Um novo movimento de greves está se espalhando. Vejo isso todo dia na cidade onde moro, muitos funcionários (públicos, obviamente) entrando em greve. Melhores salários, direitos trabalhistas, as reivindicações de sempre. Que quase nunca são atendidas. Por isso novas greves. A que mais me causou impacto, e não diretamente, foi a da USP. Não exatamente pela greve, mas pelo motivo que fez com que os professores escolhessem tal saída, hoje em dia pouco utilizada no meio acadêmico (não falo sobre a USP, porque desconheço a academia daquela universidade, mas me refiro basicamente onde estudo). A intervenção do Exterminador do Futuro, José Serra, atual governador daquele estado, para reorganizar o investimento daquela universidade. Mas não somente isso. A intenção real seria mais corte no investimento da educação pública, aquela que ainda cria um senso crítico e uma produção intelectual de qualidade dentro do país. E agora veio a ocupação dos estudantes da USP na reitoria.
Qual é o caso agora? Se o movimento estudantil estivesse unido, buscando as mesmas reivindicações, e atuando consensualmente, para atingir o mesmo objetivo, não tardaria atingi-lo. Mas esperem um pouco...as reivindicações não são as mesmas em todas as universidades? Desde sempre! Desde as intermináveis greves no governo FHC, até anteriormente, antes mesmo do golpe militar mencionado no post anterior, onde tinhamos uma entidade representativa do movimento estudantil, a UNE. A UNE, assim como a CGT, atual CUT, eram entidades que defendiam as questões sociais de estudantes e trabalhadores, com grande atuação, e arregimentação das massas. Mas com a sua união ao governo de Lula, tornaram-se apenas um aparelho burocrático do Estado, não mais atuando para representar os estudantes e os trabalhadores. Apenas acatando e capitulando as reformas universitária e trabalhista do governo de Lula (não gosto do termo "governo lulista", lembra-me Diogo Mainardi, o execrável) Mas naquela época, como todo velho saudosista gosta de usar esse termo, essas entidades traziam para todo o povo a luta social que se buscava, para melhoria da nossa situação. E engraçado se torna raciocinar que o atual exterminador do futuro, o governador José Serra, era presidente da União Nacional dos Estudantes no periodo de maior tensão política, econômica e social no país: o governo de João Goulart (1961-1964) Hoje em dia, foi eleito pelo PSDB, foi ministro da saúde do governo FHC, entre outros postos.
E agora, essa sua atuação reacionária brutal dentro da USP, que finalmente volta a dispertar a revolta e a crítica que há muito faltava no movimento estudantil, desunido como a esquerda brasileira sempre foi, mas que com bom senso, pode voltar a fazer a luta pelos estudantes. Não o movimento da UNE, conciliatório e burocratizado, fabricante de carteirinhas, mas um movimento que reivindique os direitos dos estudantes, que mostre que a situação é mais séria do que aparenta. Estudantes de todo o Brasil, uni-vos, para recuperar o movimento estudantil organizado, unido, e atuante!
"Podemos...e iremos!" - Mel Gibson como William Wallace em 'Coração Valente'
2 comentários:
Opa , gostei do post, concordo com a maioria do que foi escrito. Só gostaria de acrescentar , que um dos focos do post, a greve, por si só, e principalmente pelo jeito que é encarada no nosso país, onde para muitos são apenas "férias extras", não resolvem nada, além de acabar jogando a opinião pública contra os próprios grevistas, que deixam de prestar serviços importantes à sociedade.
Ainda sim, conrrendo o risco de soar paradoxal, acredito a a greve pode ser uma grande ferramenta de mudança, porém apenas se feita com consciência e imprescindívelmente acompanhada de um movimento popular forte a atuante , que mobilize realmente toda a classe bem como a sociedade, que já se acostumou a ver tudo de braços cruzados, a aceitar a realidade que a mídia impõe, realidade esta que sempre reflete o interesse dos poderosos (que no Brasil só mudam de enderenço, ou nem isso...).
Bem,mais uma vez,parabéns pelo blog, e vou encerrar com uma msg pra vc, é vc aí que está lendo , vc já fez alguma coisa pra melhorar o seu país hoje? Quem tal começar tentando melhorar a sua própria vida? Já é um bom começo...
Abraços.
O movimento social está morto. A luta está morta. Há muitos anos.
Esse foi um dos legados, por increça que parível, que herdamos da democratização. Não ela em si, mas quando vieram as diretas, o povo pôde qualquer coisa e descansou no sétimo dia. Esqueceram que ainda havia uma casa pra botar em ordem; mas isso tanto fazia, eles só queriam uma casa pra chamar de sua, de qualquer jeito tava bom.
E aí as minorias (cada vez mais ias) foram desarticuladas com aquele clima de "deixa disso" e festa promovido pela rede Globo, acreditaram nas promessas de campanha (e pelo que vejo, vão acreditar pra sempre) e estamos aqui, agora, fazendo greves que quando o governo ameaça cortar o ponto, todos voltam ao trabalho.
Greve já não resolve mais nada.
Ah, mas se isso fosse na França...
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