Janeiro sempre foi um palco político, tanto de comícios, quanto de passeatas, manifestações pacíficas ou da repressão do aparelho do Estado. Mas as contradições que o sistema reproduz constantemente levam a defesa ou requisição das coisas mais inusitadas.
O caso dessa última eleição municipal foi pitoresco. Do meu ponto de vista claro. Alguns vão me chamar de conservador, defensor da corrupção ou coisa parecida. Outros vão falar que sou pelego, contra o movimento. Acho que só porque eu parei pra pensar antes, não embarquei no oba-oba. Meu sensor aranha despertou assim que me liguei. Digo-lhes porque.

Um novo movimento surgiu no Rio de Janeiro contra os crimes eleitorais. O Movimento Pró-Democracia, que ganha muito espaço no espaço virtual da internet, em especial no site de relacionamentos, o Orkut. Segue anexado o link da comunidade.
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=74069409 (um parêntese: a comunidade só pode ser acessada por quem participa dela, pessoas de fora não podem entrar para ver o que é divulgado sem qualquer vínculo com a comunidade. Já é percebido ai um caráter excludente do movimento). Os indignados com a vitória de Eduardo Paes, candidato do PMDB, acusaram-no de fraude eleitoral, votos frios, pessoas que ja tinham votado quando chegaram em sua zona eleitoral, entre outros. Não cabe a mim investigar isso, trabalho do Tribunal Regional Eleitoral. Quem quiser, que questione a sua legitimidade, não cabe a mim também, estou estudando esse movimento. A vitória de Eduardo Paes foi apertada, menos de 50 mil votos. Um empate técnico na época das pesquisas. Entretanto, na segunda-feira seguinte ao dia da eleição, foi declarado feriado no Estado do Rio de Janeiro e pelo governo federal. Entretanto, o prefeito César Maia adiou o feriado para a sexta-feira da mesma semana, 31 de outubro. Dessa forma, os eleitores de Gabeira não viajariam nesse feriado prolongado, já que a classe que tem condições de viajar em feriados prolongados, é a classe média, e classe alta, primordialmente eleitores do candidato do PV. Houve então um descaso da elite política e econômica do Rio de Janeiro, eleitores do candidato Fernando Gabeira, que viajaram num recesso prolongado, e se abstiveram de votar.

Mais de um milhão de eleitores não compareceram, creditando uma vitória certa de Gabeira, pelas pesquisas apresentadas pelo Data Folha e pela Rede Globo de televisão. Temam, caros leitores, Fernando Gabeira se encontrava em quarto nas pesquisas para intenção de voto no início da campanha, atrás de Marcelo Crivella do PRB, e Jandira Feghalli do PCdoB. Houve um grande crédito a propaganda política de Gabeira na internet. Não discordo, parecia um movimento espontâneo dos jovens e da suposta elite intelectual em favor do candidato do Partido Verde, que admitia claramente nas suas propagandas na televisão, que faria contratos e vinculos com companhias multinacionais para a reestruturação e desenvolvimento do município carioca. Vejam, enquanto ele falava isso com palavras claras, Eduardo Paes falava da união com o governo estadual e federal e na construção das UPA's, centros de atendimento médico que cuidariam de atendimentos de emergência dos já defasados hospitais públicos do Rio de Janeiro que vivem num estado de calamidade. Eduardo Paes atacava diretamente Gabeira nos debates e nos programas políticos, sentindo a grande onda verde que surgia no Rio de Janeiro. A vitória de Gabeira parecia certa. Entretanto, 50 mil votos lhe custaram a eleição que parecia que ia tornar a política carioca mais ética e transparente, pela figura do próprio Gabeira. Entretanto, a política não é feita com um homem. A conquista de Gabeira parecia mais por domínio carismático, como explica Weber, do que pelas propostas políticas e por sua ideologia de governo. Lembra um certo Luis Inácio do Partido dos Trabalhadores em 2002, no caso da figura política representar a empatia com o povo. Mas esses 50 mil votos impediram a posse de Gabeira. E assim, surge o Movimento Pró-Democracia.

Percebam, aqueles que abrirem o link para a comunidade do movimento, ele foi criado no dia 26 de outubro, dia das eleições de segundo turno. A derrota de Gabeira criou espontaneamente esse movimento, segundo diz na página da própria comunidade.

"Seguindo fielmente nossos ideais de DEMOCRACIA, ESPONTANEIDADE, SUPRAPARTIDARISMO E PACIFISMO, venha lutar conosco para um Rio de Janeiro limpo de crimes eleitorais!"

Temam todos, quando um movimento surge espontaneamente, suprapartidariamente, e apenas para defender crimes eleitorais, sem nenhuma reivindicação. Porquê? Será que quem escreve esse texto está louco? Posso parecer, mas vou explicar de uma forma mais convincente, e menos ligada a minha ideologia política, algo que parece que foi esquecido por essas pessoas do movimento.
Um movimento contra crimes eleitorais não deve surgir espontaneamente, devido a uma derrota eleitoral. Ele deve ser dever de todos os cidadãos. Já que tanto resguardam o poder e o dever da Cidadania, a cidadania deveria ser contestas e cobrar de todos os candidatos eleitos, tanto prefeitos quanto vereadores, de que cumpram suas promessas de campanha, ou pelo menos, prestem contas do que fizeram, de como gastaram o dinheiro público e de quais são as propostas que foram aceitas ou não, e quem as barrou. É BÁSICO ESSE DIREITO E DEVER DO CIDADÃO! Entretanto, isso não é ideologicamente benéfico, tanto para Eduardo Paes, quanto para Fernando Gabeira, ou qualquer candidato que fale mais do que faz. Ou qualquer candidato, ponto. Porque isso torna o eleitor em cidadão, e não apenas em massa de pessoas que votam. Um movimento que surge com uma derrota eleitoral, de forma espontânea e sem qualquer ideologia ou reivindicação, tende a morrer por falta de coerência. Na minha opinião, um movimento espontâneo desse teor teria muito mais importância se servisse como um conscientizador das contradições do sistema, de como as pessoas devem entender o sistema eleitoral e como cobrar o que é seu direito. Além do mais, essa campanha deveria ser extendida para os candidatos do primeiro turno, que também podem ter sido considerados culpados de crimes eleitorais, mas que foram esquecidos. A figura de Eduardo Paes, como vencedor das eleições, é o verdadeiro bode expiatório. Cabe uma reflexão: esse movimento teria surgido com a vitória de Fernando Gabeira nas eleições de 26 de outubro?

Então, aqui vai uma sugestão, para os participantes, ou a vanguarda do movimento, e para todos aqueles simpatizantes. Um movimento que não tem ideologia, partidarismo, se diz espontâneo e pacífico, parece mais uma lavagem cerebral do que um movimento político. E entendam o que eu quero dizer com político. É onde se dá as lutas e contradições das classes. Então, esse movimento para mim deveria ter como obrigação, lutar para conscientização e esclarecimento da população sem privilégios, que se tornam "currais eleitorais", como dizem no próprio blog da comunidade quando falam do caso da favela da Rocinha.
http://pro-democracia.blogspot.com/

Aqui, finalmente vem minha conclusão. Não defendo Eduardo Paes, tampouco Fernando Gabeira, repudio o futuro ex-prefeito César Maia, e não tenho fé em movimentos espontâneos sem ideologia. Se isso se tornar um movimento concreto, real, que não vai esvanecer com o tempo e com o cansaço das pessoas, e servir como instrumento de aprendizado para as pessoas nos seus deveres de cidadãos, será um avanço. Entretanto, a vanguarda do movimento vai direcionar os simpatizantes e a massa nas suas manifestações e na sua política. Sim, na sua política. Porque não é só partido que faz política. Agora, cabe a reflexão de quem comanda o movimento, porque, e qual o propósito. O que o movimento deixa claro são apenas principios básicos de cidadania que a maioria das pessoas desconhece. Deve expandir os limites da internet, e de sua espontaneidade apolítica. Digo apolítica porque a associação de partidarismo e política é muito grande no inconsciente coletivo brasileiro.

Deixo um P.S. para quem chegou até o final desse texto. Vocês lembram dos "caras pintadas"? Aonde eles estão? Temo por esse movimento, que fenecerá, e deixará vários jovens, e não tão jovens, órfãos de uma ideologia política que ainda não possuem.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Funcionalidade

Meus sonhos de que isso seria um espaço de grande publicação e divulgação de idéias foi por água abaixo. As pressões da vida, da sociedade e do sistema capitalista me fazem escrever cada vez menos, pensar cada vez menos, e agir cada vez mais. Mas não num sentido de práxis revolucionária, mas simplesmente para sobrevivência. Qual seria então a funcionalidade desse espaço? Tantas pessoas querendo falar tantas coisas sobre tantos assuntos tão variados quanto a cabeça de um ser humano pode ser com todo o processo histórico vivido por ele e por seus familiares, que passaram parte de suas experiências adiante na vida em família.

A funcionalidade seria que alguém pudesse ler aqui, e mostrasse pra um amigo, que gostasse e mostrasse pra outro e assim por diante, para a difusão de idéais e perspectivas sobre a nossa realidade. Gerar polêmica, gerar debate, gerar contra-hegemonia (ou outra hegemonia, já que eu fiquei sabendo hoje que Gramsci nunca usou o termo "contra-hegemonia"), um pensamento orgânico da classe subalterna. Enfim, alguma coisa que fosse de encontro ao processo de alienação, que atingisse pelo menos uma pessoa, e que essa pessoa fizesse o possível pra atingir o seguinte. Mas isso só acontece em Hollywood, filmes como "A corrente do bem", onde pessoas que vêem pessoas mortas (Haley Joel Osment) conseguem mudar uma comunidade toda. Mas a pressão da sociedade capitalista e o processo de expropriação e alienação é muito grande.

Pra isso, temos que explicar o que é alienação. Não é ignorância, como a mídia faz você pensar. Isso em si é mais um processo de alienação de conhecimento.
Alienação seria uma relação onde o indivíduo, dentro do processo de produção, das relações de produção, não se reconhece naquilo que produz nem nos instrumentos que utiliza, acha aquilo um elemento estranho, e assim ele passa a desconhecer as origens e o desenrolar do processo. Ou seja, o homem passa a não conhecer mais como se dá o processo. Alguém aqui sabe o total e completo processo da linha de montagem da GM? Ou como a Intel monta os computadores? Ou como as grandes fábricas atacadistas lançam tantas roupas no mercado? Ou seja, desconhecemos o processo de produção, sabemos que ele existe, executamos uma única função simples nele, mas que não reconhecemos na parte total do processo. Um indivíduo não tem conhecimento de todas as coisas que devem acontecer para a produção de um carro, um computador, uma blusa. O homem é alienado do processo de produção, lhe é "roubado" o conhecimento da produção. E o mesmo acontece com a propriedade intelectual do homem, que lhe é alienada pelos aparelhos de hegemonia.

Então, como lutar contra essa alienação, essa expropriação de conhecimento, e dos meios de produção? Bem, acabei com a ilusão de que um blog faria acabar com a alienação de um único indivíduo. O processo é bem maior que isso. E as relações de produção interpassam todas as camadas sociais. A funcionalidade desse blog por enquanto deve ser repensada. Acredito que a funcionalidade dele agora será guiada pela produção de ideologia contra-hegemônica (mesmo Gramsci não usando exatamente esses termos) e organizada em favor da classe subalterna (trabalhadora, operária, e até a pequena e média burguesia, que apesar de achar que está em uma condição privilegiada, também é alienada e expropriada dos meios de produção).

Quem acha que eu escrevi algo confuso, me pergunte, não fique com vergonha, porque eu respondo ao que eu puder e souber. O que eu não souber, eu questiono a quem sabe e respondo de volta. O importante é que todos pensem, entendam, e se não entenderam, questionem. Só assim pode ser formada um pensamento de uma outra hegemonia de intelectuais orgânicos proletários. Vista a carapuça, camarada, porque se você não é dono de todo o processo e dos meios de produção, você é um de nós. Agora, produza ideologia e vamos à luta. Porque "quem sabe faz à hora, não espera acontecer"...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Invasão Estrangeira

É amigos, os defensores da pátria, felinamente como lhes é peculiar, cavaram esconderam a merda e saíram de fininho, atitude "providencial". Os mesmos que por nós fizeram a revolução democrática de 1964, nos defenderam do perigo vermelho, impediram o sucesso de várias tentativas de implantação de uma ditadura do proletariado. Estes heróis, descendentes de Caxias, aquele dos cadaveres da cólera para infectar o abastecimento de água paraguaio na guerra, precurssor da guerra biológica. Então estes mesmos, veêm-se agora extremamente preocupados, pois estão em vias de sofrerem uma invasão na amazônia. Agradeço a caserna, muito obrigado! queridos saudações, minhas, dos militantes e dos meninos da providencia (sejam bandidos ou não). Mas por que devo me preocupar, vocês, onipotentes e laudatórios, já nos protegeram de tanta coisa, por que desta vocês não conseguiriam? Mas tenho de avisá-los, a invasão já ocorreu... pegaram o bonde andandos seus pé preto, nos invadiram na era JK, com vocês no poder então... ai eles nos dominaram de fato, instalaram uma base politica e militar aqui, sabe onde ela se encontra? em jacarépagua, o nome fantasia é projac, todos os dias invade de maneira sútil a vida de cada brasileiro, ensinando-lhes a se manterem no seu devido lugar. Ahhh se não me engano foram vocês que que viabilizaram esta invasão, usaram até meios ilegais, não foi? investimentos estrangeiros onde não pode. pra não falar da operação brother sam, pra não falar do IPES e do IBAD. Militares queridos, revanchismo de cú, é rola.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Abelha nervosa no ouvido? O escambau!

Há tanto tempo não discorro aqui. Acho que é falta de tempo. Ta, isso é mentira. Falta de inspiração é o mais correto. Apesar das minhas leituras e dos meus estudos, peco na junção da teoria com a prática. Isso é uma falha. Mas como todos, me aperfeiçoarei. Mas agora, procurarei explanar o que penso com um texto mais coloquial e corrente, que possa atentar ao comentário de todos.

Mais um ano de eleição. E novamente, os mesmos bodes velhos aparecem na televisão para pedir o nosso voto. É deprimente. E o pior, continuamos votando, nas mesmas pessoas. Não serei recalcado e falar, "mas eu não voto em tal sujeito", ou "eu voto é nulo", achando que fiz minha parte e minha consciência ta limpa. Vai além disso. TEMOS que conscientizar o próximo, o que está ao nosso lado, nem que seja dentro de casa. Porque é assim que começa, do gérmen. Não digo que o voto consciente vai mudar o país, isso é democracia da Rede Globo, e eu não acredito nisso. Mas é uma forma de um povo ainda extremamente alienado e sem concepções críticas e dialéticas da sociedade de mostrar indignação.

Para muitos é uma grande piada o programa eleitoral, com figuras mais toscas do que há 4 anos atrás, com tiradas e bordões ainda mais bizarros, que chegam a ser pitorescos. Outros, acham um porre, e desligam a televisão até a hora de começar a novela. Mas eu digo o seguinte: não se omitam. Não resolvam em quem votar em cima da hora, não votem em um sujeito porque a sua vizinha pediu pra votar numa conhecida dela que é muito gente boa. Isso é o cúmulo. "Vocês tem uma abelha nervosa no ouvido por 4 anos"? Isso é um absurdo ainda maior. Os corruptos se isentam da culpa que tem, porque quem os elegeu fomos nós. Ou seja, a culpa de sermos roubados é nossa. Tem cabimento? Qualquer um pode ser candidato a qualquer coisa nesse país.

Novamente, pra que esse papo todo? Não acredito que o voto consciente vá mudar o país, repito. Mas pra quem ainda não tem força. disposição, conhecimento nem prática para mudar nosso país de verdade, é uma das pouquíssimas formas de se expressar. Isso não é cidadania. Repito, isso NÃO É CIDADANIA. Mas é uma das poucas formas dessa ditadura disfarçada de democracia de deixar o povo se expressar. Então, se expressem. A hora de vocês se levantarem vai chegar, comecem a demonstrar indignação. Mas não esperem que as coisas mudem a partir de 2009, na sua cidade. Porque é MENTIRA. Abelha nervosa no ouvido por quatro anos é o escambau. Essa abelha nervosa existe desde 1889. Na verdade, desde que o mundo é mundo, e que o absolutismo caiu. Mas não se deixem enganar por essa falsa democracia.

sábado, 26 de julho de 2008

O canto da minha época

Os da meus, do meu tempo.
Ah! eles não perdem tempo.
É... eles nem têm tempo.
Só trilham estradas planas.
Embora façam planos...
de como e de quando...
ter, ter, vender, ser, ter.
- O que me importa você?

eles têm sorte, concorda?
São tantas informações...
noções, chavões e lições...
E o destino aos beliscões.
Mas eles não têm tempo...

Ler, ser, melhor vender...
em estradas planas...
não sendo, não têm plano...
O que planto? melhor colher...
correr, os falta tempo...
Se quiser o meu, eu vendo...
E tento, inclusive sorrir...

Mas eles são do meu tempo...
Eu perco tempo, eu lento...
E vendo, sorrisos por ai...
Sorrio porque tenho tempo...
Porque sinto o vento, bater.
O Céu abrir, o sol arder...
ser, ser, ser...

Felipe Loureiro
Deixei saudades...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quem é o bandido? parte 2

Terminei o último post falando da próxima atrocidade que iria nos deixar estupefatos. Parece que me ouviram mais rápido do que eu esperava. E esse crime foi até mais assustador, devido as imagens que a mídia proporcionou ao telespectador, mostrando também a dor da família.

Quem acompanha o caso do menino João, dentro do carro, com sua mãe e seu irmão ainda bebêzinho, e que foi fuzilado por policiais sem aparentemente motivo algum questiona o papel da polícia. A polícia deu as caras como aparato repressor do Estado, como sempre foi. Mas agora, foi pego em video, discaradamente, sem cortes. Como aproximou-se do carro, e disparou 30 tiros contra uma mulher e duas crianças. O secretário de segurança do estado do Rio de Janeiro chamou a ação de desastrosa. Eu chamaria de criminosa, mas também, quem me ouve?

Esse não foi o caso de violência mais absurda que já aconteceu. Mas não há necessidade de discutir isso. O que choca é como está banalizado esse tipo de coisa. As vezes acho que Hobbes tinha razão, quando fala que o homem é o lobo do homem, e que é a guerra de todos contra todos. Mas o que não vemos é uma autoridade soberana para regular isso. Não há autoridade alguma. Então, o absolutista Hobbes estava errado.

Poderíamos lembrar Rousseau, que diz que o homem é mais feliz no estado de natureza, e que a propriedade privada degenera o homem e a sociedade. Concordo até certo ponto. Não é compreensível o que aconteceu. Porque policiais fuzilaram um carro, com mulher e crianças dentro? É a barbárie, é um estado de natureza inverso, em que o homem é violento para a sobrevivência. As pessoas parecem esperar a barbárie para fazer algo, para mudar a situação. A barbárie já está aí. Nas ruas, nas escolas, nas praças, dentro da nossa casa. É o tempo todo. Não basta culpar a polícia. Se nossas leis fossem justas, esses policiais ficariam presos a vida toda. Mas o problema não é prender esses policiais exatamente, que o problema está resolvido. Nem tampouco acabar com a polícia. Ou como muitos reacionários dizem, "detonar as favelas". O problema é muito maior. Esses são resultados da estrutura, é o que a superestrutura apresenta pra gente como as contradições do sistema.

Não vejo propósito em discutir o caso em si, que é monstruoso. Mas era uma profecia anunciada. Anunciei no texto anterior, mais um crime que nos deixa estupefatos, e ficamos esperando o próximo. Cabe aqui duas letras de música, já que para enunciar problemas políticos e repressão policial, a música brasileira é muito rica. Não tem nada de mpb, vou utilizar autores mais atuais.

"A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco"

[Até quando? - Gabriel o Pensador]

"Se eles vêm com fogo em cima, é melhor sair da frente
Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente
Com uma arma na mão eu boto fogo no país
E não vai ter problema eu sei estou do lado da lei

Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
Assassinos armados, uniformizados"

[Veraneio Vascaína - Flávio Lemos/Renato Russo]

domingo, 22 de junho de 2008

Quem é o bandido?

Mais um caso de violência e abuso de autoridade se apresenta para todos. O assassinato dos jovens no morro da Providência, no centro da cidade do Rio de Janeiro, continua chocando. Depois do quebra-quebra em frente ao Comando Militar do Leste (comentário de amigos: agora na hora do quebra-quebra, a gente não tá la! Ahh!), as investigações continuam. Por enquanto foi apurado que houve acordo entre a facção do morro da Mineira, inimiga do morro da Providência, e os militares, para sequestrar os rapazes, como um "presente". A história é tão cabeluda que é até difícil de acreditar. Militares conchavados com bandidos. Bem, nem tanto. Como que tanta droga entra no Brasil? Tem que passar pelas fronteiras. E quem controla as fronteira? Não sei se é porque as Forças Armadas no Brasil estão com contingente e armamento defasado, não sei do que se trata nas suas minúcias, mas o que entra de droga no Brasil não consta no gibi. E não acredito que é o traficantezinho no morro da Mineira ou da Previdência que é o grande-mega-traficante que gera rios de dinheiro. Simplesmente porque é simplificar demais um problema de proporções ainda desconhecidas.

Acredito que só punir os militares não vai resolver nada. O problema vai além de um tenente, um sargento e dois soldados. Não é só um problema das Forças Armadas também. Elas são apenas um braço, enquanto armado, do Estado. Ainda vou ser bom o suficiente pra conseguir destrinchar essa situação de maneira didática e científica, como os teóricos marxistas realmente fazem. Bem, aqui vai uma tentativa.

Existe uma guerra entra facções criminosas, isso é fato consumado. Agora, a mídia tenta tornar isso como uma guerra na sociedade civil. Não falaremos disso, é apenas um comentário. A ligação entre o tráfico e os militares, na minha opinião, se dava apenas na questão da fronteira, por onde a droga entra, e quem deve impedir que ela entre. Então, para tanta droga entrar no país, deve haver uma espécie de vista grossa, não é possível que apenas defasagem contingencial e armamentícia atrapalhem o trabalho de manutenção das fronteiras. Vemos por exemplo a fronteira na bacia amazônica, talvez o lugar mais inóspito para se defender fronteira. Ali (como se ali fosse um espaçozinho minúsculo) é por onde mais entra droga no país. Enfim, eu sou defensor de teorias conspiratórias em todas as instâncias de poder, mas acredito que isso é sim um problema de Estado. Das suas próprias contradições. Da contradição do modo de produção que vivemos. Essa contradição que gera lucros exorbitantes, e uma pobreza mais exorbitante ainda. E que faz com que o braço armado público se junte ao crime organizado. Mas então qual o propósito desses assassinatos?

Acredito em simples retaliação dos traficantes. Simplesmente porque não vejo um grande esquema de tráfico mundial se iniciando no morro da Mineira. Talvez seja uma situação realmente em que não foi ordem superior ao do tenente, de posto mais alto naquela ocorrência. Entretanto, se não há um respeito de hierarquia dentro das Forças Armadas no combate ao crime, algo está muito errado. Ou então, há respeito a hierarquia, por isso o acontecido no morro da Providência. Muitos fatos devem ser apurados. Eu não acredito que haverá qualquer punição para outros a não ser os diretamente envolvidos. É esperar demais que a justiça procure um porquê a mais, se em situações em que os fatos estão mais do que claros (juiz Nicolau dos Santos Neto, que vive em prisão domiciliar, Paulo Maluf, e tantos mensaleiros) não há punição severa, então...só resta esperar a próxima desgraça estarrecedora, ficarmos novamente estupefatos e voltarmos a essa vida meia-boca, em que nada fazemos, mas tudo nos assusta.

sábado, 31 de maio de 2008

Liberdade

nem todas as noite são iguais, as vez o antônio chega em casa meio de ovo virado, num adianta nem tentar mexer cum ele, brincar ou provocar... num tá pra coisa, sabe? onti, ele veio, mas veio que veio com um fogo que nem parecia desse mundo, o danado devia ta possuido pelo coisa ruin, mas até que eu gostei, aii cabou-se a burocracia, me tratou igual muié da rua, gostei...
mas num sei hoje chegou do mermo jeito oxi, to pra isso naum, se ele vir vou fingir que to arriada aqui na cama mermo e num levando nem o padinhu ciço venha da benção na minha sala, ahh mas num vô mermo, to pra isso não, quero durmi, to cheia de coisa pra amanhã, é cumida roupa, filho num guento, ser muié de pobre é uma desgraça, mas fazer o que dos male era o menos maiór, fui cum ele, pelo menos é respeitador, ou era né agora, vixe... num vale de nada esse homi...
mas espia é esse homi que gostiu, sem compromisso, gosto quando vêm que vem, sem fogaréu, sem anuncia chegada, vêm que nem cavalo arredio fugido da baia, mas a baia sou eu! é disso que eu gosto, ele vêm pra mim como os outro homi sai...
é meu... e eu dele, assim é que é bom as noite e o dia é tudo nosso, sem nada que proiba, num tem puliça num tem cangaço num tem ladrão, o meu amor, o meu amor... é a mais pura e bela rosa purpura do sertão, caso exista alguma

Josilene Carola

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Classe média contra-revolucionária

Que título impactante, não é? Eu acho que é. Entretanto, não adianta só falar e deixar sem explicação, como Weber fazia com seus modelos ideais criados à partir da observação e adequação do fato à realidade. A questão realmente é explicitar o papel contra-revolucionário da classe média no golpe civil-militar (sim, civil e militar, o golpe não foi desferido apenas pelos militares) de 1964.

Acredito que o Felipe faria um apanhado melhor da crise da legalidade em 1961, quando a tentativa de golpe sobre João Goulart com a renúncia de Jânio Quadros foi rechaçada pelas forças legalistas, lideradas por Leonel Brizola no sul e Miguel Arraes no nordeste. Com o apoio da população civil, inclusive da classe média, os grandes empresários, tecnocratas, burgueses e militares não sustentaram aquela situação de excessão, tampouco o regime parlamentarista, e logo Jango voltou ao poder, em um regime presidencialista, e com mais força do que tinha antes da renúncia de Jânio Quadros. Entretanto, a elite, os tecnocratas e os intelectuais orgânicos, tanto burgueses quanto militares, perceberam o erro de tática cometido. E é aí que se encontra o grande plano do golpe civil-militar de 1964.

A elite tecno-empresarial criou organismos e instituições de cunho civil, apoiada pelos militares, para implantar a política liberal das grandes corporações transnacionais por todo o território latino-americano, em especial, aqueles onde era predominante a política nacional-reformista, como era o caso brasileiro. Logo, criou-se o IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que procurava implantar essa política, o primeiro com estudos e apoio logístico, financeiro e intelectual, e o segundo com uma proposição mais de ação e de militância concreta contra as forças nacional-reformista e de esquerda.

O plano de gênio dessa elite civil apoiada pelos militares estava em desacreditar a mobilização nacional-reformista, arregimentando os grandes empresários, os meios de comunicação e as grandes corporações, espalhando sua mensagem de política liberal do grande capital, e assim, minando as forças do governo de Jango, a ponto de adentrarem o congresso com a ADEP (Ação Democrática Popular), um braço congênere do IPES dentro do governo. Na grande mídia, os grandes jornais, de acesso da classe burguesa e média, como O Globo da Familia Marinho, e o Estado de São Paulo, de Júlio Mesquita Filho, difundiam as mensagens da política tecnocrática. Fora o apoio logístico, financeiro e intelectual de agências de inteligência norte-americanas, como a CIA, e de grandes anéis tecno-burocráticos, como o CED, a CONSULTEC, o BGLA, entre outros.

Entretanto, a mobilização em torno da classe média fez com que o movimento contra-revolucionário da direita tomasse um peso de movimento de massas. Organizações como a CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia), que organizou a Marcha da Familia com Deus pela Liberdade, e TFP (Sociedade em Defesa da Tradição, Familia e Propriedade), uma organização feminina, e outra de cunho católico, ingressaram com grande peso reacionário no movimento contra-revolucionário. A CAMDE era financiada financeira e logisticamente pelo IPES, e apoiada ideologicamente pela Igreja Católica, com um discurso anti-comunista e reacionário, agregando as senhoras de classe média, defensoras fervorosas da moral e dos bons costumes católicos.

A minha teoria é que a influência política ideológica dessa elite, que atuava nos grandes espaços da mídia, sobre a classe média, foi capaz de cooptá-la para uma atitude contra-revolucionária clássica, de teor altamente reacionário em si, enquanto as classes burguesas e a elite tecno-empresarial adotava uma posição modernizante-conservadora, posta em prática com o chamado "Milagre Econômico" que durou até início dos anos 70. O peso de massas que a classe média acrescentou ao golpe, foi de fato primordial para se adotar um papel de "Revolução de 1964" pela direita.

Entretanto, minha pesquisa, futuramente, ficará restrita a um desses órgãos de classe média contra-revolucionários. Estou decidindo entre a CAMDE e a TFP, a segunda existente até os dias de hoje, com seus próprios intelectuais. Não sei dizer se eram orgânicos, segundo a visão gramsciana. Contudo, é indispensável estudar o papel civil no golpe de 1964, e como a política contra-revolucionária das camadas médias civis fez com que a intervenção tomasse uma conotação de ação legitimada por toda a sociedade civil. Há algo de podre na Terra Brasilis.

Para saber mais sobre o golpe civil-militar, leia:

DREIFUSS, René Armand. "1964: A Conquista do Estado - Ação Política, Poder e Golpe de Classe". Petrópolis. Editora Vozes, 1981.

Sobre a CAMDE:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campanha_da_Mulher_pela_Democracia
http://www.faroldademocracia.org/editorial_unico.asp?id_editorial=33
Marcha da Familia com Deus pela Liberdade:
http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/5995_1.asp

Sobre o IPES:
http://pt.wikipedia.org/wiki/IPES
Sobre o IBAD:
http://pt.wikipedia.org/wiki/IBAD
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jgoulart/htm/6Na_presidencia_republica/O_Instituto_Brasileiro_de_Acao_Democratica.asp

Sobre o TFP:
http://www.tfp.org.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tradi%C3%A7%C3%A3o,_Fam%C3%ADlia_e_Propriedade

P.S.: tudo que for da FGV e CPDOC, leiam com mais cautela. No Wikipédia, mais cautela ainda.
Mas os links são para o pessoal que ler, não ficar muito perdido no que eu pretendo debater.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Burocracia inoperante?

Estava parado esse espaço de discussões. É a pressão da vida moderna, as vezes temos que nos ater as responsabilidades mais imediatas para a manutenção da nossa vida e bem-estar. Mas vamos retomar as discussões, ou assim pretendemos. O bom filho à casa torna.

Só mesmo uma aula show de horrores para me fazer voltar a escrever em um momento tal conturbado pessoalmente. Achei ótimo uma discussão de texto de Foucault descambar para um tema que me interessa tanto: a atuação do Estado. A discussão foi fervorosa e os ânimos se exaltaram, com lados conservadores e anarco-reformistas se degladiando sem mesmo tomar posições políticas bem delineadas, partindo para o nível pessoal de "você me xinga, eu te xingo de volta". Parecia uma discussão de plenária sem questão de ordem. Por fim, vou à discussão.

Descreveram (e nesse caso, sem meias palavras, o professor) o regime comunista como uma burocratização assassina, mais até do que os regimes nazi-fascistas. Até certo ponto, concordo que o regime soviético foi uma burocracia assassina. Mas discordo em diversos pontos dessa afirmação, quando rotula o comunismo a um burocratismo assassino totalitário. A experiência soviética foi um regime totalitário a partir do momento que não era o partido que comandava, e sim alguns burocratas que acumulavam cargos.

Agora, até que ponto isso difere da nossa situação atual? Foi dito também nesta aula, e novamente pelo professor, que o Brasil é uma maravilha, uma democracia de direito, em que temos possibilidade de ascensão social, liberdade de ir e vir, tanta coisa bonita que parece um discurso norte-americano. Falacioso. A máquina do Estado foi acusada de ser inoperante. Em que sentido? Acredito que o Brasil é uma ditadura escondida, onde a ação política civil-militar iniciada em 1964 ainda não terminou. Esse por acaso é até o futuro tema da minha monografia, que vou procurar discutir em outro post aqui. Aparentemente, a máquina do Estado, a burocracia, não funciona. E criam-se instâncias privadas para dar conta dessa inoperância. O que é também uma falácia em termos. Se a máquina do Estado não funcionasse, porque a carga de impostos no Brasil seria uma das mais altas do mundo? A diferença é que esse dinheiro, DO POVO, não é reinvestido NO POVO! E criam-se instâncias privadas para dar conta do que seria papel do Estado.

Um simples exemplo: para que serve o IPVA, imposto pago por veiculos auto-motores, que todos temem quando adquirem um carro? Eu acredito que um imposto tão absurdo daria conta da conservação, ampliação e melhoramento das estradas com extrema facilidade, visto a alíquota cobrada sobre ele. Ao contrário, isso é uma contribuição, e não um imposto direcionado, e logo, as estradas são privatizadas e pagamos pedágio a cada 50 ou 100kms de estradas e rodovias, pedágios esses que tem um preço exorbitante a cada dia. A máquina do Estado funciona? Claro, mas não para o povo, e sim para quem a controla. Nesta mesma aula falou-se (que professor é esse minha gente?!) que não existe uma oligarquia controlando o poder. Que a ascensão social pela via pública é possível para todos. Porque existem ACM'S Netos, Aécios Neves, agora até Sarney Júnior eu vi como deputado do Maranhão...será mesmo que não existe uma oligarquia controlando a máquina estatal? Ô discurso conservador furado desse professor...

Também foi discutido o problema da repressão policial e da repressão criminal. Parecia que o professor não aceitava a polícia, civil, militar ou federal, enquanto instituição, como um braço do Estado. Ele deve achar que é uma instituição descolada, quase que clandestina, que funciona a parte das ordens e políticas de segurança do Estado. Eu acho que é a milícia que faz isso, mas tudo bem, se ele prefere assim. Em seguida, outro aluno conservador, vem com o seguinte discurso: "Quero ver um de vocês vestir um uniforme, uma farda da polícia e subir o morro...não vai descer." Fugiu totalmente do ponto, outro discurso de senso comum que além de não dar solução, legitima ações criminosas, tanto por parte dos traficantes, como por parte da polícia corrupta. Eu acredito que não se pode utilizar um discurso maniqueísta. A culpa não é da polícia que é repressora nem do traficante, que nem sempre, mas como acontece, não tem escolha para ascensão social a não ser juntar-se à criminalidade. Tudo isso é uma política de Estado. A política do medo, da guerra contra o crime, do todos contra todos. Quase um Estado hobbesiano. Talvez Rousseau diria que devemos voltar ao estado de natureza. O problema é que tentam entender a realidade como culpados e inocentes. E não nobreza e burgueses, entre aristocracia senatorial e militar, enfim, é o que rege a história. Por mais que tentem desfazer esse discurso.

Provavelmente vão me acusar de que a teoria marxista, o materialismo histórico e o materialismo dialético acabam com o indivíduo, elevando tudo à totalidade, a grandes contingentes. Mas existem atores políticos, como o General Golbery do Couto e Silva no movimento civil-miltar golpista em 1964, o Marechal Lott e Leonel Brizola pela campanha da legalidade em 1961, Plínio Salgado do movimento integralista, Luis Carlos Prestes, líder da Coluna Prestes e do Partido Comunista Brasileiro, entre tantos outros. Todos defendem seus interesses. Mas também defendem daqueles que lhes são simpáticos, ou seja, da sua classe. Não há escapatória. O combate à teoria da luta de classes talvez seja a maior vitória do movimento modernizante-conservador. Entretanto, a luta de classes não terminou.

Acho que ficou muito defensivo e romântico esse texto. Mas não acho que seja possível justificar fatos históricos que parecem injustificáveis, sem se utilizar da luta de classes. Se algum de vocês que lê e comenta, ou que só lê, tiver uma resposta que consiga refutar a minha opinião, por favor, publiquem. Não há represália nem nada disso, nem ficarei com raiva ou coisa parecida. Apenas amplie a discussão. Se não fosse essa aula, em que opiniões tão diversas tivessem surgido, provavelmente ficaríamos o mês todo de maio sem qualquer publicação. Polemizar é bom. Contrapor visões também. É a pedra fundamental da dialética.

terça-feira, 15 de abril de 2008

senhor feudal da grande área

tão grande é a àrea,
pequena para um grande homem.
tão pequeno este homem,
soberano da grande área.
vida vivida no fio da navalha.
veio da favela o dito nobre,
barão e rei da grande área.
peixe, bad boy, hoje é senhor,
peixe, bad boy, hoje lutador.
herói e vilão a cada comemoração,
golll, show, plástica, métrica e até rimas.

díficil aceitar que uma arte,
só tenha um soberano,
rei pelé, eterno susserano.
o baixinho a ferro e fogo,
com talento e muito esmero,
fez da grande área seu feudo.

domingo, 13 de abril de 2008

Alienação estudantil

Não ando muito inspirado para escrever ultimamente, apenas para ler e debater. Mas trazer uma idéia inicial para o bojo de um debate, não ta sendo meu forte no momento. Mas um evento desta semana me faz escrever, só para atiçar um pouco os radicais da teoria, que não conseguem ir para a prática.

Na UFRJ, o plano diretor do REUNI estava para ser aprovado nesta quinta-feira em sessão extraordinária do CONSUNI (Conselho Universitário). Devo admitir que estou muito aquém do que deveria estar no que concerne as implementações dessa nova reforma. Mas por base, todos os cursos que são ministrados fora da Ilha do Fundão (História, Ciências Sociais, Direito, Filosofia, Música, Pedagogia, Serviço Social, entre muitos outros) seriam remanejados para a inóspita ilha. E eu digo inóspita porque quem mora lá são apenas os estudantes que vivem nos alojamentos caindo aos pedaços. Fora as supostas reestruturações, de melhoria do corpo docente, maiores investimentos, tudo aquilo que governos populistas prometem. Mas tudo que parece bom no papel tem um preço a se pagar, e quase sempre é pior do que é bonito no papel. Por isso um grande ato de repúdio ao REUNI foi marcado para esta última quinta-feira, 10 de Abril. Ato esse organizado em apenas dois dias, já que esta sessão extraordinária foi definida no início da semana.

Pois bem. Fui ao ato, cheguei mais cedo pois não moro longe do Fundão, enquanto os demais alunos se reuniriam em suas unidades e se encontrariam no prédio da Reitoria, para o ato, que tomaria a Reitoria e entraria no CONSUNI, programado para as 9h30 da manhã. Parecia que poucas pessoas apareceriam, as mesmas de sempre, que há anos lutam. Mas de repente, uma massa de alunos, advindos das diversas unidades, de fora e dentro do fundão, se reuniram na entrada do prédio, para o ato. A cantoria começou logo, antes de todos os alunos se reunirem, e não parou até adentrarmos a Reitoria. A sessão do CONSUNI foi tomada, enquanto cantávamos músicas e gritávamos palavras de ordem. Logo, a turba se acalmou, e o representante discente do Conselho se dirigiu ao Reitor, seguido pela representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Em seguida, um outro representante do DCE queria a palavra, mas o Reitor pretendia que a representante do Corpo Docente falasse. Quando esse aluno novamente tentou tomar a palavra, o Reitor arbitrariamente suspendeu a sessão. Parecia uma vitória do movimento estudantil.

Em seguida, um professor conservador com o intuito de acalmar e conseguir o apoio dos estudantes, promoveu um debate com os mesmos do lado de fora da Reitoria. O debate se deu por cerca de 45 minutos, até que começaram as intervenções, que quase sempre se repetem e se completam. Como acompanhava dois amigos, e um se encontrava adoentado, nos retiramos do ato, que já havia terminado. Ao chegar do lado de fora do prédio da Reitoria, me deparei com uma massa maior ainda de estudantes esperando no ponto de ônibus. Não havia qualquer conhecimento do que havia acontecido naquela manhã no prédio da Reitoria. E o pior, se havia, era simplesmente ignorado ou tratado com descaso, como um bando de baderneiros criando uma bagunça, porque não querem assistir aula. É assim que o movimento estudantil é tratado, ou como conservador ou como baderneiro, é assim que ele é representado à sociedade.

Não sei o que é pior, toda a sociedade pensar disso de um movimento de combate à exploração e aos expropriadores, ou os próprios estudantes, acharem o mesmo do movimento que defende os seus direitos enquanto categoria. A falta de representatividade institucional do movimento estudantil, com o peleguismo direitista da UNE, enfraquece-o. Enquanto diversos movimentos se mostram na grande mídia, como na UFMG e na UnB, parece que a sociedade permanece alienada ao que acontece. Não percebem que daqui há alguns anos, seus filhos que poderiam cursar uma Universidade pública, gratuita e de qualidade, já não mais o poderão. E a maioria dos estudantes também não percebe isso. É pena. Há algo muito errado quando os radicais de esquerda são chamados de conservadores, e os reacionários são chamados de progressistas. Muito errado.
Vejam uma reportagem sobre:

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Crise Brasileira

Como podemos explicar todos os problemas políticos, que o nosso Brasil vem vivendo? Na minha singela opinião, o modelo democrático escolhido por nossos detentores do poder, desde 1891, sempre teve um caráter representativo. Este modelo carrega em seu bojo a marginalização da grande massa, inicialmente através de mecanismos objetivos de exclusão, hoje em dia na onda da metafísica, os mecanismos de exclusão obedecem a um caráter subjetivo.
Nossa carta magna não estabelece que em um país com 90% de analfabetos, somente alfabetizados votem, não estabelece que as mulheres estão alijadas do sistema politico, quisera eu ter o artifício da ignorância e gritar um belissimo "graças a Deus", em virtude de tantas coisas boas.
Agora sim, temos o dever de sermos cidadãos, ainda mais que a execução do direito de votar ou ser votado é o único determinante para a cidadania, pouco importa o que você pensa, caso você pense. Ler, escrever, até mesmo comer. Nota-se claramente que vivemos em um país que para ser cidadão basta você cumprir com seu dever eleitoral, seria um direito, mas...
Vivemos em uma era conturbada, os representantes escolhidos pelo povo, não os representam, caso o povo tivesse o direito de votar, ele poderia escolher bem ou caso não estivesse a vontade não escolher ninguém. De pronto pensamos o seguinte, o mecanismo eleitoral no Brasil, dá ao pobre o direito de se omitir, claro que para exercer este direito, o ser, tem de comparecer as urnas a cada dois anos, para renová-lo.
Conclusão, vivemos em uma democracia representativa, feita para não representar quase ninguém. Deixando a corte livre para fazer seu trabalho.

Críticas por favor, o texto está curto e assim foi feito para que as críticas fossem cnstruindo um debate. Favor pensar em questões como coeficiente eleitoral, representação estudantil e sindical etc.

sexta-feira, 28 de março de 2008

A felicidade

Como diria Vinicius de Morais: "A felicidade do pobre parece, a grande ilusão do carnaval. A gente trabalha, o ano inteiro, por um momento só pra fazer a fantasia de rei, ou de pirata, ou faxineira e tudo se acabar na quarta feira."
Este trecho vai de encontro ao que penso com relação a felicidade, obviamente que para se entender isto é necessário mergulhar nestes versos e perceber o que vêm carregado nestes versos, vem carregada uma idéia muito clara que a felicidade, nasceu, viveu e sempre viverá de mãos dadas com o esquecimento. Até Nietzche em sua "Segunda consideração intempestiva", e em alguma outro não lida por mim trata da felicidade como um momento no qual conseguimos esquecer o que nos incomoda, ou seja, um momento de leveza maior, um momento no qual nos desprendemos do que somos de fato e de que devemos fazer ou ao menos deveríamos.
Neste instante o bendito leitor está achando que eu divagarei sobre o que já foi dito, ou que ao menos farei uma "ode" ao esquecimento. É o caralho!!! Caso para atingir a felicidade eu tenha que abdicar do mundo, foda-se a felicidade, se ser feliz é esquecer, renego a felicidade. Não à alegria minha de cada dia que me coloca insensatamente um sorriso no rosto, sorriso o qual transmito muito bem para as pessoas ao redor, quase que infecto-contagiosamente, isto eu não renego, o que eu renego, é que por ao menos um segundo alguém se esqueça de onde está, e quem é.
Este esquecimento carrega em sua carona a omissão, e esta caros amigos, fode o mundo, por favor gente. O mundo é um teatro onde a platéia é quem faz o espetáculo, se você se limita a apenas escolher atores e diretores, e não intervêm no curso do espetáculo, ele vai seguir ao bel-prazer, de seus atuantes. E você, expectador de meia-entrada, apenas bestializado, ficará vendo mais uma vez a banda passar.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Hobbes, natureza e fila de banco

Um post anterior sobre educação desenvolveu uma discussão polêmica nos comentários. Isso é muito importante, para expandir a discussão com diferentes pontos de vista. Mas como os principais escritores deste espaço, fora os textos enviados, são de orientação materialista dialética, acho que cabe um post para discutir o que ficou discutido na teoria, no post "Novos horizontes". Não no texto em si, mas nos comentários.

Como materalista dialético (é um tabu se dizer marxista, materialista dialético é algo mais sisudo e intelectual) acredito realmente na doutrina em que o Estado deve ser derrubado para finalmente ser destruído e assim se instituir um regime comunitário, onde os bens e meios de produção seriam de utilidade de todos, comumente. Para 90% da população mundial, fazendo uma estipulação demasiado "nas coxas", isso é um sonho, uma lenda, ou como gostam de usar, uma utopia. No post anterior, discutiu-se uma educação crítica, que serviria pra conscientizar a crítica no cidadão. Isso foi tratado como utopia, já que o sistema é indestrutível, e mesmo que não fosse, o que viesse não seria muito diferente. Mas a justificativa é algo que eu particularmente acho metafísico demais, e anti-empírico. A lógica Hobbesiana de que "o homem é o lobo do homem".

O que me incomoda nessa lógica, é que se tornou um senso comum, papo de fila de banco, algo que transcende toda a história conhecida. Não importa como, onde, quando e porque, o homem sempre vai devorar o homem. É de sua natureza, de seu instinto. Ele não é altruísta por natureza. O conceito de uma natureza humana é algo que me perturba profundamente. Acho que não me dou bem com psicólogos por isso. Coisas metafísicas que transcendem a história são injustificáveis a partir do ponto que não são empiricamente comprováveis. Justificar que o homem se devora, sem saber sua própria justificativa, é ignorar os problemas. O homem não se devora porque é maléfico. Nem mesmo os lobos se devoram por serem maléficos, é apenas o instinto de sobrevivência. Cientificamente, o homem descende do macaco. Bem, assim eu aprendi. Australopitecus, Homem de Neanderthal, Homo-Erectus, Homo-Sapiens e por aí. Algo comprovado cientificamente nos animais, o instinto de sobrevivência, apenas existe no homem porque ele descende dos animais. Isso é a natureza do homem? Talvez de todos os seres vivos, mas é algo cientificamente comprovado.

O homem não tem uma natureza maléfica, ou antropofágica. Ele apenas é uma criatura com instintos que se baseiam nos seus antepassados mais remotos, e que foi transformado durante a história, tanto fisicamente quanto em questões intelectuais. O sistema escravocrata, a Idade Média feudal, absolutista, o início e o apogeu do sistema capitalista, e as ditaduras sobre o proletariado, tudo é um produto do homem, e vice-versa.

Acho que esse post teve mais o sentido de desacreditar a lógica Hobbesiana, de um Estado forte e controlador, já que ele provaria ser o primeiro dos conservadores, mantedores da ordem com a força, na crença de que só a ordem pode manter o progresso. É o lema na nossa bandeira. Ordene-se, de acordo com o sistema. Acredito que isso é muito mais cômodo do que a luta pela Ditadura do Proletariado. Termino citando o pensador e filósofo italiano Antonio Gramsci:
"Dizer a verdade, chegar em comum a verdade, é cumprir ação comunista e revolucionária.
A fórmula "ditadura do proletariado" deve deixar de ser somente uma fórmula, uma ocasião para ostentar fraseologia revolucionária.
Quem quer os fins, deve também querer os meios."

("DEMOCRACIA OPERÁRIA", Antonio Gramsci. 1ª Edição: L'Ordine Nuovo, 21 de junho de 1919, Tradução: Thiago Chagas Oliveira, em 9/11/2006)

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ode ao Libertino

Libertinagem, segundo o Dicionário, significa: Devassidão, desregramento dos costumes. Seguindo essa lógica, o Libertino seria um devasso, e sem compromisso com a moral. A palavra ganhou o sentido atual no século 18, devido a práticas, nada ortodoxas, de algumas sociedades secretas, e a autores como o Marquês de Sade, e sua clara apologia ao prazer. Mas, se analisarmos a História da Libertinagem, voltaremos ao século 16, uma época marcada pela rebeldia. Os Libertinos ou Rebeldes, eram um grupo que desafiavam a ortodoxia barroca e criticavam a moral cristã. No século 17, esse grupo ganha visibilidade na cultura francesa, com sua crítica ferrenha a moral cristã que organiza a sociedade. Os Libertinos são pessoas de diversas classes e formações, como: Historiadores, Filófosos e Escritores.

Desse movimento, que no século 18, nasceram 2 tipos de Libertinagem: a de “espírito” e de “costumes”. O Libertino de Costume era o que transgredia a moral da religião através de seus atos. Os Libertinos de Espírito são os herdeiros da liberdade dos séculos anteriores. Esses intelectuais são marcados pela independência de pensamento, pela discussão de temas variados, desde política, até ciências naturais. Em seus salões todos os temas eram bem aceitos e discutidos sem preconceitos.

Muitos desses Libertinos ganharam fama, com Diderot e Voltaire, outros ficaram na clandestinidade, mas não deixaram de expor suas idéias e censurar a estrutura ou a sociedade. Esses foram os verdadeiros rebeldes, que mesmo sem visibilidade não deixam de protestar e criticar.

Mas será que hoje ainda existe esse grupo variado que não se deixa vencer por uma sociedade repressora, que dita regras de comportamento?Ainda há uma resistência?

A resposta da pergunta acima é simples, sempre haverá uma resistência, mesmo sendo um simples blog. Enquanto existir alguém que queira contestar a realidade, seja qual for a maneira, essa pessoa será um Libertina de Espírito.

Esse texto é uma homenagem a todos os libertinos de espíritos que lutam, mesmo em silêncio para transformar essa realidade.

Rafaela Nichols

segunda-feira, 10 de março de 2008

Novos Horizontes

Tudo se move, todos se moldam, mudam, transformam-se em novos seres a cada contato com algo diferente, a cada pessoa nova. A individualidade é uma certeza, todos somos unos, mas não nascemos unos. Na verdade não nascemos nada, cada exemplo e relação, cada experiência vivida, cada topada dada na vida, nos torna diferentes do que éramos 5 segundos antes.

Guardamos conosco uma essência, linhas gerais que formam nosso ser, na qual está delineada a nossa figura interna. Esta essência contudo é formada também com as experiências e emoções. Nesta situação é que emerge o valor da educação e o da escola, visto que esta essência é formada em grande parte na infância até a juventude.

Na escola ocorrem uma série de relações que formam o ser, desde amizades até o aprendizado formal, ou seja a educação formal e a informal. O interacionismo traz consigo esta idéia de que o meio influencia na formação psicológica do ser, a estrutura não define a super-estrutura, não monoliticamente, mas a forma e molda. Não ocorre um big-bang, que faz com que em um simples contato com o meio forma perfeitamente o caráter da pessoa, mas ao longo do tempo a estrutura vai moldando a super-estrutura, fazendo uma espécie de soerguimento, formando uma pessoa com uma essência sendo definida, e quando definida estiver passará a sofrer alterações de maior sutileza.

Seria maravilhoso um sistema educacional, visando a formação do ser, formando seres humanos e não como é o atual, onde mesmo sem obter sucesso no intento este se caracteriza por tentar formar recursos humanos, uma escola de vida, um lugar feito para formar esta essência, não de maneira sistemática e rígida, mas sim levando em consideração a individualidade, está sendo formada justamente pelo contato com a multiplicidade. Em 4 horas diárias torna-se muito díficil, conseguir esta maravilha, ainda mais sem profissionais formados adeequadamente.
É bom também levar em consideração que é complicado analisar a individualidade de 50 alunos em 50 minutos semanais, é complicado estimular a liberdade de pensamento, permitir discussões mais livres tendo um programa extenso a ser dado e sem ter tempo hábil, também é muito díficil, um profissional que recebe R$ 100,00 acima do salário mínimo, se qualificar, estudar mais, fazer novos cursos. Aí entra um outro dilema, para conseguir um salário melhor o professor acaba indo dar aulas em 26 colégios, nos quatro cantos da cidade e as vezes do estado.
Isto posto le não tem tempo hábil para se qualificar.

O sistema educacional no Brasil é fadado ao fracasso, sob esta fundação qualquer nova construção vai ruir, é preciso revolver as estruturas do Estado, para que a educação de fato eduque, e não se limita ao mero papel de transmissora de informações. Na era da internet e da facilidade das informações, é um posição muito frágil a que a educação está.

Mais no próximo domingo...

sábado, 8 de março de 2008

Aula de política

Nunca me peguei assistindo TV Câmara. Acho que já tenho motivos demais pra me revoltar, além de ficar assistindo os crápulas corruptos discutindo e falando mais merda que o povo engole. Mas por algum motivo, trocando de canais, eu e mais dois amigos vimos um programa bem ao estilo “Programa Livre”, em que jovens questionavam figuras públicas, e neste programa em especial o execrável Leonardo Picciani estava na mesa. Para quem não conhece a política do Rio, ele é mais um integrante daquelas famílias que se criaram dentro da política, como os Neves em Minas, os Magalhães na Bahia, aqui no Rio existem vários. E uma garota, não sei se muito burra ou muito inteligente, pergunta ao Leonardo Picciani porque existe corrupção e o que a causa. E a brilhante resposta do sujeito, talvez mais estúpida do que a pergunta da menina, é culpar a sociedade capitalista de consumo. Não abstenho o capitalismo de culpa, claro que ele corrompe, já que a necessidade imediata de prazer, de gozo, de realização, agora, e não depois, faz com que as pessoas ajam irresponsavelmente, sem pensar em certas conseqüências. Entretanto, acho que a corrupção também depende de algo mais metafísico, que é complicado um materialista explicar: a índole, ou a moral, não sei dizer exatamente o que. É tentador demais para qualquer um aquelas quantidades exorbitantes de dinheiro. Mas o capitalismo é produto do próprio homem, então o homem se auto-corrompe.

Em seguida, ele resolve atirar contra o comunismo russo, que concentrou muito capital e deixou milhares na pobreza. Outro tiro mal dado, chamando o que aconteceu nos anos 70 e 80 de comunismo. Fica a questão clara de raciocinar se existia realmente o comunismo após a morte de Lênin em 1924, ou se existiu até mesmo antes, já que a Rússia, depois União Soviética, saía da Primeira Grande Guerra, para um período revolucionário e depois uma Guerra Civil. Será que houve tempo para uma experiência realmente comunista, ou pulou-se diretamente para uma ditadura burocrática não do proletariado, mas sobre ele? É ai o tiro mal dado de Picciani. Então um outro rapaz, talvez um pouco mais lúcido, questiona porque Picciani critica a sociedade capitalista consumista, já que ele ostenta a marca dessa sociedade num belo relógio em seu pulso, além de suas vestimentas. E pergunta qual sistema seria o mais correto, já que ele não acredita nem no capitalismo e nem no comunismo. E é aí que o tiro sai pela culatra.

O brilhante parlamentar Leonardo Picciani, Deputado Federal pelo PMDB (isso mesmo, Federal) fala que para ele o mais sensato seria um capitalismo com maior distribuição de renda, um capitalismo igualitário. Preciso repetir, UM CAPITALISMO IGUALITÁRIO. Será que um sujeito desse teve qualquer tipo de aula sobre o que é um sistema capitalista? Será que ele não tem noção de que capitalismo e igualitarismo são contradições? E em seguida ele justifica, com mais sagacidade ainda. “Entendam bem, seria um sistema em que os ricos não ficariam mais ricos, porque já estão bem do jeito que estão (ou vocês achavam que os ricos, como ele, perderiam dinheiro pra haver um capitalismo igualitário?) e o pobre teria uma melhor condição”. Adorei essa definição, prova como ele é um ignorante. Agora a solução é o Banco Central produzir papel moeda a rodo e distribuir aos pobres. É perfeito. E que se dane a inflação, o capitalismo é igualitário!

E criticam o presidente. Coitado, o presidente não sabe de nada. Mas ele é assessorado por ministros e um corpo legislativo brilhante. Isso fica cada vez mais evidente. Pelo menos os tucanos e os demos (opa, quer dizer, os “DEMO-cratas”) não desmentem que são a direita. Não ficam com esse papo pequeno-burguês que o povo engole. Capitalismo igualitário? Valha-me Deus, onde vamos parar...

quarta-feira, 5 de março de 2008

onde está?

gostaria de saber encarecidademente,
onde foram parar as idéias?
se perderam finalmente?
também me importa saber,
por onde andam os sonhos?
em um país deste tamanho.
este conformismo é medonho,
como me bota medo a omissão...
e nem me fale em corrupção.
Ah se tivessemos armas na mão,
porém, contudo, no entanto, não!
conforta-nos, a estada perene de cú na mão.

domingo, 2 de março de 2008

Decepção

Tenho um imenso desprezo por pessoas sem retidão no caráter, pessoas que deixam o tempo e o conformismo levarem ao caminho da reação, ou pior ainda, ao caminho da omissão, isto me enoja de maneira embrasadora.
No entanto isto já é corriqueiro, mas nem por isso deve deixar de ser observado, julgado e avacalhado. Mas atualmente um novo fenômeno, ou melhor nem tão atual e nem tão novo, no entanto mais claro vem ocorrendo, não são mais as pessoas bem sucedidas interessadas na manutenção de seus interesses, pessoas que já cumpriram seu papel nesse mundo e preferem que as coisas se mantenham tal qual estão. Agora quem está na onda da reação são os jovens, pessoas na flor de seus vinte anos, defendendo o liberalismo, defendendo sim, mas sem unhas e dentes, porque os falta a hombridade do ideal, são pessoas fracas, pequenas, condenadas a seu papel de se julgar superiores a tudo e com isto não se envolver em nada. Pra que mudar alguma coisa? Estou tão bem. Tenho gente abaixo de mim, quando estiver lá embaixo tomo alguma atitude.
"Quer arrumar o mundo, comece arrumando o seu quarto", frase da moda, dos livros de auto-ajuda, frase de merda, desejo sinceramente que toda a individualidade tome no centro de seu cú, não se faz planos só, a coletividade é maior que tudo, o mundo é o inicio e o fim, ele é o que nos interessa.
Então retomando o foco, eu vomito em cima dessa juventude do século XXI, eu esfrego meus pentelhos na cara desta juventude, eles são merdas, eles são resquícios de tudo que há de ruim no mundo, frutos de uma sociedade pós-moderna e metafísica, condenando o que de melhor já existiu nas ciências, que é a dialética, tentando estruturar o mundo e as reflexões sobre ele de maneira infame.
Se esta juventude sem nada nas mãos faz estas pequenices, imagine quando chegar no poder, em fim, que as partes sãs da sociedade livres do câncer da reação tomem atitudes preventivas. Para que não tenhamos um futura tão idiota quanto o presente.

sábado, 1 de março de 2008

Mal-estar pós-moderno

Época da individualidade. Acho que é assim que podemos definir o período que nós vivemos. Todos estressados, estafados, com problemas de comunicação, o que é uma contradição já que vivemos na época da informática e da robótica, onde a comunicação e a informação são de acesso cada vez mais fácil. E esses problemas levando a depressões, síndromes, compulsões, e problemas mentais cada vez mais frequentes, que afetam o físico dos indivíduos. Poderia dizer que é a pós-modernidade. Não sei se é só ela. Poderia dizer que é a globalização. Não sei se é só ela. Até porque ambas resultam do sistema, e não são entidades por si só, que se auto-produziram. Existe uma conexão para a existência de qualquer fato histórico, eles não se produzem do nada. É esse mal-estar da pós-modernidade, com o perdão do título de um livro, que podem me processar se quiser, que consegue manter o sistema tão controlado, apesar de que marxismo ortodoxo justifica que o capitalismo é um sistema que acabaria por se auto-consumir, o que não se comprovou. E é aí que vem a criação da pós-modernidade.

Em "Pós-modernismo, razão e religião", de 1992, Gellner refere-se ao pós-modernismo da seguinte forma:
"O pós-modernismo é um movimento contemporâneo. É forte e está na moda. E sobretudo, não é completamente claro o que diabo ele é. Na verdade, a claridade não se encontra entre os seus principais atributos. Ele não apenas falha em praticar a claridade mas em ocasiões até a repudia abertamente...
A influência do movimento pode ser discernida na Antropologia, nos estudos literários, filosofia...
As noções de que tudo é um "texto", que o material básico de textos, sociedades e quase tudo é significado, que significados estão aí para serem descodificados ou "desconstruidos", que a noção de realidade objetiva é suspeita – tudo isto parece ser parte da atmosfera, ou nevoeiro, no qual o pós-modernismo floresce, ou que o pós-modernismo ajuda a espalhar.
O pós-modernismo parece ser claramente favorável ao relativismo, tanto quanto ele é capaz de claridade alguma, e hostil à ideia de uma verdade única, exclusiva, objetiva, externa ou transcendente. A verdade é ilusiva, polimorfa, íntima, subjetiva...e provavelmente algumas outras coisas também. Simples é que ela não é...
Tudo é significado e significado é tudo e a hermenêutica o seu profeta. Qualquer coisa que seja, é feita pelo significado conferido a ela...”

Segundo Ernest Gellner, a pós-modernidade é um resultado do fracasso do marxismo e das teorias de esquerda, como exemplo a União Soviética. As críticas então ao marxismo foram muito hostis, porque segundo o pós-modernismo, haveria uma verdade única para os marxistas, não existiram diversos pontos de vista, e a verdade marxista se mostrava equivocada com a experiência soviética, denominada de comunista. A Escola de Frankfurt também desempenha um papel importante na formação da ideologia pós-moderna.

É válido que cada um tem seu ponto de vista, e portanto, a verdade se torna plausível segundo essa ou aquela perspectiva. Para isso que serve a dialética, para chegarmos a um consenso do que é mais real, mais justo, e mais verdadeiro para a maioria. Mas o que a pós-modernidade, segundo a minha perspectiva, vem trazer, é essa falta de visão de maioria, e sim uma visão individual, sempre individual, que agrega outras máculas da humanidade, como a rejeição do próximo, a xenofobia, entre outros. Não que seja proposital, mas a questão de cada um ter sua verdade e seus pontos de vista diferentes, resulta em caos. O israelense tem sua verdade, o palestino a sua, e a guerra não para e não há prospecto de paz tão cedo. Assassinato é sempre assassinato, tanto de homens-bomba em ataques suicidas, como de tropas americanas invadindo países ricos em petróleo com supostas intenções democráticas. Mas cada um tem sua verdade. E as mortes e guerras não param. Acho que os psicólogos vão ter muito trabalho nos anos vindouros. Será que Freud explica?

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Critica musical

Eu, talvez com um certo retardo, depois de conhecer muito da música brasileira, ouvindo-a nas suas mas completas vicissitudes, descobri a cara do Brasil, não em termos musicais, mas sim a cara do Brasil.
O nome do disco é: Coisa mais maior de grande pessoa, o cantor... Gonzaguinha. Não é a árvore genética que faz esse cara ser a cara do Brasil, nem o seu público simplesmente, o público dele era talvez o mesmo de seu pai Luiz Gonzaga, com uma maior entrada nos meios intelectuais.
O que pesa na música dele é o seu compromisso com o povo, com o trabalho, com certas características efetivamente brasileiras, que nos mostram de forma completamente desnudas em uma música dela mais do que em 600 livros.
Ele mostra certos anseios destas pessoas que só conhece é quem, ou viveu ou ouviu, frequentou uma boa mesa de bar do subúrbio, no pé de uma favela, e conheceu 1000 José e 800 Marias.
Este cara fez o mundo perceber que a gente não esta com a bunda exposta na janela pra passarem a mão nela, que o fruto do trabalho é mais maior, é o que trás a alegria pro homem simples, que a estrada é um caminho a ser seguido.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

rumos

É triste o fim? esta pergunta é de fácil resposta, triste é o fim de quem não fez a vida valer a pena. E não adianta clamar a Deus, deixem esta fraqueza humana de lado. Como materielista, vejo a vida de uma maneira talvez um pouco distinta, pra mim é isso aqui mesmo, planeta Terra, Felipe Loureiro rg 020.... detran, isso é a vida, não há depois, tem de ser agora, não, nada de hedonismo, nada de vamos viver o hoje, sim, sim façamos planos de curto, médio e longo prazo. Mas o mundo é hoje, sim, concordo, existe um amanhã, mas o amanhã a gente faz hoje.
E é por isso que eu digo assim como está escrito na frente de um quartel da policia militar na linha amarela, eu penso: "Se um ideal é maior que a vida, vale dar a vida por um ideal".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Salvem os idosos!

Eu odeio a Reforma da Previdência, como todo bom idoso, só me ferrou. Por isso acho que todo tipo de reforma que esse governo providencia, é prejudicial a maioria da população, a nós classe média, classe média baixa, classe baixa, e miseráveis, a massa. E me lembro da época em que a palavra "Reforma" assustava as elites, quando um governo reformista era algo muito temerário. Como é que as coisas mudam. Mas agora, estão sendo covardes. Vou explicar o caso.

Aqui perto da casa do Velho tem um abrigo para idosos e desabrigados, o Abrigo do Cristo Redentor, fica na Avenida dos Democráticos, altura do número 1250, em Bonsucesso. Desde bem novo, eu me lembro desse abrigo. E agora, estão expulsando os velhinhos que lá vivem, e quem quiser cuidar deles, o governo vai dar uma ajuda de custo. É o cúmulo! O governo não tem nem vergonha de cuidar dos idosos que não possuem nenhum familiar pra cuidar. Aquele abrigo já vivia caindo aos pedaços, com muito pouca renda, e agora querem fechar de vez e enxotar os velhinhos. E o pior que resolveram lutar por eles agora. Não sei se é porque repararam que isso é um absurdo, ou se ninguém quer mesmo cuidar dos velhos, preferem largar eles jogados no Abrigo. Em ambos os casos acho isso um absurdo. Até porque, eu ainda me encontro em condições de cuidar da minha saúde, mas e quando for a minha vez? E se ninguém da minha familia puder cuidar de mim? Podem dizer que isso é sem coração, mas cuidar de idosos que não podem cuidar deles mesmos, é como cuidar de bebês, é atenção o tempo todo. Tem até acompanhantes, pessoas que trabalham nesse ramo, mas quantas familias podem arcar com esses custos? Por isso, entre outros motivos, tantos idosos acabam em abrigos e asilos. Além claro, do descaso. Mas o governo, o Estado, agora não tem nem a vergonha de cuidar daqueles que enriqueceram seus bolsos podres e fétidos cheios de dinheiro sujo que deveria ser para custear as necessidades da sua população. Um ultraje!

Isso é só um exemplo de como o Estado brasileiro, da época de Getúlio "pai dos pobres", de quem eu não tenho muita afinidade, mas que era um grande populista, um caudilho, agora simplesmente não liga nem um pouco pra massa. O capital multinacional já está fixado com tanta rigidez nas entranhas da sociedade brasileira, que custos tem que ser eliminados. Mas não o custo do roubo do dinheiro público, e sim da miséria que é designada para os custos básicos de sobrevivência da sociedade, que volta novamente para os mesmos bolsos podres e fétidos de pulhas crápulas que comandam esse país de coitados, que devem estar pouco se importando com isso, já que está chegando a final da Taça Guanabara ou ainda nem se recuperaram do ritmo de carnaval. Quando falam que o Brasil é uma terra de contrastes, isso é um eufemismo. E para quem não sabe o que é isso, é porque o ensino de português nas escolas desse país está realmente pobre. Ê desgraça!

Salvem os velhinhos, porque eles não podem se salvar. Governo de canalhas! Terra de ladrões! Pátria do egoísmo! O último a sair, que feche a porta.

o Velho

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Esse cara é bom

Cá estou eu, refletindo com os meus ilustres botões, vivendo a dúvida se o obina deveria ser titular, ou se realmente o souza é melhor, mas enfim, não era isso que eu ia falar.
O assunto que tratarei aqui, não é o futebol do rio de janeiro que está evoluindo bastante, com excessão do Vasco. O assunto hoje é a magnifica atuação de nosso prefeito, digo mais nosso "Duce", César Maia, além de toda sua conduta vergonhosa como prefeito, assim como ser humano e também como macho reprodutor, nos últimos tempos ele vem se lacerdizando de uma maneira hilária.
Enfim, nosso lúdico tirano nos brindou com mais um pouco de sua graça neste episódio maravilhoso do módico aumento do IPTU, o que é que há? o povo reclama demais, aqui em casa aumentou só 400%, ta bom? fazendo uma pesquisa bem superficial descobrimos aqui o porque de tal aumento, onde moro, "praça visconde de assêca", mais conhecida como "praça seca", não é mais área de risco, com relação a violência, tráfico de drogas e tal. é uma região pacificada.... ironia do destino, quem expulsou o tráfico foi a milícia, o poder público nada fez, quer dizer, em serviço, mas enfim...
Mas é isso ai, ai o povo do carioca que já foi digno de orgulho em episódio da história do Brasil, como revolta da vacina, crise da legalidade, comicio da central, diretas já, passeatas, um povo que já fez da cinelandia praça de guerra, resolveu dar o ar da sua graça e protestar. adiando o pagamento dessa magnifica taxa.
O que o fuhrer faz? reduz a taxa? facilita o pagamento? não, ameaça de cortar os investimentos na cidade, tem investimento? fora o piscinão de guadalupe. rio cidade na farme de amoedo para o filho dele não tropeçar em nenhum buraco do asfalto, com seu salto quinze? pelo amor de deus(estou apelando por quem ler) porque esse negocio de Deus não pega comigo, aliás acho que sinceramente, Deus é uma fraqueza do homem, vêm da necessidade de ter um porto seguro, enfim.
Esse cara é bom, ele gasta todo o dinheiro do carioca em coisas inúteis, desenvolve uma instituição que só serve para prejudicar os trabalhadores, impedindo de trabalhar ou violentado-os fisicamente, e que quando vê bandido corre, orgulhosa guarda municipal, atiram spray de pimenta na cara de pobre com uma destreza. por favor cariocas, não coloquem esta besta de novo na cidade nova, muito menos alguém da sua corja, mostremos nossa cara, cuspamos na dele.
enfim.. esse cara é bom

Democracia, Democratura, Ditocracia...?

Ae! Primeiro texto enviado!
Lembro a quem ler, esse texto foi escrito, segundo o autor, na época das últimas eleições presidenciais, governamentais, senatoriais, enfim. Então, apesar de não ser atual, a crítica ainda o é. Então, ai vai.

Acabo agora de ver o debate com os candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro e algumas questões me borbulham na cabeça, algumas destacarei aqui, de maneira meio confusa, mas enfim é o que penso sobre tudo isso que nós vivemos.

Bem, disseram para nós que vivemos numa democracia,onde temos a liberdade de expressão e de ação garantidos pela constituição, assim como o direito a greve e onde "nós somos os patrões e escolhemos nossos representantes", enfim a democracia livre e irrestrita é o que supostamente nós teríamos, ou dizem que temos pelo menos.

Tudo isso é muito bonito, soa bem em nossos ouvidos, mas não passa de puro romantismo ao meu ver, primeiramente como falar de direito de escolha e Estado Democrático com o voto sendo obrigatório para pessoas na faixa dos 18 aos 65 anos de idade? Ou falar de ação com a repressão policial aos movimentos de greve ou de simples protestos? Ou pensar em Democracia com o tempo dividido de forma desigual entre os candidatos no horário eleitoral? Ou com uma Reforma Partidária que pode restríngir o número de partidos, proibindo partidos menores - a maioria ligada aínda aos movimentos populares - de circular?(PS:Este é o sonho dourado da REDE GLOBO visto em seus "brilhantes telejornais") Teremos a ilegalidade do PCB novamente então? Ou com todos os meios de comunicação legais frutos de concessões e com isso ligados ao Estado? Com impugnação de candidatura sem a explicação plausivel do candidato a presidente do PCO? Ou aínda com a realização de debates tendo somente os melhores colocados nas "pesquisas"? E os demais candidatos, o povo não pode conhecer?

Mas podemos pensar "Nós temos o voto, portanto exercemos o direito de cidadania e com isso estamos numa Democracia". Bem, não custa lembrar que VOTO NÃO SIGNIFICA DIRETAMENTE UM REGIME DEMOCRÁTICO, na história temos exemplos disso, temos Cuba que até hoje tem voto para escolher seu líder, em 1978 o Brasil teve voto direto para eleger os Governadores dos Estados, em 1937 no já instalado Governo Nazista a Alemanha teve um plebiscito para saber a aprovação de seu governo, 2 anos antes a mesma Alemanha em seu processo de nazificação teve eleição para a escolher o seu chanceler("Primeiro Ministro"), enfim, nesses exemplos que citei havia ou há um Estado Democrático? NÃO, portanto apenas ter direito(no nosso caso um dever, já que é obrigatório)ao voto não garante democracia de modo algum.

Portanto, acredito que vivemos em meio a uma Ditadura Disfarçada (PS: Por favor só usei o mesmo nome dado pelo Élio Gáspari apenas pela falta de um nome mais cabível, mas as minhas definições sobre Ditadura Disfarçada que uso são diferente das que ele usa em seu livro) que se traveste na pele de uma democracia hipócrita, mesquinha e desagradável que a todo o momento restringe a cidadania apenas ao voto e coisas como manifestações, protestos, queimas de ônibus (PS: Essa prática apesar de hoje ser rotulada,apenas como uma ação do PCC muitas vezes pode ser um sinal de protesto dentro do movimento popular, como a queima dos ônibus ocorrido no Rio de Janeiro em 1988 em virtude do aumento abusivo das passagens)e outras ações são renegadas ao banditismo e onde temos e vivemos sim numa forte repressão na qual a democracia e a liberdade de expressão existem, desde que sejam restritas a uma linha de pensamento na qual a nossa querida REDE GLOBO prega todos os días, e qualquer pensamento que ofenda ou que desvie, nem que seja apenas um pouco, dessa linha terá a resposta com bala e com a mão de ferro existente em qualquer Ditadura.

Ricardo Freitas Nogueira de Souza

Pra quem quiser ler outras crônicas dele, entrem aqui:
http://www.cronicasdocotidiano.blig.ig.com.br/
Ele ainda vai mandar mais trabalho pra gente. E la vamos nós!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Você tem voz?

Um adendo antes de começar. O governo aumentou a alíquota do IOF pra compensar a perda da CPMF. Relembrando o texto do Felipe anteriormente, o fim da CPMF prejudica mais a quem?

A onda agora é propaganda na TV falando que você só tem voz se tiver titulo de eleitor. E que você deve exigir os seus direitos daquele que você elege. Até mesmo estimulando jovens de 16 e 17 anos, que ainda não são obrigados a votar, a tirarem seu título de eleitor. Agora a nova propaganda mostra um senhor convocando todos no meio de um viaduto. A propaganda é até da Rádio CBN, que se tornou importante por seu jornalismo. (um comentário indignado: jornalista não é historiador, eles não são imparciais, e tampouco conseguem analisar toda a conjuntura, já que dificilmente tem uma ideologia formada. Depois, os jornalistas que me critiquem) Ou seja, temos voz só de 2 em 2 anos, quando tem eleições municipais, e depois estaduais e presidenciais. O resto desse tempo, devemos falar com quem elegemos. Agora, todos os candidatos em que você vota, te representam? Caberia discutir a validade da chamada "democracia representativa", mas o que estou pretendendo discutir é a participação do povo no seu próprio governo.

A democracia americana, por exemplo, diz que seu governo é "do povo, pelo povo e para o povo". Isso não está escrito na constituição brasileira (ou pelo menos eu acho que não está, os advogados que venham me corrigir) mas acredito que o máximo de democracia que existiu deveria seguir esses preceitos. Não que a democracia americana siga. Pelo contrário. Isso torna mais claro como o sistema é falho. E como ele só permite que você se expresse em época de eleição. Durante outros períodos, você deve ficar calado, e apenas questionar as ações de seus candidatos. Qualquer coisa fora isso é baderna, vandalismo, atentado contra a liberdade e a democracia. O que ficou designado como "subversão". Engraçado o que é subversão agora era considerado movimentos libertários na época das Diretas Já, por exemplo. Apesar da Ditadura Militar considerar tudo isso subversão na época do Ato Institucional Número 5. Mas a discussão já está descambando de novo.

O que o Velho está querendo dizer é: te fazem acreditar que esse é o máximo que você pode fazer. Ir nas câmaras, ou onde você puder encontrar seu deputado, e reclamar. Porque isso é constitucional, ou em outras palavras, conveniente para eles, não fere a democracia deles. Porque isso não vai mudar nada. Uma pessoa sozinha reclamando, não muda nada. Devemos buscar a unidade, não enquanto questionadores de um candidato. Mas de um sistema, que produz milhares desses candidatos todos os dias, que mantém o sistema onde você só tem voz se tiver um título de eleitor. Se não quiser, tudo bem, continue do jeito que está. Em outubro você vai la na caixinha eletrônica, digita um numerozinho la e vai estar cumprindo seu dever democrático. Ainda bem que não é obrigatório o voto dos idosos. O Velho vai ficar em casa no domingo de outubro que eles escolherem, tomando sua cervejinha e jogando tranca. Quando resolverem mudar, me chamem. Eu pego minha bengala e os acompanho. Senão...até outra hora.

o Velho