O que singifica esse título? Segundo o wikipédia: "Dialética" (do grego διαλεκτική) era , na Grécia Antiga, a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias.
Já segundo o Aurélio, é a Arte do diálogo ou da discussão, quer num sentido laudativo, como força de argumentação, quer num sentido pejorativo, como excessivo emprego de sutilezas.
Conforme Hegel, a natureza verdadeira e única da razão e do ser que são identificados um ao outro e se definem segundo o processo racional que procede pela união incessante de contrários - tese e antítese - numa categoria superior, a síntese.
Segundo Marx, é o processo de descrição exata do real.
Já "Amor" tem 13 definições no Aurélio e inúmeros links no wikipédia. Segundo o Aurélio, é o sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou dedicação absoluta de um ser a outro, ou um sentimento de afeto ditado por laçõs familiares, ou um sentimento terno e ardente que inclui a atração física, adoração, veneração, afeição, amizade, carinho, muito cuidado, zelo...e não tem fim.
Bem, a dialética é uma forma racional de se chegar a uma síntese sobre algo real. Entretanto, o amor não pode ser empiricamente comprovado nem tão pouco demonstrado, apenas sentido. É algo muito subjetivo. Entretanto, poderemos fazer certas comparações com nossas atitudes para quem clamamos amar. Acredito que tudo que foi citado acima pode ser considerado verdadeiro. Todavia, é confuso perceber como ferimos as pessoas que amamos. Se há tanto carinho, dedicação, desejo pelo bem da outra pessoa, como somos capazes de machucar tanto aquele ou aquela que nos é caro? Daí vem a minha tese de que o ser humano é capaz dos maiores sacríficios por aquela pessoa a quem ama. Não vê barreiras para isso, acha todas elas transponíveis. Pelo menos, é esse sentimento que lhe é incumbido quando ama.
E daí a antítese. Da mesma forma que é capaz dos maiores sacrifícios, também é capaz dos maiores atos de egoísmo, o opositor do sacrifício de amor. A dicotomia interna humana faz com que ele seja capaz do ato mais nobre até o ato mais inescrupuloso. E dessa forma, ele justifica seu ato com palavras de amor.
Como isso é possível? Como pode justificar atos tão díspares entre si com o mesmo sentimento, que por definição abstrata, como vemos, é por natureza nobre? Será que o sentimento que é culpado disso? Ou o ser humano que simplesmente é tão confuso que não entende o próprio sentimento? Se conseguirmos usar do nosso raciocínio quando pensamos no ser amado, concluiremos que queremos o bem daquela pessoa, independente da forma ou com quem. Na teoria. Quando a prática lhe é apresentada, o ser humano retorna ao primitivo. Sente a necessidade de defender o ser amado, mas sem raciocinar, acreditando que ele ou ela é a única pessoa capaz de trazer alegria e felicidade ao ser amado. É uma auto-defesa direcionada para a pessoa amada. É o que costumamos chamar de ciúme. Segundo o Aurélio, ciúme seria definido como: Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos, inveja, receio de perder alguma coisa.
Pois isso é o que o amor é capaz de causar numa figura incrivelmente caótica como o ser humano. O amor acaba com a racionalidade do homem, por isso é complicado estudar a dialética do amor. Todos o sentimos, e não sabemos como controlá-lo, de que forma agir para o bem da pessoa, já que a racionalidade foi embora pela janela. Talvez é isso também que cause tanto impacto nas pessoas. Perceberam como são capazes de atitudes que, racionalmente, lhes pareceriam absurdas. Acho que isso tenta mostrar como o ser humano é capaz dos atos mais bonitos para os mais grotescos, sempre com o mesmo alvo. E esse "alvo" sempre sai mais ferido, justamente por ser o alvo de tanto carinho, tento zelo, tanta ternura. Já não há tantas barreiras sentimentais entre pessoas que compartilham esse sentimento.
Talvez por isso a máxima de que "Você sempre machuca aqueles que ama" seja tão verdadeiro. Se você disparasse palavras maldosas e ferinas em direção a pessoas que não lhe tem tanto valor, e vice-versa, serão palavras atiradas contra a barreira erigida para defendê-lo de qualquer insulto. Mas quando há amor entre as pessoas, as barreiras se desfazem, por isso palavras ferinas são tão mais sentidas.
Acho que a síntese é a seguinte: o amor faz com que o homem experimente os extremos subjetivos e emocionais. A pessoa vai do mais profundo deleite e êxtase, até o fundo do poço. E ele não tem controle sobre esse sentimento, ou qualquer outro. Por isso, acredito, os sentimentos são os definidores do homem. Seus princípios diversas vezes não aparecem quando um sentimento está aflorado, a pessoa é capaz da maior atitude de humilhação e sacrificio, mas também do mais fétido ato de orgulho e egoísmo. Isso é justificável? Racionalmente não. Mas se o amor fosse racional, ele não seria tão embasbacante, por falta de palavra pomposa nesse exato momento.
Como que um materialista histórico escreve isso? Porque ninguém está isento de passar por isso. Apenas acredito que toda a minha racionalidade me faz, em momentos raros de calma e estudo, explica atitudes que normalmente seriam inexplicáveis e imperdoáveis. Mas como já afirmei, ninguém está isento de passar por isso. E são sempre momentos que nos marcam. E que nos definem. Nada melhor do que tentar aplicar a dialética para explicar algo tão inexplicável do que o amor. Mas talvez nada mais herético, da mesma forma.
Já segundo o Aurélio, é a Arte do diálogo ou da discussão, quer num sentido laudativo, como força de argumentação, quer num sentido pejorativo, como excessivo emprego de sutilezas.
Conforme Hegel, a natureza verdadeira e única da razão e do ser que são identificados um ao outro e se definem segundo o processo racional que procede pela união incessante de contrários - tese e antítese - numa categoria superior, a síntese.
Segundo Marx, é o processo de descrição exata do real.
Já "Amor" tem 13 definições no Aurélio e inúmeros links no wikipédia. Segundo o Aurélio, é o sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou dedicação absoluta de um ser a outro, ou um sentimento de afeto ditado por laçõs familiares, ou um sentimento terno e ardente que inclui a atração física, adoração, veneração, afeição, amizade, carinho, muito cuidado, zelo...e não tem fim.
Bem, a dialética é uma forma racional de se chegar a uma síntese sobre algo real. Entretanto, o amor não pode ser empiricamente comprovado nem tão pouco demonstrado, apenas sentido. É algo muito subjetivo. Entretanto, poderemos fazer certas comparações com nossas atitudes para quem clamamos amar. Acredito que tudo que foi citado acima pode ser considerado verdadeiro. Todavia, é confuso perceber como ferimos as pessoas que amamos. Se há tanto carinho, dedicação, desejo pelo bem da outra pessoa, como somos capazes de machucar tanto aquele ou aquela que nos é caro? Daí vem a minha tese de que o ser humano é capaz dos maiores sacríficios por aquela pessoa a quem ama. Não vê barreiras para isso, acha todas elas transponíveis. Pelo menos, é esse sentimento que lhe é incumbido quando ama.
E daí a antítese. Da mesma forma que é capaz dos maiores sacrifícios, também é capaz dos maiores atos de egoísmo, o opositor do sacrifício de amor. A dicotomia interna humana faz com que ele seja capaz do ato mais nobre até o ato mais inescrupuloso. E dessa forma, ele justifica seu ato com palavras de amor.
Como isso é possível? Como pode justificar atos tão díspares entre si com o mesmo sentimento, que por definição abstrata, como vemos, é por natureza nobre? Será que o sentimento que é culpado disso? Ou o ser humano que simplesmente é tão confuso que não entende o próprio sentimento? Se conseguirmos usar do nosso raciocínio quando pensamos no ser amado, concluiremos que queremos o bem daquela pessoa, independente da forma ou com quem. Na teoria. Quando a prática lhe é apresentada, o ser humano retorna ao primitivo. Sente a necessidade de defender o ser amado, mas sem raciocinar, acreditando que ele ou ela é a única pessoa capaz de trazer alegria e felicidade ao ser amado. É uma auto-defesa direcionada para a pessoa amada. É o que costumamos chamar de ciúme. Segundo o Aurélio, ciúme seria definido como: Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos, inveja, receio de perder alguma coisa.
Pois isso é o que o amor é capaz de causar numa figura incrivelmente caótica como o ser humano. O amor acaba com a racionalidade do homem, por isso é complicado estudar a dialética do amor. Todos o sentimos, e não sabemos como controlá-lo, de que forma agir para o bem da pessoa, já que a racionalidade foi embora pela janela. Talvez é isso também que cause tanto impacto nas pessoas. Perceberam como são capazes de atitudes que, racionalmente, lhes pareceriam absurdas. Acho que isso tenta mostrar como o ser humano é capaz dos atos mais bonitos para os mais grotescos, sempre com o mesmo alvo. E esse "alvo" sempre sai mais ferido, justamente por ser o alvo de tanto carinho, tento zelo, tanta ternura. Já não há tantas barreiras sentimentais entre pessoas que compartilham esse sentimento.
Talvez por isso a máxima de que "Você sempre machuca aqueles que ama" seja tão verdadeiro. Se você disparasse palavras maldosas e ferinas em direção a pessoas que não lhe tem tanto valor, e vice-versa, serão palavras atiradas contra a barreira erigida para defendê-lo de qualquer insulto. Mas quando há amor entre as pessoas, as barreiras se desfazem, por isso palavras ferinas são tão mais sentidas.
Acho que a síntese é a seguinte: o amor faz com que o homem experimente os extremos subjetivos e emocionais. A pessoa vai do mais profundo deleite e êxtase, até o fundo do poço. E ele não tem controle sobre esse sentimento, ou qualquer outro. Por isso, acredito, os sentimentos são os definidores do homem. Seus princípios diversas vezes não aparecem quando um sentimento está aflorado, a pessoa é capaz da maior atitude de humilhação e sacrificio, mas também do mais fétido ato de orgulho e egoísmo. Isso é justificável? Racionalmente não. Mas se o amor fosse racional, ele não seria tão embasbacante, por falta de palavra pomposa nesse exato momento.
Como que um materialista histórico escreve isso? Porque ninguém está isento de passar por isso. Apenas acredito que toda a minha racionalidade me faz, em momentos raros de calma e estudo, explica atitudes que normalmente seriam inexplicáveis e imperdoáveis. Mas como já afirmei, ninguém está isento de passar por isso. E são sempre momentos que nos marcam. E que nos definem. Nada melhor do que tentar aplicar a dialética para explicar algo tão inexplicável do que o amor. Mas talvez nada mais herético, da mesma forma.
Um comentário:
Muito Bom o texto. Também sou marxista e tenho passado por essa contradição interna que é o amor. Ao mesmo tempo que combatemos a ideologia da classe dominante, como o machismo, analiso reprodução disso em meu comportamento, às vezes tentando me justificar por amar muito. O fato de ser Marxista, ao menos me ajuda a entender quais as variáveis do comportamento machista que me oprimem a reproduzir essa ideologia tão violenta contra as mulheres (nesse caso).
Também pensei nessa questão, de como um materialista pode dar tanta importância a isso... mas é o que você colocou, não é questão de escolha, o amor tem reflexo concreto na gente, daí a necessidade de estudá-lo, de pensar sobre isso.
Por fim, li seu texto pois estou elaborando uma análise dialética do amor também... é uma forma de tentar entender esse sentimento maravilhosa e horrendo ao mesmo tempo. A vantagem de sermos marxistas é que entendemos que essa contradição é simplesmente parte de todos os componentes vida, o que nos possibilita entender tudo isso de forma mais ampla, porém, não torna o processo menos doloroso e lindo...
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