EI!! tem alguém ai?
disposto a me ouvir?
existe por acaso, alguém?
disposto a sem receber vintém,
ouvir as verdades d´outro alguém?
o que eu digo não vale nada.
não se compra, nem vende.
nem a peso de ouro, nem de prata.
mas minha poesia não se rende.
não se entende de forma abstrata.
eu quero falar do concreto.
pés no chão e cabeça no teto.
papo direto e reto.
olhando no olho, dizendo a verdade.
Zé do Caroço
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Sorria! Você está sendo manipulado!
Alguém questiona aqui o poder da Rede Globo como o maior veículo de comunicação do país? Acredito que não. Mesmo com as 1001 piadas de Sílvio e Vesgo, e a suposta queda de ibope da Globo, e ascensão de outros canais, não podemos questionar o seu poderio. Até porque, ela não age somente na TV. Nos jornais, rádios, e em inúmeras outras formas de comunicação, que não carregam o nome da Rede Globo, mas que carregam sua ideologia, e seu investimento para difusão dessa ideologia. Quantas mil empresas devem ser filiadas e associadas e financiadas por todo complexo da Rede Globo e da Fundação Roberto Marinho (já falecido, graças ao materialismo dialético) não podemos contar. Fora suas associações com empresas multinacionais. Agora tem até propaganda da Vale, que deixou de ser Vale do Rio Doce, na televisão, com a Fernanda Montenegro falando. Agora que ela rende milhões pra uma multinacional, falam que ela mudou de nome e tudo mais, exaltam como uma das maiores empresas mineradoras do mundo. Mas não estou aqui pra discutir a Vale, isso é só um exemplo do poderio da mídia da Globo. Vou utilizar vários exemplos pra demonstrar isso.
O filme "Tropa de Elite" por exemplo, o filme brasileiro mais visto em toda (repito, TODA) história, febre de pirataria e vendagem, que estreou em Outubro mas já estava na boca do povo meses antes é um exemplo. Com grande investimento internacional e nacional, fez da tortura e do assassinato armas comuns para o combate ao narco-tráfico. Como se os narco-traficantes fossem os maiores beneficiados de toda essa transação. Alguém questiona de onde vem a droga. Ou todos acham que tem milhões de árvores da maconha e papoula em todos os morros do Rio de Janeiro? Acha que essa droga é feita em casa? Só mesmo os hippies pensam em comprar um próprio sitio e ser auto-sustentável em maconha pro resto da vida. Além do mais, o povo começa a gritar "faca na caveira" e "passa esse filho da puta!" Agora é normal, bandido bom é bandido morto, praticamente a época da ditadura, só que agora é mais justificável, estamos num governo democrático. Antes os militares (mas não só os militares...novamente, a Rede Globo financiava aquele regime...quando que vocês acham que o canal surgiu?) perseguiam inimigos comunistas. Havia uma guerra ideológica e política. Agora não há nada. É uma guerra de interesses, dos grandes barões das drogas, dos políticos, dos latifundiários, de quem tiver o capital, e que colocam bandidos de um lado, e policiais do outro, sempre lembrando que a polícia é uma instância do Estado, de controle da ordem e de repressão, que está cada vez mais intensa e justificável, novamente. Criou-se a cultura do medo que só conseguíamos ver nos Estados Unidos, em filmes como "Tiros em Columbine" de Michael Moore, ou coisas assim. Também um medo injustificável, criado pela mídia, com intenção de controle. Se quiserem saber mais sobre o filme Tropa de Elite, acessem a essa reportagem:
http://www.anovademocracia.com.br/38/28.html
foi daí que eu tirei boa parte das informações. É bom citar, pra não parecer um utopista esquizofrênico e que defende direitos humanos. A situação chegou a esse ponto porque fizeram-nos acreditar nisso.
Claro, os policiais podem dizer algo diferente, porque eles vivenciam aquilo diariamente. Particularmente, conheço alguns policiais, e é perceptível o quanto é cansativo e até traumático o seu serviço. O nível de adrenalina sobe e desce com grande rapidez, por isso que alguns deles recorrem as drogas e tudo mais. Mas não estou questionando o trabalho do policial, mal recompensado e que toma tiro pra defender uma burguesia imbecil que grita "faca na caveira" nos cinemas. Questiono o poder de manipulação de informação da grande mídia. Alguém se lembra há uns dois anos atrás, quando colocaram fogo no ônibus 350, linha Irajá x Passeio, no Rio de Janeiro, com as pessoas ainda dentro do ônibus? "Barbárie!" Era a chamada do Jornal o Globo, que só não consegue ser mais reacionário que os colunistas do Estado de São Paulo. Como eu vou discordar? Realmente, queimaram as pessoas dentro do ônibus. É coisa de guerra civil. A repressão tem que acontecer, não é? Até eu concordei na época, tinha que matar esses filhos da puta, sem alma, sem mãe, sem coração. E matando eles? Resolve o problema? Quantos mil tem na favela esperando pra tomar o lugar do vapor que vai acabar morrendo no tiro cruzado. A repressão pregada pela mídia resolve o problema? Mas é muito mais fácil atacar o pobre que já é um fudido, e ta dando tiro em você, porque é o que você ta vendo, é o bandido que rouba, que dá tiro, que anda de bando, que sequestra. Claro que eles são inimigos. E eles se criam sozinhos? Não vou dizer que quem financia, como no filme, "quem financia essa porra também é você, seu playboyzinho de merda." Inquestionável se o consumo de drogas sustenta o morro. Mas quem vende as drogas pros traficantes? Já disse, eles não plantam todo o pé de maconha e todo pé de papoula. Tem muita gente muito maior que o playboyzinho financiando essa porra. Como a Rede Globo de televisão. E você consegue aceitar aquilo facilmente, pois a sua vida está sendo ameaçada. O inferno não conhece a fúria de uma pessoa acuada. E tampouco o medo. É a cultura do medo. É a cultura da repressão.
Sorria! Você está sendo manipulado! Plim Plim*
o Velho
O filme "Tropa de Elite" por exemplo, o filme brasileiro mais visto em toda (repito, TODA) história, febre de pirataria e vendagem, que estreou em Outubro mas já estava na boca do povo meses antes é um exemplo. Com grande investimento internacional e nacional, fez da tortura e do assassinato armas comuns para o combate ao narco-tráfico. Como se os narco-traficantes fossem os maiores beneficiados de toda essa transação. Alguém questiona de onde vem a droga. Ou todos acham que tem milhões de árvores da maconha e papoula em todos os morros do Rio de Janeiro? Acha que essa droga é feita em casa? Só mesmo os hippies pensam em comprar um próprio sitio e ser auto-sustentável em maconha pro resto da vida. Além do mais, o povo começa a gritar "faca na caveira" e "passa esse filho da puta!" Agora é normal, bandido bom é bandido morto, praticamente a época da ditadura, só que agora é mais justificável, estamos num governo democrático. Antes os militares (mas não só os militares...novamente, a Rede Globo financiava aquele regime...quando que vocês acham que o canal surgiu?) perseguiam inimigos comunistas. Havia uma guerra ideológica e política. Agora não há nada. É uma guerra de interesses, dos grandes barões das drogas, dos políticos, dos latifundiários, de quem tiver o capital, e que colocam bandidos de um lado, e policiais do outro, sempre lembrando que a polícia é uma instância do Estado, de controle da ordem e de repressão, que está cada vez mais intensa e justificável, novamente. Criou-se a cultura do medo que só conseguíamos ver nos Estados Unidos, em filmes como "Tiros em Columbine" de Michael Moore, ou coisas assim. Também um medo injustificável, criado pela mídia, com intenção de controle. Se quiserem saber mais sobre o filme Tropa de Elite, acessem a essa reportagem:
http://www.anovademocracia.com.br/38/28.html
foi daí que eu tirei boa parte das informações. É bom citar, pra não parecer um utopista esquizofrênico e que defende direitos humanos. A situação chegou a esse ponto porque fizeram-nos acreditar nisso.
Claro, os policiais podem dizer algo diferente, porque eles vivenciam aquilo diariamente. Particularmente, conheço alguns policiais, e é perceptível o quanto é cansativo e até traumático o seu serviço. O nível de adrenalina sobe e desce com grande rapidez, por isso que alguns deles recorrem as drogas e tudo mais. Mas não estou questionando o trabalho do policial, mal recompensado e que toma tiro pra defender uma burguesia imbecil que grita "faca na caveira" nos cinemas. Questiono o poder de manipulação de informação da grande mídia. Alguém se lembra há uns dois anos atrás, quando colocaram fogo no ônibus 350, linha Irajá x Passeio, no Rio de Janeiro, com as pessoas ainda dentro do ônibus? "Barbárie!" Era a chamada do Jornal o Globo, que só não consegue ser mais reacionário que os colunistas do Estado de São Paulo. Como eu vou discordar? Realmente, queimaram as pessoas dentro do ônibus. É coisa de guerra civil. A repressão tem que acontecer, não é? Até eu concordei na época, tinha que matar esses filhos da puta, sem alma, sem mãe, sem coração. E matando eles? Resolve o problema? Quantos mil tem na favela esperando pra tomar o lugar do vapor que vai acabar morrendo no tiro cruzado. A repressão pregada pela mídia resolve o problema? Mas é muito mais fácil atacar o pobre que já é um fudido, e ta dando tiro em você, porque é o que você ta vendo, é o bandido que rouba, que dá tiro, que anda de bando, que sequestra. Claro que eles são inimigos. E eles se criam sozinhos? Não vou dizer que quem financia, como no filme, "quem financia essa porra também é você, seu playboyzinho de merda." Inquestionável se o consumo de drogas sustenta o morro. Mas quem vende as drogas pros traficantes? Já disse, eles não plantam todo o pé de maconha e todo pé de papoula. Tem muita gente muito maior que o playboyzinho financiando essa porra. Como a Rede Globo de televisão. E você consegue aceitar aquilo facilmente, pois a sua vida está sendo ameaçada. O inferno não conhece a fúria de uma pessoa acuada. E tampouco o medo. É a cultura do medo. É a cultura da repressão.
Sorria! Você está sendo manipulado! Plim Plim*
o Velho
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
tempos estranhos
Vivemos em tempos estranhos,
um leve sorriso livre de interesses,
pode ser extremamente mal visto.
Ventilar idéias anti-sistêmicas,
ou é ser retrógrado ou oportunista.
Sonhar com um futuro melhor é utopia.
sorriam aqui se vive em uma democracia.
mas o governo do povo, não é uma utopia?
Vivemos em tempos estranhos,
em que pensar duas vezes,
é perder duas oportunidades,
em que o tempo oprime,
é dificil pensar grande na era da miniaturização.
vivemos em tempos estranhos,
onde o voto é um contrato de omissão
no qual nem sequer nos lembramos,
a quem escolhemos para nossa representação.
Sendo assim como reclamar da corrupção?
vivemos definitivamente em tempo estranhos....
Felipe Loureiro
um leve sorriso livre de interesses,
pode ser extremamente mal visto.
Ventilar idéias anti-sistêmicas,
ou é ser retrógrado ou oportunista.
Sonhar com um futuro melhor é utopia.
sorriam aqui se vive em uma democracia.
mas o governo do povo, não é uma utopia?
Vivemos em tempos estranhos,
em que pensar duas vezes,
é perder duas oportunidades,
em que o tempo oprime,
é dificil pensar grande na era da miniaturização.
vivemos em tempos estranhos,
onde o voto é um contrato de omissão
no qual nem sequer nos lembramos,
a quem escolhemos para nossa representação.
Sendo assim como reclamar da corrupção?
vivemos definitivamente em tempo estranhos....
Felipe Loureiro
lugares
Eu sou de todos os lugares,
mas não sou de lugar nenhum.
habito o munto inteiro,
só me prendo a idéias,
mas não as prendo,
tenciono difundí-las,
espalhá-las ao vento.
A internacionalidade do meu pensar
não me tira a nacionalidade.
sou brasileiro, este é meu ponto de partida.
talvez o ponto de chegada.
mas nunca o ponto final.
Felipe Loureiro
mas não sou de lugar nenhum.
habito o munto inteiro,
só me prendo a idéias,
mas não as prendo,
tenciono difundí-las,
espalhá-las ao vento.
A internacionalidade do meu pensar
não me tira a nacionalidade.
sou brasileiro, este é meu ponto de partida.
talvez o ponto de chegada.
mas nunca o ponto final.
Felipe Loureiro
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
CPMF
A carga de impostos no Brasil é altissima, é absurda mesmo, uma das mais altas do mundo, de doer no bolso de qualquer um.
Agora enfim temos motivos para comemorar, chegou o fim da CPMF, sorriam trabalhadores, sorriam, você que ganha pouco mais de trezentos reais nunca deve ter sentido esse imposto doer no bolso. Claro, seu pobre, você não ganha o suficiente pra ter cheque, ou efetuar magnificas transações bancárias, você não deve nem ter conta no banco.
Pensemos, a CPMF era um imposto bem safado né? Tudo bem, ele não servia exatamente para a saúde como era previsto, isto há de se admitir, mas cumpria um papel importante para alguns investimentos governamentais. No entanto a grande safadeza da CPMF era que, ela não permitia a sonegação visto que era cobrado meio que automaticamente, ao se fazer algumas transações bancarias. Safada ela, devia ser igual o imposto de renda, esse é legal, molinho de sonegar, a mesma porcentagem cobrada pra quem ganha 1200 reais e para quem ganha 120 mil. Esse sim é bom né? Mais honesto, mais maleável, esse é mais a cara do Brasil.
Não cabe de forma alguma ficar defendendo a CPMF, ou qualquer outro imposto, envolve outras questões como por exemplo a posição do Lula, que antes de ser presidente, juntamente com seu partido, era contra a CPMF, e tinha em seu projeto de governo a idéia de criar um imposto de renda progressivo, onde quem tivesse mais, pagaria mais. E também é importante se perguntar por que, depois de tantos superávits, o governo precisa usar o dinheiro da CPMF pra poder investir. Estranho né? Enfim, e a midia, alguém lembra de tal mobilização em torno de algum tema politico, como ocorreu com a CPMF? Tudo isso por causa de uns 0, num sei o que...
Felipe Loureiro
Blogger Socializado
Bem galera, só um aviso (não sei quantos lêem, mas...)
Esse espaço a partir de agora vai ser compartilhado, com o intuito de apronfudar as discussões políticas, sociológicas, entre outras, tanto do marxismo ou não, mas sempre com intuito de focar a realidade.
Então, haverão posts do Felipe, e em seguida vou falar com o João pra ver se interessa à ele também.
Talvez discutamos textos nossos, um posta, e o outro responde, ou não sei, vai depender, mas colocaremos textos nossos aqui, não somente meus.
Com isso, apronfudaremos as visões distintas da teoria de práxis que queremos desenvolver, e ampliaremos o espaço de discussão, com pessoas que lêem os meus textos, os do Felipe e do João, focalizando todos nesse espaço aqui.
Então, deixou de ser um blogger pessoal, e agora virou um blogger socialista.
Sem mais delongas...é só isso.
Abraços a todos.
Esse espaço a partir de agora vai ser compartilhado, com o intuito de apronfudar as discussões políticas, sociológicas, entre outras, tanto do marxismo ou não, mas sempre com intuito de focar a realidade.
Então, haverão posts do Felipe, e em seguida vou falar com o João pra ver se interessa à ele também.
Talvez discutamos textos nossos, um posta, e o outro responde, ou não sei, vai depender, mas colocaremos textos nossos aqui, não somente meus.
Com isso, apronfudaremos as visões distintas da teoria de práxis que queremos desenvolver, e ampliaremos o espaço de discussão, com pessoas que lêem os meus textos, os do Felipe e do João, focalizando todos nesse espaço aqui.
Então, deixou de ser um blogger pessoal, e agora virou um blogger socialista.
Sem mais delongas...é só isso.
Abraços a todos.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Teoria sem prática
Primeiramente, chega de textos subjetivos. Apesar de serem um pouco mais "acessíveis" e tudo mais, falando de sentimento é essas coisas, leva a poucas conclusões. Todos tem opinião formada a respeito, mas vai variar de acordo com a experiência de vida. Vou voltar a falar sobre algo mais material, já que o materialista dialético sente-se mais a vontade nessa área. Até porque, isso não escapa à subjetividade. Um "viva" para o materialismo dialético!
"Tem que estudar". Já ouvi tantas vezes essa frase para tantas situações. Concordo com ela. Mas ela não pode ser reduzida a somente o ato de estudo. O estudo tem que ser posto em prática. Nos colégios e faculdades, essa prática é a prova, a avaliação bimestral, o que for. Deve haver uma maneira de por em prática tudo que aprendeu. Não concordo muito com vários métodos de avaliação, mas não é isso que vim discutir aqui. Acredito que os avanços dos meus estudos (que só começo a perceber tão tarde na minha vida acadêmica) me levam a crer que conhecimento só por tê-lo é erudição, e um tipo de erudição que não me agrada, que a torna inútil para a sociedade. Vou tentar explicar.
Todo o estudo e conhecimento que venho adquirindo começa a expandir minha visão sobre o funcionamento da sociedade capitalista. E isso me mostra que é necessário entender o sistema em que vivemos. Aqui caberia discutir o conceito de alienação. Sempre ouvimos que aquela pessoa que não está antenada no que acontece é um alienado. Mas eu acredito que vá além disso. A pessoa pode saber o que está acontecendo, mas não o porquê daquele acontecimento. Ele apenas entende e assimila, ou tem uma visão muito superficial, e usa frases de efeito, ou papo de fila de banco, como "o mundo é assim mesmo, todo mundo tentando passar a perna, nesse país só tem ladrão" e coisas do gênero. Mas não compreende realmente a sua realidade.
Acontece que isso nem sempre é culpa do individuo. O sistema capitalista tem essa função opressora, desagregadora, que coisifica o homem, como diria Paulo Freire. E faz isso muito bem. É realmente dificil se libertar dessas amarras que fazem com que o individuo pense que o fim do mês é ruim por estar sem dinheiro e começar a vir as contas, e o início é bom porque o salário bate na conta-corrente, e o fim de ano maravilhoso, porque vai gastar o 13º em seus presentes de natal ou no carnaval, se tiver oportunidade de economizar. O sistema capitalista nos doutrina dessa maneira.
Por isso Lênin diz que a consciência de classe do operariado não é formado no interior da classe, mas "de fora". A classe operária não consegue ver além da relação operário-patrão, porque simplesmente o sistema não lhe permite a oportunidade de pensar além disso. E cabe aos intelectuais burgueses, que tem mais oportunidade de estudar, conhecer, e analisar o sistema, para desconstrui-lo, trazer essa consciência para dentro do proletariado. Assim tentaram fazer Marx e Engels, Lênin, Rosa e Trotsky, Gramsci, entre tantos outros pensadores, que originalmente, não faziam parte da classe proletária. Seria um contra-senso a burguesia esclarecida da opressão capitalista ajudar na formação da consciência da classe operária, para sim finalmente chegarmos a democracia? Acredito que por serem esclarecidos, justamente essa opressão lhes aflige, e a democracia seria a solução. Não este simulacro de democracia que conhecemos, mas a democracia do proletário.
Porque no final falar tanto dos teóricos socialistas e da consciência de classe? Porque ser esclarecido e não fazer nada a respeito é como o erudito inútil que tem conhecimento para satisfazer seu ego ou combater o ego alheio de tantos outros eruditos que se conflitam com ele. Infelizmente é o que mais percebo. Acredito que é minha obrigação (e de quem mais estiver lendo e concordar comigo) não se tornar esse tipo de "intelectual".
Parece que sempre descorro novamente pra esse tópico. Acredito até que ja fiz um post sobre isso. Mas isso me incomoda muito. Talvez alguém leia e concorde e também adote essa postura. Isso ja será um grande avanço.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
De que lado você samba?
Bem, essa foi mais uma das minhas idéias estapafúrdias, que surgem da mesma forma que vão embora, mas eu a verbalizei para alguns amigos, e resolvi colocar agora no papel (ou melhor, no blog) pra ver se vinga. Se vingar, maravilha! Senão, estudarei isso novamente.
Toda quarta e sexta de manhã, durante uns 15 a 20 minutos, discuto coisas que não me agradam mas me fazem crescer, como pós-modernidade, intolerância, sectarismo, entre outras características minhas. Não me agradam no sentido de que sempre que você corta a sua própria mão, dói. Mas uma hora, a cicatriz fica dura o suficiente. E logo depois dessas discussões eu faço uma retrospectiva do que foi discutido e busco uma síntese, algo que realmente defenda o que eu penso e sinto, e não só a radicalização do pensamento esquerdista, e não de esquerda, ao ponto de não objetivar um fim concreto. Bem, buscarei assim, colocar uma idéia que tive depois de tantas discussões.
Com a leitura de "O Conceito de Hegemonia em Gramsci", de Luciano Gruppi, passei a entender política e sociedade como um todo, algo que o pensamento marxista sempre pregou, mas que as más influências me fazem sempre tentar separar. "Dividir e conquistar", como diria Júlio César. Entretanto, não é possível entender a sociedade fora do contexto do todo. É simplesmente contra a visão marxista. É uma característica que eu atribuo a pós-modernidade. Então me perguntariam: mas Júlio César era pós-moderno? Um sonoro vai tomar no seu orifício anal se você me fizer essa pergunta. Mas a questão não é essa, como diria um outro senhor que também deveria tomar no seu orifício anal.
A questão é a pós-modernidade como uma ideologia desagregadora e individualizante. Com ela, faz-se um estudo do indivíduo como agente da história. Entretanto, não percebem que o individuo desempenha um papel enquanto parte de uma classe, parte de uma conjuntura, parte de uma sociabilidade. A pós-modernidade, com o perdão da coloquialidade, "taca o maluco" onde for, e conta a história dele, como se ele fosse alheio a tudo que foi citado anteriormente. Traça um papel individual demais, que deixa de levar em conta certos fatores, ou simplesmente atua em fatores mais individualizantes ainda, como o imaginário, o discurso, entre outros. E é desagregadora, porque exclui o individuo da conjuntura e do papel que ele representa na sociedade enquanto membro de uma classe social.
Logo, designei a pós-modernidade como uma ideologia da direita conservadora. Porque, me perguntaria novamente o individuo que já está com o orifício anal dilatado depois da pergunta do Júlio César? Agora, responderei.
A direita conservadora não pode deixar que se crie uma consciência de classe dentro dos expropriados (operários, pequenos agriculturoes, autônomos, camelôs, e até pequenos burgueses), ou seja, a classe proletária. Novamente, o sujeito de orifício anal dilatado vai perguntar: proletária? Mas as indústrias do século XIX não são mais como eram. A Nike não tem uma fábrica nem nada disso. É, senhor individuo pós-moderno, concordo que a Nike não tem fábrica. Porque se tivesse, não teria superado a crise que o capitalismo vivenciou e não percebemos. Mas a questão não é essa novamente.
Se a direita conservadora permitir que se cria uma consciência de classe proletária, seu poder se veria ameaçado. Portanto, a pós-modernidade vem para evitar isso, individualiza o pensamento, estamos todos tentando passar a perna nos outros, ser o mais malandro, o mais sagaz. E não percebemos que passamos a perna no nosso irmão explorado. A pós-modernidade seria então um fator de desagregação do pensamento de classe, que geraria a conscientização para a luta de classes, a pedra fundamental da história segundo o pensamento marxista.
Acabando com a luta de classe, a pós-modernidade evita qualquer tipo de conscientização, e consequentemente, de revolução. E torna-se ainda mais eficiente, porque diferentemente de teóricos e filósofos marxistas, não é claro quem defende esse tipo de visão. Os identificamos, mas eles não se identificam. E fazem a cabeça da nova burguesia alienada que mantém as coisas como elas são, porque eles desde já tem esse pensamento individualista. É aquele crime perfeito, a pós-modernidade. Ou a ideologia perfeita. Pelo menos para uma direita conservadora.
Agora, minha idéia não é uma simples acusação porque acusam o marxismo disso ou daquilo. É apenas uns rabiscos (ou umas tecladas) para mostrar que estudar o pensamento, o imaginário, o discurso, apesar de parecer interessante, tira o foco da realidade e não permite que vejamos o nosso irmão ao nosso lado pedindo socorro. Já a ideologia marxista, tão criticada...
E novamente, viria o senhor já com o orifício anal dilatado: como você pode criticar os pós-modernos assim, se você nem sabe quem eles são? Acredito que simplesmente por estar cada vez mais em sintonia com a minha ideologia, consigo perceber a sua antítese. Talvez, quando eu me tornar um maior conhecedor, eu possa explicitar isso com citações de autores para comprovar empiricamente essa idéia. Por enquanto, como disse, são só uns rabiscos. Veremos, se alguém concorda. Se me der na telha, desenvolverei isso melhor. Se me der na telha.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Crítica a Dialética do Amor
(Ê fim de ano bom! Só alegria! Que bom que não se detecta sarcasmo via internet. Ops, agora já era. Bem, vamos a auto-crítica do artigo anterior)
No artigo passado, tentei definir racionalmente, de forma o mais empírica possível, como o amor age. O problema que algo tão subjetivo e metafísico como o amor não pode ser definido dessa forma. Não há formula, nem padrões e tampouco provas concretas de sua atuação. Há estudos sobre a mudança no organismo do ser humano, a produção desse ou daquele hormônio, daquela ou de outra substância, de situações de prazer e fossa de um homem (ou mulher). Mas não se sabe quando o amor atua. Só se percebe depois que ele já se faz presente. Como um vírus. Seria então o amor uma doença? Alguns chegam a dizer que sim, pois a pessoa fica em uma espécie de torpor apaixonado. Alguns comparam o amor a esquizofrenia. Seria o amor realmente uma patologia?
Bem, um ser humano, quando se diz apaixonado, age de forma diferente da usual. Faz coisas que não lhe são comum. A esquizofrenia já foi definida como crença de algo que não está lá. Um exemplo são as pessoas que dizem que foram abduzidas por OVNI's, daí implantaram-lhe um chip e ela segue o que essa voz lhe manda. Seria o amor uma voz desconhecida, não-racional, que se mostra de repente, e escolhe um alvo para direcionar essa esquizofrenia? Seria então explicável a devoção de um ser por outro quando ele realmente ama? Casos de pessoas que fariam de um tudo, chegam a dizer que morreriam pela pessoa amada. Quem em sã consciência daria a vida pela de outro? Ou a pessoa mais nobre do mundo ou a mais esquizofrênica.
Então seria o amor um sentimento de nobreza? Não nobreza no sentido de velhos aristocratas balofos que viviam na esbórnia e na pompa, comendo e fazendo orgias e festas, mas sim de algo valioso, honrado, e justo? Alguns beatos poderiam até dizer que Jesus, o Cristo, teria esse tipo de sentimento por toda a humanidade. Como sentir isso por toda a humanidade?! É algo impressionante. Quando o sentimento é direcionado apenas há uma pessoa, já é um sentimento que deixa a pessoa em frangalho, imaginem amar toda a humanidade. Mas não estamos aqui pra discutir o sentimento do Cristo, e sim se o amor é um sentimento de devoção abnegada. Entretanto, como disse no artigo passado, o amor, como conhecemos, em diversas ocasiões, carregam consigo o sentimento do ciúme, um sentimento nada nobre e muito menos abnegado, mas sim egoísta. Agora, vale perguntar: e um sentimento de proteção pelo ser amado, poderia ser considerado inveja quando tenta prover que a pessoa não sofra, mesmo que não ande com seus próprios pés? Aqui cabe um viés de dupla mão: você priva a pessoa de sofrimento, mas também de experiências próprias. Todavia, se a pessoa amada não aprende a reconhecer que o que lhe é familiar pode ser mais agradável do que novidades surpreendentes, a vida será uma busca incessante por essas novidades. Novamente, torna-se uma patologia: uma espécie de transtorno obsessivo compulsivo. Mas não cabe aqui discutir isso, e sim a crítica da dialética do amor.
Novamente, devo ter acabado pra descambar para uma visão menos metafísica e mais racional das consequências de um amor. Um materialista histórico não consegue fugir de suas raízes, por mais que tente. A metafísica não é seu objeto de estudo, nem o subjetivo, o imaginário. Talvez por isso esses males possam afligir com mais vigor ainda um materialista histórico. E agora um materialista dialético. Mas que voltará provavelmente a discutir coisas a sua alçada. Se o mal metafísico parar de afligi-lo. Deixo vocês com o poema do grande Pablo Neruda:
"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."
Pablo Neruda
domingo, 4 de novembro de 2007
A dialética do amor
O que singifica esse título? Segundo o wikipédia: "Dialética" (do grego διαλεκτική) era , na Grécia Antiga, a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias.
Já segundo o Aurélio, é a Arte do diálogo ou da discussão, quer num sentido laudativo, como força de argumentação, quer num sentido pejorativo, como excessivo emprego de sutilezas.
Conforme Hegel, a natureza verdadeira e única da razão e do ser que são identificados um ao outro e se definem segundo o processo racional que procede pela união incessante de contrários - tese e antítese - numa categoria superior, a síntese.
Segundo Marx, é o processo de descrição exata do real.
Já "Amor" tem 13 definições no Aurélio e inúmeros links no wikipédia. Segundo o Aurélio, é o sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou dedicação absoluta de um ser a outro, ou um sentimento de afeto ditado por laçõs familiares, ou um sentimento terno e ardente que inclui a atração física, adoração, veneração, afeição, amizade, carinho, muito cuidado, zelo...e não tem fim.
Bem, a dialética é uma forma racional de se chegar a uma síntese sobre algo real. Entretanto, o amor não pode ser empiricamente comprovado nem tão pouco demonstrado, apenas sentido. É algo muito subjetivo. Entretanto, poderemos fazer certas comparações com nossas atitudes para quem clamamos amar. Acredito que tudo que foi citado acima pode ser considerado verdadeiro. Todavia, é confuso perceber como ferimos as pessoas que amamos. Se há tanto carinho, dedicação, desejo pelo bem da outra pessoa, como somos capazes de machucar tanto aquele ou aquela que nos é caro? Daí vem a minha tese de que o ser humano é capaz dos maiores sacríficios por aquela pessoa a quem ama. Não vê barreiras para isso, acha todas elas transponíveis. Pelo menos, é esse sentimento que lhe é incumbido quando ama.
E daí a antítese. Da mesma forma que é capaz dos maiores sacrifícios, também é capaz dos maiores atos de egoísmo, o opositor do sacrifício de amor. A dicotomia interna humana faz com que ele seja capaz do ato mais nobre até o ato mais inescrupuloso. E dessa forma, ele justifica seu ato com palavras de amor.
Como isso é possível? Como pode justificar atos tão díspares entre si com o mesmo sentimento, que por definição abstrata, como vemos, é por natureza nobre? Será que o sentimento que é culpado disso? Ou o ser humano que simplesmente é tão confuso que não entende o próprio sentimento? Se conseguirmos usar do nosso raciocínio quando pensamos no ser amado, concluiremos que queremos o bem daquela pessoa, independente da forma ou com quem. Na teoria. Quando a prática lhe é apresentada, o ser humano retorna ao primitivo. Sente a necessidade de defender o ser amado, mas sem raciocinar, acreditando que ele ou ela é a única pessoa capaz de trazer alegria e felicidade ao ser amado. É uma auto-defesa direcionada para a pessoa amada. É o que costumamos chamar de ciúme. Segundo o Aurélio, ciúme seria definido como: Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos, inveja, receio de perder alguma coisa.
Pois isso é o que o amor é capaz de causar numa figura incrivelmente caótica como o ser humano. O amor acaba com a racionalidade do homem, por isso é complicado estudar a dialética do amor. Todos o sentimos, e não sabemos como controlá-lo, de que forma agir para o bem da pessoa, já que a racionalidade foi embora pela janela. Talvez é isso também que cause tanto impacto nas pessoas. Perceberam como são capazes de atitudes que, racionalmente, lhes pareceriam absurdas. Acho que isso tenta mostrar como o ser humano é capaz dos atos mais bonitos para os mais grotescos, sempre com o mesmo alvo. E esse "alvo" sempre sai mais ferido, justamente por ser o alvo de tanto carinho, tento zelo, tanta ternura. Já não há tantas barreiras sentimentais entre pessoas que compartilham esse sentimento.
Talvez por isso a máxima de que "Você sempre machuca aqueles que ama" seja tão verdadeiro. Se você disparasse palavras maldosas e ferinas em direção a pessoas que não lhe tem tanto valor, e vice-versa, serão palavras atiradas contra a barreira erigida para defendê-lo de qualquer insulto. Mas quando há amor entre as pessoas, as barreiras se desfazem, por isso palavras ferinas são tão mais sentidas.
Acho que a síntese é a seguinte: o amor faz com que o homem experimente os extremos subjetivos e emocionais. A pessoa vai do mais profundo deleite e êxtase, até o fundo do poço. E ele não tem controle sobre esse sentimento, ou qualquer outro. Por isso, acredito, os sentimentos são os definidores do homem. Seus princípios diversas vezes não aparecem quando um sentimento está aflorado, a pessoa é capaz da maior atitude de humilhação e sacrificio, mas também do mais fétido ato de orgulho e egoísmo. Isso é justificável? Racionalmente não. Mas se o amor fosse racional, ele não seria tão embasbacante, por falta de palavra pomposa nesse exato momento.
Como que um materialista histórico escreve isso? Porque ninguém está isento de passar por isso. Apenas acredito que toda a minha racionalidade me faz, em momentos raros de calma e estudo, explica atitudes que normalmente seriam inexplicáveis e imperdoáveis. Mas como já afirmei, ninguém está isento de passar por isso. E são sempre momentos que nos marcam. E que nos definem. Nada melhor do que tentar aplicar a dialética para explicar algo tão inexplicável do que o amor. Mas talvez nada mais herético, da mesma forma.
Já segundo o Aurélio, é a Arte do diálogo ou da discussão, quer num sentido laudativo, como força de argumentação, quer num sentido pejorativo, como excessivo emprego de sutilezas.
Conforme Hegel, a natureza verdadeira e única da razão e do ser que são identificados um ao outro e se definem segundo o processo racional que procede pela união incessante de contrários - tese e antítese - numa categoria superior, a síntese.
Segundo Marx, é o processo de descrição exata do real.
Já "Amor" tem 13 definições no Aurélio e inúmeros links no wikipédia. Segundo o Aurélio, é o sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou dedicação absoluta de um ser a outro, ou um sentimento de afeto ditado por laçõs familiares, ou um sentimento terno e ardente que inclui a atração física, adoração, veneração, afeição, amizade, carinho, muito cuidado, zelo...e não tem fim.
Bem, a dialética é uma forma racional de se chegar a uma síntese sobre algo real. Entretanto, o amor não pode ser empiricamente comprovado nem tão pouco demonstrado, apenas sentido. É algo muito subjetivo. Entretanto, poderemos fazer certas comparações com nossas atitudes para quem clamamos amar. Acredito que tudo que foi citado acima pode ser considerado verdadeiro. Todavia, é confuso perceber como ferimos as pessoas que amamos. Se há tanto carinho, dedicação, desejo pelo bem da outra pessoa, como somos capazes de machucar tanto aquele ou aquela que nos é caro? Daí vem a minha tese de que o ser humano é capaz dos maiores sacríficios por aquela pessoa a quem ama. Não vê barreiras para isso, acha todas elas transponíveis. Pelo menos, é esse sentimento que lhe é incumbido quando ama.
E daí a antítese. Da mesma forma que é capaz dos maiores sacrifícios, também é capaz dos maiores atos de egoísmo, o opositor do sacrifício de amor. A dicotomia interna humana faz com que ele seja capaz do ato mais nobre até o ato mais inescrupuloso. E dessa forma, ele justifica seu ato com palavras de amor.
Como isso é possível? Como pode justificar atos tão díspares entre si com o mesmo sentimento, que por definição abstrata, como vemos, é por natureza nobre? Será que o sentimento que é culpado disso? Ou o ser humano que simplesmente é tão confuso que não entende o próprio sentimento? Se conseguirmos usar do nosso raciocínio quando pensamos no ser amado, concluiremos que queremos o bem daquela pessoa, independente da forma ou com quem. Na teoria. Quando a prática lhe é apresentada, o ser humano retorna ao primitivo. Sente a necessidade de defender o ser amado, mas sem raciocinar, acreditando que ele ou ela é a única pessoa capaz de trazer alegria e felicidade ao ser amado. É uma auto-defesa direcionada para a pessoa amada. É o que costumamos chamar de ciúme. Segundo o Aurélio, ciúme seria definido como: Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos, inveja, receio de perder alguma coisa.
Pois isso é o que o amor é capaz de causar numa figura incrivelmente caótica como o ser humano. O amor acaba com a racionalidade do homem, por isso é complicado estudar a dialética do amor. Todos o sentimos, e não sabemos como controlá-lo, de que forma agir para o bem da pessoa, já que a racionalidade foi embora pela janela. Talvez é isso também que cause tanto impacto nas pessoas. Perceberam como são capazes de atitudes que, racionalmente, lhes pareceriam absurdas. Acho que isso tenta mostrar como o ser humano é capaz dos atos mais bonitos para os mais grotescos, sempre com o mesmo alvo. E esse "alvo" sempre sai mais ferido, justamente por ser o alvo de tanto carinho, tento zelo, tanta ternura. Já não há tantas barreiras sentimentais entre pessoas que compartilham esse sentimento.
Talvez por isso a máxima de que "Você sempre machuca aqueles que ama" seja tão verdadeiro. Se você disparasse palavras maldosas e ferinas em direção a pessoas que não lhe tem tanto valor, e vice-versa, serão palavras atiradas contra a barreira erigida para defendê-lo de qualquer insulto. Mas quando há amor entre as pessoas, as barreiras se desfazem, por isso palavras ferinas são tão mais sentidas.
Acho que a síntese é a seguinte: o amor faz com que o homem experimente os extremos subjetivos e emocionais. A pessoa vai do mais profundo deleite e êxtase, até o fundo do poço. E ele não tem controle sobre esse sentimento, ou qualquer outro. Por isso, acredito, os sentimentos são os definidores do homem. Seus princípios diversas vezes não aparecem quando um sentimento está aflorado, a pessoa é capaz da maior atitude de humilhação e sacrificio, mas também do mais fétido ato de orgulho e egoísmo. Isso é justificável? Racionalmente não. Mas se o amor fosse racional, ele não seria tão embasbacante, por falta de palavra pomposa nesse exato momento.
Como que um materialista histórico escreve isso? Porque ninguém está isento de passar por isso. Apenas acredito que toda a minha racionalidade me faz, em momentos raros de calma e estudo, explica atitudes que normalmente seriam inexplicáveis e imperdoáveis. Mas como já afirmei, ninguém está isento de passar por isso. E são sempre momentos que nos marcam. E que nos definem. Nada melhor do que tentar aplicar a dialética para explicar algo tão inexplicável do que o amor. Mas talvez nada mais herético, da mesma forma.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Papo de fila de banco...
Ouço muito essa frase de um professor meu. Papo de fila de banco é aquele bate-papo em que o fundamento teórico e coisa e tal é quase zero. É aquele bate-papo de "tem que matar bandido mesmo" ou "funcionário público é vagabundo" ou "ta vendo, o país ta nessa situação por causa disso". É o tal do senso comum. O que, por acaso, é tão bem aceito sem contestação, justamente por ser o que é, senso comum. Vou exemplificar.
Um bando de coroas (como todos os bons coroas, sempre são bem vividos e donos da verdade) discutindo a bandidagem e as leis. Concordo no ponto em que dizem que não há mais respeito pelas leis, porque a constituição brasileira é frouxa, é feita pra bandido, e isso começa desde o maior exemplo de pessoa pública, o presidente da República, até o mais humilde cidadão (vide, coloquei presidente no minúsculo, porque é a importância que dou pra ele, qualquer um que seja).
Mas ai, o coroa vem com um papo de que tinha que ser como a China. Porque lá, corrupção, prostituição, tráfico, é pena de morte. As execuções são televisionadas em rede local, e a familia paga pela munição gasta para a execução do preso. Sinceramente, não sei infromar se é exatamente assim, é aquele caso do senso comum, você ouve, e soa plausível. Entretanto, o coroa falou que é porque a China é o único regime comunista ainda vigente. Foi nessa hora que eu senti uma vontade imensa de intervir. Primeiro, porque a China não é comunista desde os tempos de Mao Tsé-Tung, quando Deng Xiaoping chegou no poder, o neo-liberalismo veio como a maldita pra dentro da China. Não é por menos que é o país com maior potencial de desenvolvimento e pretende fazer os Jogos Olímpicos mais luxuosos da história. Mas vale aqui a pergunta. Esse desenvolvimento é sustentável? Há custa de quantas pessoas? Mais de 1,3 bilhões de pessoas vivem na China. Todos estão tirando proveito desse desenvolvimento? No Brasil, que o número chega a quase 200 milhões, é totalmente irregular, e um país de extensões territoriais quase igual a China, e onde vivem 1,3 bilhões de pessoas, como deve ser? Opa, estou caindo no senso comum, papo de fila de banco.
Mas a verdade é que a China não é comunista há muito tempo, se é que foi segundo a teoria marxista, já que o comunismo, se é que podemos chama-lo assim, chinês, foi algo único, assim como foi na União Soviética. Mao de um lado, Stalin de outro.
Agora, o que realmente me fez refletir foi o seguinte. O coroa estava defendendo o regime comunista porque eles executam o bandido? Bem, quem sabe, já pode ser o inicio de uma consciência revolucionária...mas sem papo de fila de banco.
Um bando de coroas (como todos os bons coroas, sempre são bem vividos e donos da verdade) discutindo a bandidagem e as leis. Concordo no ponto em que dizem que não há mais respeito pelas leis, porque a constituição brasileira é frouxa, é feita pra bandido, e isso começa desde o maior exemplo de pessoa pública, o presidente da República, até o mais humilde cidadão (vide, coloquei presidente no minúsculo, porque é a importância que dou pra ele, qualquer um que seja).
Mas ai, o coroa vem com um papo de que tinha que ser como a China. Porque lá, corrupção, prostituição, tráfico, é pena de morte. As execuções são televisionadas em rede local, e a familia paga pela munição gasta para a execução do preso. Sinceramente, não sei infromar se é exatamente assim, é aquele caso do senso comum, você ouve, e soa plausível. Entretanto, o coroa falou que é porque a China é o único regime comunista ainda vigente. Foi nessa hora que eu senti uma vontade imensa de intervir. Primeiro, porque a China não é comunista desde os tempos de Mao Tsé-Tung, quando Deng Xiaoping chegou no poder, o neo-liberalismo veio como a maldita pra dentro da China. Não é por menos que é o país com maior potencial de desenvolvimento e pretende fazer os Jogos Olímpicos mais luxuosos da história. Mas vale aqui a pergunta. Esse desenvolvimento é sustentável? Há custa de quantas pessoas? Mais de 1,3 bilhões de pessoas vivem na China. Todos estão tirando proveito desse desenvolvimento? No Brasil, que o número chega a quase 200 milhões, é totalmente irregular, e um país de extensões territoriais quase igual a China, e onde vivem 1,3 bilhões de pessoas, como deve ser? Opa, estou caindo no senso comum, papo de fila de banco.
Mas a verdade é que a China não é comunista há muito tempo, se é que foi segundo a teoria marxista, já que o comunismo, se é que podemos chama-lo assim, chinês, foi algo único, assim como foi na União Soviética. Mao de um lado, Stalin de outro.
Agora, o que realmente me fez refletir foi o seguinte. O coroa estava defendendo o regime comunista porque eles executam o bandido? Bem, quem sabe, já pode ser o inicio de uma consciência revolucionária...mas sem papo de fila de banco.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Má Educação
Não adianta, não consigo escapar muito desse tema, é meu futuro, tenho que falar dele aqui. A educação.
Que tipo de educação deve ser aquela passada as novas gerações? Será uma que o faça passar em vestibular, ascender na pirâmide social, mas que mantenha as desigualdades? Ou uma educação conscientizadora, explicadora da situação em que ele vive, até de cunho revolucinoário, mas que não tenha tanta garantia de ascendência social?
Não que a primeira seja garantia, mas todo o foco será voltado para passar aquele aluno no vestibular, e daí em diante o caminho é dele. Mas isso só mantém a desigualdade. Pode fazer diferença para um, dois, três, cinco, dez...Mas são 170 milhões de pessoas no Brasil. Onde milhões passam fome, vivem abaixo da linha da pobreza. A garantia é que essa educação não vai fazer uma pobre ascender, e sim manter o status quo de que o burguês ostenta, mantendo-os no topo da pirâmide, junto com a tecnocracia que dominou nosso país.
Entretanto, a educação conscientizadora e revolucionária não tem espaço nesse país desigual. Existe o Ministério da Educação para manter o status quo educacional. E as tecnocracias não dão espaço pra isso. Mas seria injusto com a minha consciência não fazer isso, que faria a diferença pra maioria da população. Criar pessoas conscientizadas, com pensamento revolucionário, e que façam a diferença para a vida da massa.
Não to conseguindo passar exatamente tudo que ta se passando pra eu falar a respeito disso. Nem sei porque to escrevendo. Acho que é a necessidade de escrever de vez em quando. Pessoas fazem artigos, jornadas e colocam tudo no curriculo lattes. E eu fico escrevendo textos esdruxulos em blogs que de pouca coisa vão me servir realmente, a não ser pra ver como meu pensamento vai mudando através dos tempos.
Mas o que eu não quero é olhar pra trás e ver que reproduzi o sistema que só gera mais desigualdade. Talvez por eu ter percebido realidades que só me eram familiares na teoria e no discurso de pessoas próximas, e perceber que não há bandidos e mocinhos. Há exploradores, e explorados, e os explorados brigam entre si pelas migalhas, ao invés de ir atrás dos exploradores.
Vai ver é influência do filme "Tropa de Elite" e do documentário sobre o assassinato de Trotsky, mostrando como ele era perseguido pela direita conservadora e pela esquerda stalinista, e mesmo assim mantendo o espirito revolucionário cada vez mais forte, na expectativa do atentado que fosse fatal, mas nunca renunciando seus princípios. Acho que na verdade é isso que está faltando. Princípio. E é isso que temos que levar para toda a vida...
Que tipo de educação deve ser aquela passada as novas gerações? Será uma que o faça passar em vestibular, ascender na pirâmide social, mas que mantenha as desigualdades? Ou uma educação conscientizadora, explicadora da situação em que ele vive, até de cunho revolucinoário, mas que não tenha tanta garantia de ascendência social?
Não que a primeira seja garantia, mas todo o foco será voltado para passar aquele aluno no vestibular, e daí em diante o caminho é dele. Mas isso só mantém a desigualdade. Pode fazer diferença para um, dois, três, cinco, dez...Mas são 170 milhões de pessoas no Brasil. Onde milhões passam fome, vivem abaixo da linha da pobreza. A garantia é que essa educação não vai fazer uma pobre ascender, e sim manter o status quo de que o burguês ostenta, mantendo-os no topo da pirâmide, junto com a tecnocracia que dominou nosso país.
Entretanto, a educação conscientizadora e revolucionária não tem espaço nesse país desigual. Existe o Ministério da Educação para manter o status quo educacional. E as tecnocracias não dão espaço pra isso. Mas seria injusto com a minha consciência não fazer isso, que faria a diferença pra maioria da população. Criar pessoas conscientizadas, com pensamento revolucionário, e que façam a diferença para a vida da massa.
Não to conseguindo passar exatamente tudo que ta se passando pra eu falar a respeito disso. Nem sei porque to escrevendo. Acho que é a necessidade de escrever de vez em quando. Pessoas fazem artigos, jornadas e colocam tudo no curriculo lattes. E eu fico escrevendo textos esdruxulos em blogs que de pouca coisa vão me servir realmente, a não ser pra ver como meu pensamento vai mudando através dos tempos.
Mas o que eu não quero é olhar pra trás e ver que reproduzi o sistema que só gera mais desigualdade. Talvez por eu ter percebido realidades que só me eram familiares na teoria e no discurso de pessoas próximas, e perceber que não há bandidos e mocinhos. Há exploradores, e explorados, e os explorados brigam entre si pelas migalhas, ao invés de ir atrás dos exploradores.
Vai ver é influência do filme "Tropa de Elite" e do documentário sobre o assassinato de Trotsky, mostrando como ele era perseguido pela direita conservadora e pela esquerda stalinista, e mesmo assim mantendo o espirito revolucionário cada vez mais forte, na expectativa do atentado que fosse fatal, mas nunca renunciando seus princípios. Acho que na verdade é isso que está faltando. Princípio. E é isso que temos que levar para toda a vida...
domingo, 29 de julho de 2007
Potencial inexplorado
Quisera eu ser tantas coisas
tantas que nem posso contar
mas sempre me cabe tentar
não que eu vá mudar
mas para saber se posso e quero
ou se fico e espero.
Quisera eu ser mais saudável
para poder aproveitar mais a vida
vive-la como deve ser vivida
aproveitando cada minuto e cada momento
mas penso eu que meu instinto violento
suprimido pelas vicissitudes físicas
estaria a tona causando dor a quem não merecia
então me resigno
e sigo em frente, sempre em frente.
Quisera eu ser mais ativo
menos letárgico e menos prolixo
não esperando coisas do céu
tirar dos mistérios da vida seu véu
e ver qual é meu real motivo.
Quisera eu colocar em prática minhas palavras
para que não soem ocas a quem ouvir
e não soem mentiras deslavadas quando eu as proferir
porque o que falo aos ouvidos alheios parece certo
mas como ajo mostra que meu pensamento é incerto
e que eu devo menos falar e mais escutar
para melhorar.
Quisera eu tornar tudo que disse aqui realidade
Que a vida de todos eu possa dar mais qualidade
e não fica nessa mesmice
nessa simplicidade
que vai me tornando mais um demagogo
que fala uma coisa e faz outra.
Na verdade, não quero mais nada
simplesmente tenho que mostrar
que as palavras em atos devem se tornar
e não exigir mais nada da vida
porque me foi dado
tudo que é necessário
para que meu potencial seja explorado
e que eu ajude aquele
a quem nunca foi ajudado
tantas que nem posso contar
mas sempre me cabe tentar
não que eu vá mudar
mas para saber se posso e quero
ou se fico e espero.
Quisera eu ser mais saudável
para poder aproveitar mais a vida
vive-la como deve ser vivida
aproveitando cada minuto e cada momento
mas penso eu que meu instinto violento
suprimido pelas vicissitudes físicas
estaria a tona causando dor a quem não merecia
então me resigno
e sigo em frente, sempre em frente.
Quisera eu ser mais ativo
menos letárgico e menos prolixo
não esperando coisas do céu
tirar dos mistérios da vida seu véu
e ver qual é meu real motivo.
Quisera eu colocar em prática minhas palavras
para que não soem ocas a quem ouvir
e não soem mentiras deslavadas quando eu as proferir
porque o que falo aos ouvidos alheios parece certo
mas como ajo mostra que meu pensamento é incerto
e que eu devo menos falar e mais escutar
para melhorar.
Quisera eu tornar tudo que disse aqui realidade
Que a vida de todos eu possa dar mais qualidade
e não fica nessa mesmice
nessa simplicidade
que vai me tornando mais um demagogo
que fala uma coisa e faz outra.
Na verdade, não quero mais nada
simplesmente tenho que mostrar
que as palavras em atos devem se tornar
e não exigir mais nada da vida
porque me foi dado
tudo que é necessário
para que meu potencial seja explorado
e que eu ajude aquele
a quem nunca foi ajudado
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Um espectro ronda: o medo do vermelho!
Nesses últimos tempos venho tentando dividir uma visão crítica historiográfica duma visão crítica passional. É complicado, principalmente quando seu estudo é movido pela paixão por algo. No meu caso, pela atividade social, pela igualdade, e por movimentos que procurem melhorar a situação em que vivemos. Inicialmente não lia Marx por pura preguiça, nem outros autores marxistas. Não que eu não continue preguiçoso. Mas a inativadade vai se esvaindo aos poucos. E a revolta vai tomando seu lugar. Tentarei dessa forma ser bastante parcial, mas evitar comentários apaixonados, e que podem ser considerados, por certos (desculpe o termo) reacionários filhos da puta, como panfletários. Não é essa a intenção. somente a conscientização. O que na verdade não interessa para a elite que quer manter o status quo.
Desde o inicio das teorias socialistas que resultariam no comunismo, no século XIX, que mais tarde ficaram denominadas como teoria marxista, ou simplesmente marxismo, eram temidas pelas elites, tanto econômicas como acadêmicas. Uma mudança do caráter do Estado é inaceitável. Uma revolta causa muita desordem, atrapalha muita gente que desde a Revolução Industrial mantém-se no poder financeiro, já que o que existe desde sempre é a manutenção das elites. E aqui vai um comentário MUITO parcial, crítico e apaixonado, que me faz definir tão bem o capitalismo que nem o mais neoliberal conseguirá defende-lo, se ele não for milionário:
"o capitalismo te da liberdade de fazer o que você quiser; você vai de helicóptero para o trabalho todos os dias? não, mas você tem direito de fazer isso; você viaja pra Europa todo mês? não, mas você tem direito há isso; você ta sempre comprando o carro do ano? não, mas você tem a liberdade de comprar se quiser" E agora, se você não pode? isso o capitalismo não resolve.
Por isso as teorias de esquerda são temidas. A mudança de eixo no poder do Estado é muito temível. Não há como prever o que vai acontecer. E isso se dá em todas as instâncias.
Não há como não negar o medo. Agora, o que também não podemos negar é a habilidade dessa classe de manter seu poder. Num mundo cada vez mais volátil, as elites orgânicas procuram institucionalizar e burocratizar o Estado cada vez mais, criando instâncias em cima de instâncias para bloquear o acesso das classes mais pobres, e conseguir manejar e articular situações em seu benefício, sustentando-se no poder por mais de dois séculos. Só nos basta (inclua-se se vestir a carapuça) aprender como atuar para enfrenta-los. A situação é insustentável para quem consegue enxergar através da cortina de fumaça. E olha que ela é muito densa. O caráter desmobilizador do estado burguês é impressionante, e o povo acha mais conveniente ao mesmo tempo se sentir alienado. Por isso que dizem que a ignorância é uma bênção. Provavelmente foi um burguês que bolou esse ditado.
"Avermelhem-se". Não precisa se tornar marxista ou extrema-esquerda. Apenas acorde para sua situação calamitosa e creia. Eles tem muito mais medo de nós do que nós deles. Por enquanto, estudem, procurem saber mais, questionar mais, criticar mais, entender mais. Tem que haver revoltosos. Mas revoltados são funcionalmente mais úteis. Mais futuramente falarei dessa Pan-americano, que somente tirou dinheiro do município. É sr. César Maia, aumento de salário do professor nada, mas parece que a renda destinada para o Pan não era suficiente né. E o incrível é que ninguém percebe! E se percebe, caga.
É clichê, mas o bom dos clichês é porque são verdades que doem. "Para que os malvados vençam, basta que os justos não façam nada".
quarta-feira, 13 de junho de 2007
O papel do intelectual
Coisas inesperadas sempre estão à esquina. Um exemplo é uma enfadonha aula de Sociologia da Educação, que mais parece "páginas da vida" dos futuros professores que já estão cansados antes mesmo de dar aula. E são aqueles que clamam querer dar aula. Mas vão para essa aula específica para ficar reclamando da vida, porque acham que assim há uma ligação maior com os alunos, já que você trata da sua experiência de vida. Ou simplesmente porque o pessoal que assiste a essa aula é chato por natureza e é do ser humano achar que suas situações são sempre piores do que a do sujeito que está ao lado, sem pensar antes. Mas o ponto não é esse, e sim como uma aula enfadonha pode de repente, parecer ter alguma importância. E mais interessante perceber que neste exato momento os auto-intitulados "futuros professores" perdem o interesse.
Discutia-se questão de poder e dominação, para saber como criar um ambiente em que você controle uma sala de aula, segundo as questões de autores que seguiam a linha de Max Weber (leiam para criticar, não para falar bem, se falar bem de Weber, prepare-se para o pior), e não do próprio Weber como a professora tentava advertir. E em determinado momento ela fala sobre um jornalista/filósofo-social chamado Antonio Gramsci, marxista, falecido em 1937, que escreveu diversos cadernos em seu cárcere, onde readaptou toda a teoria marxista, incrementando-a com suas idéias, tão pertinentes quanto as de Marx, mas tentando atuar em certa área carente pela teoria marxista, que segundo os preconceituosos, é tendencioso e unicamente economicista: Gramsci fala sobre a educação como formadora do cidadão (assim como Marx mencionara, mas não escrevera nenhum capitulo nem tampouco teses a respeito). E da mesma forma, falaria da formação de intelectuais das diversas classes sociais existentes dentro da sociedade capitalista burguesa. Aí que entraria a questão do intelectual orgânico (pesquisem, não vou fazer todo o trabalho...aprendi que de nada vale dar tudo de lambuja) e como haveria a disputa da hegemonia intelectual, nas diversas camadas, com seus respectivos intelectuais, e dessa forma, aquele que se sobressaísse guiaria a vertente intelectual que guiaria o modo de se pensar o mundo.
Gramsci não escapa da questão da luta de classes, mas ele acredita num viés mais de formação do cidadão e da sua consciência, e que não bastaria ser conscientizado, deveria haver uma vanguarda intelectual que poderia defender os interesses da sua classe, e não o que foi práxis na nossa realidade, onde a massa proletária era guiada pela vanguarda da classe média e pequena burguesia. Gramsci acreditaria, de certa forma, na emancipação intelectual do proletário, se assim dispusesse de condições de estudo nas escolas técnicas profissionalizantes, aquelas defendidas pelos teóricos marxistas. Agora perguntem, porquê? os teóricos marxistas acreditavam que além da formação cultural erudita que deveria ser atribuída a todo e qualquer cidadão, também deveria existir uma profissionalização do estudante, que ficaria na instituição em tempo integral, e desenvolvendo uma profissão para o futuro dele, que independente de ser um sistema capitalista ou comunista, o cidadão faz parte da máquina do estado, mas na verdade ele deveria contribuir para a formação do estado com sua profissão e seu conhecimento, e não ser explorado pelo mesmo pela sua falta de conhecimento.
Logo, intelectuais da própria classe defenderiam o interesse da mesma. Então vem a grande questão. Qual o papel do intelectual na nossa sociedade atual? Seria escrever uma coluna esdrúxula num jornal financiado pelo capital privado, em que ele tenta mostrar suas idéias mas segue a linha do investidor? Ou ficar reproduzindo um conhecimento defasado, reacionário, de continuidade, de desmobilização, dentro dos centros de cultura e inteligência do nosso país, que até o momento, são as universidades pública? Será que a função do intelectual é fazer retórica sobre clássicos, que já não se aplicam de forma exata a nossa realidade, ou tentar empregar seu conhecimento para o melhoramento da nossa sociedade, aplicar o que se sabe da história, para o que já virou dito popular "a história se repete". Mas isso só ocorre quando não há quem saiba o que fazer com a história. O intelectual tem a função sim. Acordar a população do torpor em que ela se acha imersa.
Não vou falar aqui sobre luta de classes, porque me estenderia por demais, mas cabe ao intelectual, independente da sua classe social, como dizia Gramsci, mas que tenha consciência da sua realidade, empregar todo seu conhecimento para algo importante, que ajude as pessoas, que sirva algo, e não para encher a estante de livros e inflar um ego estúpido de falsa intelectualidade, e apenas a reprodução de professores e autores austeros defasados e pobres em questão do seu próprio papel como intelectuais já totalmente integrados na sociedade, mas que procuram se afastar dessa, cada qual por seus motivos, mas basicamente, por pura arrogância e despeito, que fazem crer que por ser um "intelectual" seu nível não pode ser comparado. É mais uma forma de segregação social.
Intelectuais do mundo, acordem, e uni-vos.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
O poder do "se"
Questiono muito o "se". Se isso tivesse acontecido, tal outro fato não aconteceria, ou vice-versa. Se mamãe fosse homem, eu não teria nascido. Se o Maradona não tivesse metido a mão na bola, a Argentina não seria campeã. Se o Pet tivesse jogando 5 centímetros pra esquerda, o Helton tinha defendido aquela falta aos 48 do segundo tempo na final de 2001. Se eu não tivesse bebido tanto, não teria pego aquela mulher feia naquele dia. Enfim, o "se" é muito poderoso. E eu o questiono. Com qual intuito? Não sei, não tem propósito, jogar com as probabilidades, imaginar uma história diferente, que te agrade mais, que você pare e pensa, e imagina "se isso tivesse acontecido, minha situação hoje seria diferente, seria melhor".
E ai vem o questionamento que eu estava querendo chegar. Será que tudo isso não ocorreu dessa maneira porque é assim que tem que ser, pra você ser uma pessoa melhor? Questionam muito as vicissitudes da vida. Acho que elas existem para sairmos pessoas melhores do que quando entramos em tal problema. Deve ser esse o motivo, acredito eu.
Porque pensar nisso agora? Acho que certos rumos estão sendo tomados, alguns não por escolha minha e nem por causa das escolhas que fiz, e isso incomoda. Se de um lado tudo melhora, de outro tudo piora. Nunca está tudo bem. São as vicissitudes da vida. Os "se's" que vivem por aí atormentando nossa imaginação. E que em determinados casos levam a crises existenciais, depressão, entre outros problemas. Não tem propósito nem mesmo motivo concreto que vá melhorar o que está acontecendo se (olha ele ai) continuarmos pensando no "se" (ele de novo!)
Como isso: Se eu fosse inteligente, ia parar de escrever textos esdrúxulos num blog com fotos de Marx e Engels ao lado, e saía pra night, pegar mulher, encher a cara, e fazer o que todo mundo faz ou quer fazer. Mas nesse caso o "se" não é a questão.
Fica aqui a questão: se você chegou até o final desse texto, ele te serviu pra alguma coisa?
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Greves...podemos? e iremos?
Um novo movimento de greves está se espalhando. Vejo isso todo dia na cidade onde moro, muitos funcionários (públicos, obviamente) entrando em greve. Melhores salários, direitos trabalhistas, as reivindicações de sempre. Que quase nunca são atendidas. Por isso novas greves. A que mais me causou impacto, e não diretamente, foi a da USP. Não exatamente pela greve, mas pelo motivo que fez com que os professores escolhessem tal saída, hoje em dia pouco utilizada no meio acadêmico (não falo sobre a USP, porque desconheço a academia daquela universidade, mas me refiro basicamente onde estudo). A intervenção do Exterminador do Futuro, José Serra, atual governador daquele estado, para reorganizar o investimento daquela universidade. Mas não somente isso. A intenção real seria mais corte no investimento da educação pública, aquela que ainda cria um senso crítico e uma produção intelectual de qualidade dentro do país. E agora veio a ocupação dos estudantes da USP na reitoria.
Qual é o caso agora? Se o movimento estudantil estivesse unido, buscando as mesmas reivindicações, e atuando consensualmente, para atingir o mesmo objetivo, não tardaria atingi-lo. Mas esperem um pouco...as reivindicações não são as mesmas em todas as universidades? Desde sempre! Desde as intermináveis greves no governo FHC, até anteriormente, antes mesmo do golpe militar mencionado no post anterior, onde tinhamos uma entidade representativa do movimento estudantil, a UNE. A UNE, assim como a CGT, atual CUT, eram entidades que defendiam as questões sociais de estudantes e trabalhadores, com grande atuação, e arregimentação das massas. Mas com a sua união ao governo de Lula, tornaram-se apenas um aparelho burocrático do Estado, não mais atuando para representar os estudantes e os trabalhadores. Apenas acatando e capitulando as reformas universitária e trabalhista do governo de Lula (não gosto do termo "governo lulista", lembra-me Diogo Mainardi, o execrável) Mas naquela época, como todo velho saudosista gosta de usar esse termo, essas entidades traziam para todo o povo a luta social que se buscava, para melhoria da nossa situação. E engraçado se torna raciocinar que o atual exterminador do futuro, o governador José Serra, era presidente da União Nacional dos Estudantes no periodo de maior tensão política, econômica e social no país: o governo de João Goulart (1961-1964) Hoje em dia, foi eleito pelo PSDB, foi ministro da saúde do governo FHC, entre outros postos.
E agora, essa sua atuação reacionária brutal dentro da USP, que finalmente volta a dispertar a revolta e a crítica que há muito faltava no movimento estudantil, desunido como a esquerda brasileira sempre foi, mas que com bom senso, pode voltar a fazer a luta pelos estudantes. Não o movimento da UNE, conciliatório e burocratizado, fabricante de carteirinhas, mas um movimento que reivindique os direitos dos estudantes, que mostre que a situação é mais séria do que aparenta. Estudantes de todo o Brasil, uni-vos, para recuperar o movimento estudantil organizado, unido, e atuante!
"Podemos...e iremos!" - Mel Gibson como William Wallace em 'Coração Valente'
Como iniciar...?
Bem, sempre me pergunto como iniciar um novo espaço de discussão virtual na internet, um blog. Na verdade, uma discussão mais interna, raramente existe um real discussão a respeito de fatos expostos, mas é muito legal quando acontece. E sempre quando iniciando um espaço, penso e repenso como seria a melhor maneira de mostrar meu pensamento sem assustar todos de primeira, para que não voltem nunca mais a ler. E da mesma forma, me afastar cada vez mais da realidade sobre a qual escrevo, para evitar a inflamação emocional, muito presente em tipos populistas, como mais evidente, o já saudoso Leonel Brizola. Falando nele, pensei numa maneira de começar...criticando ou melhor, discutindo algo que venho estudando recentemente...o golpe, ou segundo a visão reacionária, a revolução de 1964 no Brasil.
Porque falar disso? Bem, ja fazem 43 anos desde o golpe de Estado, precocemente produzido, por uma camada do oficialato militar. E gostaria de expor aqui alguns pensamentos que tenho, não de cunho unicamente histórico, mas que possa trazer para a nossa realidade, que afinal, é a função primoridal da história. Como foi algo que aconteceu no nosso país numa história muito recente, não é dificil trazer a nossa realidade. Porém, não vou me delongar, e postarei mais adiante sobre isso.
Meus pais sempre me falavam que "na época da ditadura era uma beleza, não tinha bandido na rua, era bem mais seguro...mas agora, olha como é que ta, nem pode sair de casa direito". Poderia até mesmo pensar como eles. Não é dificil. É muito mais dificil imaginar a realidade daquela época, os problemas financeiros que levaram as pressões dos sindicatos, dos sargentos, da população, como os acadêmicos preconceituosos gostam de falar, "menos favorecida". E mais dificil ainda imaginar como teria ficado nosso país se o golpe tivesse sido evitado. Mas a questão não é essa. A questão é analisar algumas das reticências do regime militar dentro do Brasil.
Digo-lhes, desde já, que a educação como a conhecemos é produto da ditadura. Provas, provões, mobral, vestibular, crédito extra por matéria, por eletiva, por num sei o que...a maneira como nos é apresentado todo o material pedagógico, estudantil...tudo isso é um resultado de um investimento pesado dos militares na nossa educação. Mas não podemos culpar os militares, havia alguém, como sempre há, no apoio. A maior influência financeira se encontra no alto do continente americano, os que se auto-intitulam "americanos", ou seja, donos de tudo isso, que vai do Alaska até a Terra do Fogo, no extremo sul do continente. Mas porque estou falando agora dos "estadounidense"?
Porque o ideário de educação que conhecemos não foi gerado pela ditadura militar. Era, ou melhor, é um esquema que vem de origem estadounidense. Uma educação voltada para o mercado de trabalho, não para formar cidadãos, mas profissionais. Não para gerar crítica, mas conformismo. Não para gerar intelectuais, mas reprodutores de um conhecimento já defasado. Essa é a questão que estou tentando abordar. E falam por ai que investir na educação é a solução para todos (grifarei aqui: TODOS) os problemas do Brasil, levando-o ao progresso. Não posso negar que o investimento na educação é primordial. Mas a educação como conhecemos não forma cidadãos, atuantes, que critiquem, que entendam a sua realidade. Apenas criam profissionais que sabem falar "político é tudo ladrão" e "esse país não tem mais jeito".
Entendam, pesquisam, procurem, se informem, apesar de todas as criticas que futuramente farei neste mesmo espaço sobre o sistema capitalista, nunca se teve tanto acesso a informação na história do homem. Apenas saiba o material que deve realmente ser estudado. Por isso, estude, não porque você tem que estudar, mas porque você precisa, e não nos moldes, de modo padronizado. A crítica é a maior arma do ser humano, quando com razão.
Assinar:
Postagens (Atom)