terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mais um 11 de setembro...

Bom, esse último final de semana foi recheado de "especiais" na televisão sobre o atentado de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center em Nova York, e ao Pentágono em Washington, lembrando do ataque terrorista a democracia norte-americana. Hipocrisia a parte, a coisa que realmente me fascina na tragédia foi perceber o quanto a arte imita a vida, ou vice-versa. Foi perceber que toda aquela parafernalha da mídia e do cinema norte-americano sobre um fim apocalíptico para o mundo começava para eles mesmos. E eu tinha 15 anos na época, minha consciência política não se assemelha ao que é hoje. Não sou a favor nem contra o terrorismo, é apenas mais uma arma encontrada para a guerra, por mais covarde que seja. Antigamente usou-se da guerrilha e revoluções heróicas foram travadas. Até mesmo suposições de uma guerra bacteriológica são perpetradas, como na Guerra do Paraguai, onde envenenamos as nascentes dos rios que banhavam pequenas cidadas paraguaias e matamos dezenas de milhares de civis sem gastar munição. (vide: não existem provas cientícias do meu conhecimento que comprovem isso, mas é uma suposição histórica bastante difundida). Venho falar de um outro 11 de setembro esquecido.

O Brasil já passava por uma Ditadura havia 9 anos. A repressão instituida pelo Ato Institucional nº 5  já tinha quase 5 anos. E em 1973, no mesmo 11 de setembro, mais um regime democrático constituído foi atacado, para defesa da democracia pregada pelos norte-americanos, que realizaram um golpe vitorioso no Brasil, que foi importado para o Chile, causando a morte do presidente socialista Salvador Allende quando o Palácio La Moneda foi bombardeado. Recentemente, o corpo do ex-presidente chileno foi exumado, e ficou esclarecido que ele se suicidou. Será que isso faz alguma diferença no que realmente aconteceu? Telejornais como o Jornal Nacional (preciso falar o quão tendenciosa é a mídia? Desnecessário) somente falavam da importância de se saber se foi suicidio ou se as bombas que explodiram sobre o Palácio teriam decretado o fim do ex-presidente. Mas não se discute o fim de um regime democrático naquele país. Entretanto, se televisiona incessantemente como a democracia foi atacada nos Estados Unidos, 28 anos depois.

Se eu defendo o ataque as torres gêmeas? Não. Só acho muito irônico. Será que o finado Osama Bin Laden tinha alguma queda pela ironia do destino? Porque não atacar em 31 de março, na mesma data que a democracia foi atacada no Brasil? Ou em alguma outra data, na Guerra do Golfo, nos confrontos no Kuwait, como ele foi treinado pelos americanos para matar soviéticos, enfim, qualquer simbologia que os estudiosos dizem que os islâmicos fundamentalistas radicais escolhem para desempenhar seus atos de cólera divina para atacar o demônio capitalista. Nada disso me afeta dessa maneira.

O que me incomoda é essa questão de dois pesos e duas medidas. Se em um dia matou-se quase 3 mil pessoas em um ataque terrorista aos Estados Unidos, o que eles não fizeram nesses 8 anos no Iraque? Ou no Vietnã? Ou na Coréia? Ou mesmo no Chile, que colocou Augusto Pinochet no poder por mais de duas décadas, matando dezenas de milhares de pessoas? Essas pessoas que morreram nos ataques ao World Trade Center tem mais valor porque viviam na maior potência do mundo? E as centenas de milhares que morrem na África? E o trabalho escravo ainda existente em todo mundo (ou vocês acham que "esse negócio de trabalho escravo" acabou com a alforria dos negros?) Por fim, cansei de reclamar. Não estou mais na idade de falar, e sim na de fazer. Para quem provavelmente ler isso, não devo estar falando nenhuma novidade. Só espero que a mídia tendenciosa um dia se volte a nosso favor.

Jornal Nacional - 11/09/2001
Curta sobre o Golpe no Chile em 11/09/1973

quinta-feira, 25 de março de 2010

Royaltie do petróleo é a maior covardia contra o Rio?

Esse assunto já invadiu a televisão, o rádio, os meios de comunicação e a imprensa como um todo, o povão, o povinho e o populacho. A emenda Ibsen Pinheiro, que retira/desloca/modifica/intercede/redistribui os royalties do pré-sal, basicamente localizados entre o sul do Espirito Santo, e o norte de São Paulo, abrangendo todo o litoral do Estado do Rio de Janeiro. Esses estados seriam os maiores beneficiários, incluindo os municipios que já são os maiores rentáveis com o dinheiro do petróleo, Campos dos Goytacazes e Macaé, altamente dependentes desse dinheiro. O Rio de Janeiro, que vive basicamente do setor terciário e do turismo em geral, recebe uma quantia razoável desses royalties devido ao seu porto entre outras funções desempenhadas. Logo, a imenda Ibsen ataca brutalmente esses municipios em específico e o Estado fluminense como um todo. Agora, aqui vai a minha questão. De que forma a emenda Ibsen afeta a sua vida, morador comum do municipio do Rio, trabalhador braçal ou não, morador de periferia ou não; Que gasta de 2 a 4 horas da sua vida no trânsito; meia hora da sua uma hora de almoço para se deslocar ao restaurante mais próximo, pegar sua camida, pesá-la e pagá-la; Que paga uma enormidade em passagem por um serviço que deveria ser público; Que trabalha com banco de horas, metas a serem batidas, funções acumuladas que devem ser desempenhadas, ou por seu companheiro em férias ou por seu chefe imprestável? De que forma a emenda Ibsen afeta sua vida? E de que forma ela não afetaria?

Um exemplo do grande elefante branco que existe no Estado do Rio, além do estádio João Havelange popularmente conhecido como Engenhão, e dos Royalties do petróleo, foi a recente obra do Metrô, que ligaria a Pavuna diratemente a Botafogo, sem transferência no bairro do Estácio. O elefante é tão grande, que como "gambiarra", o metrô lançou uma passagem com desconto, que o morador carioca pode adquirir, entre as 5 e 6 da manhã, horário de menor pico, para não abarrotar os trens. Mas esperem um instante. A obra majestosa dessa linha alternativa, não era para desafogar os trens já superlotados que saem da Pavuna em direção a Zona Sul? Qual o propósito então dessa passagem mais barata, apenas um alívio no orçamento estourado do trabalhador carioca? Porque os royalties do petróleo e do pré-sal não são utilizados diretamente para extender as linhas para outros bairros ainda sem linha de metrô? Válido também lembrar que existem mais bairros sem metrô do que com metrô. E então, onde estão os royalties do petróleo no metrô? Talvez na empreitera de algum parente de segundo grau do Eduardo Paes que desenvolve a obra, ou na conta bancária do cunhado de Sérgio Cabral, que oferece todo o material para a construção da obra. Esses exemplos não são verídicos, mas também podemos ficar desconfiados de algo semelhante.

E a emenda Ibsen? De uma coisa eu tenho certeza: eu não veria um tostão desse dinheiro melhorar a minha vida com ou sem os royalties do pré-sal. Tudo no Brasil é muito excuso, não se sabe de onde vem as coisas. As obras são feitas por empreiteiras associadas ao próprio governante, caixa 2 é a práxis aqui e não um crime. Se o povo tivesse total acesso a esses royalties e o que fazer com ele, como melhorar a saúde e a educação, garantir saneamento básico a milhares de pessoas que ainda não o possuem, melhorar as ruas, estradas e rodovias sem custo de pedágio, modernizar as instalações elétricas para não haverem blecautes a cada chuva, ou obras em encostas e a retirada de pessoas vivendo em áreas de risco em dias de chuva mais forte com enxurrada, ou....

Completem os exemplos caso queiram. Acho que minha idéia já foi passada. A maior covarida contra o Rio é feita pelo próprio Rio, por aqueles que os governam e por uma população mal informada, que esquece seus problemas em dia de jogo ou cerveja com os amigos. Nada contra isso, mas os problemas não acabam. Por isso que todos detestam o domingo a noite, os problemas voltam que nem o Jason em sexta-feira treze, para arrancar o seu couro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Arruda no Sarney dos outros é Collor de Melo...

A crise no governo de Brasília é notícia diária. A impressão de que os escândalos de desvios orçamentários começa a ser combatida parece encher o povo de esperança. "Finalmente estão prendendo os canalhas!" Seria um grande avanço que isso acontecesse em todas as instâncias e sob investigação, e não apenas quando algo claramente escrachado já se torna grande demais para ser encoberto. José Roberto Arruda é um salafrário de marca maior, um verdadeiro pulha. É pena que continuamos tendo memória curta.

O escândalo de José Sarney, senador já quase na quarta idade, para mim tem uma marca maior. Ele é uma das crias da ditadura, assumiu com a morte de Tancredo Neves, avô de Aécio Neves, que poderia ser eleito presidente para assumir em 2011 se não existisse um José Serra para abrir caminho a um novo mandado petista. (É importante deixar claro o meu desgosto tanto pelo partido de Serra quanto de Lula e Dilma, que fazem com que todo brasileiro NÃO goste de política). Mas Sarney tem apoio do presidente, e não foi caçado, apesar das inúmeras provas. Provas que também poderiam colocar em xeque o próprio presidente. Mas não vou correr o risco de ser leviano, e fazer acusações, até porque, não tenho cacife para tal. Apenas fica evidente que alguns pagam o pato, e a impressão de transparência e renovação se passa ao povo brasileiro. Mas Sarney ainda é senador, assim como o ex-presidente que sofreu impeachment (se estiver errado, corrijam-me), Fernando Collor de Melo, que deu lugar à Itamar Franco, que em 2010 tentará cargo de senador pelo PPS em Minas Gerais, seu estado de origem.

A transparência e a renovação são simulacro de algo até agora imutável na realidade política brasileira. Sua imobilidade moral. A crise no governo de Brasília é real, um dos muitos que deveriam ser presos realmente ser preso causa uma comoção em algo imutável e imóvel. Mas a nossa memória curta, do povo brasileiro, e a cortina de fumaça que se apresenta sempre, reapresenta o simulacro da transparência política. Os aparelhos institucionais do Estado brasileiro continuam mostrando que Arruda no Sarney dos outros é Collor de Melo...

sábado, 2 de maio de 2009

A nova praga!

Nossa, acho que foi transmissão de pensamento, enquanto eu via a notícia da gripe suína no SBT, com cidades mexicanas desertas no feriado do dia do trabalhador, no dia anterior uma postagem na Fábrica de Quadrinhos, site afiliado ao famoso Mundo Canibal, falou exatamente o que eu tinha falado aos meus amigos e meus parentes após ver aquele telejornal. Então, nem vou escrever mais aqui, só coloco o post, e quem não tiver preguiça de dar um clique a mais, dê, e leia. E temam a nova praga. Ou não.

http://fabricadequadrinhos.uol.com.br/index.php?conteudo=antimateria&id=14299

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nova proposta: monografia(2)

Continuando. Para ler esse post leia o anterior "Nova proposta: monografia." no link abaixo.
http://promarx.blogspot.com/2009/02/nova-proposta-monografia.html
Não consigo criar hiperlink aqui no blogger, então vai sendo assim mesmo.

O culto proposto por São Luís Maria Grignion de Montfort era um culto total e irrestrito a Maria, tornando-se praticamente um "escravo" de sua santidade, defendendo-a com unhas e dentes, com total submissão e defesa de seus ideais, para trazer o seu reino a terra, "o Reino de Maria". Essa total devoção da ortodoxia católica foi ensinada para Plínio desde seus tempos de jovem, e levada para sua vida pública e política. Os ideais de um catolicismo ortodoxo, que defenda as tradições, se projetaram na sua práxis, enquanto deputado da assembléia legislativa por São Paulo, em 1934-1937. Apesar da TFP só ter sido fundada em 1960, já existia uma simpatia de Plínio pelo pensamento retrógrado da defesa do Estado católico e de seu predomínio como foi na idade média. Plínio defendia uma repressão até violenta dos contestadores da ordem, ou da sua concepção de ordem, e defendeu até certo ponto o Estado Novo de Vargas nesse questão. Entretanto, até mesmo o estado de exceção criado pelo presidente entre 1937-45 pareceu pouco repressivo para Plínio. Isso ficaria traduzido, não explicitamente mas implicitamente, na sua grande obra de 1959, "Revolução e Contra-Revolução".

É a partir deste trabalho que Plínio iria calcar toda a sua ideologia, fundamental como base da futura Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Plínio desenvolve a história da humanidade como uma eterna luta entre o bem e o mal, de forma maniqueísta, onde apenas um prevalecerá. Essa vitória do bem, do advento do "Reino de Maria", foi previsto nas Mensagens de Fátima, em 1917. Uma visão que acometeu três crianças portuguesas falando sobre avisos de como o pecado do homem o faria decair, devido ao seu orgulho, e a sensualidade inerente ao pecado. Haveria um grande mal no início do século que mostraria isso (a Primeira Grande Guerra), e se o homem não se redimisse, haveria um novo mal (a Segunda Guerra Mundial). As revelações de Fátima falam desses três males, apesar que Plínio não estava vivo quando tornou-se pública a terceira revelação. Contudo, ele já tinha conhecimento o suficiente para nessa publicação, "Revolução e Contra-Revolução", abordar esses conceitos e apresentá-los também na atuação prática.

O conceito de Revolução para Plínio está diretamente ligado à quebra da ordem natural das coisas, onde a Igreja Católica deveria manter seu papel preponderante como guia da humanidade e salvadora de todas as almas que possam ser salvas. Dessa forma, a Revolução se inicia com a Reforma Protestante, o primeiro grande ataque a hegemonia católica. Em seguida veio a Revolução Francesa, que atacou a Igreja nos seus benefícios e suas vantagens clericais, criando um Estado laico. É o que Plínio trata como o lado liberal da Revolução, devido ao seu orgulho, para que não haja uma ordem vigente e hegemônica. E a terceira Revolução seria a Revolução Russa de 1917, criando concretamente um Estado ateu, de teor mais igualitário que o da Revolução Francesa, atentando violentamente contra a predominância da ideologia religiosa católica. Aqui o lado igualitário da Revolução fica evidente, para acabar com a propriedade e as diferenças entre os homens, tornando-os todos iguais. Todos esses eventos seriam obra do demônio, que incita as más paixões nos homens, como o orgulho, a sensualidade, que fazem com que ele desafia e a ordem (seja Deus ou o Rei) e busque criar uma igualdade entre eles (abolindo a propriedade). Assim, Plínio busca uma outra abordagem da sociedade, para o triunfo do "bem", segundo a sua perspectiva.

[Bom, esse ta mais confuso, mas eu acho que as coisas começam a ser explicadas. Tem coisa que eu não li tão bem, ou não tenho tanta facilidade para explicar, como contextualização histórica. Mas isso é só uma tentativa de colocar as idéias em ordem e acrescentar mais coisa. Continuemos...]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Nova proposta: monografia.

Começando uma nova proposta aqui. Vou tentar escrever ensaios sobre o que eu to buscando desenvolver na minha monografia. Nada pretensioso, nem com tentativas de transplantar isso pra minha apresentação em si, mas só algo pra eu tirar todas as idéias da cabeça e colocar no papel. Ou melhor, no computador. Quem sabe assim eu me organizo melhor, e se possível com algumas opiniões, eu desenvolvo isso melhor. Bem, vamos lá.

Muitas visões são apresentadas e discutidas até hoje sobre o período conturbado da década de 1960, principalmente a partir de 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, e a posse do seu vice-presidente, o trabalhista João Goulart, o Jango. Alguns dizem que era infiltração comunista, talvez porque durante a renúncia de Jânio, Goulart se encontrava na China comunista, tratando de ligações comércias entre o Brasil e aquele país. Outros falavam que agora os trabalhadores recuperavam o representante que tinham perdido com Vargas, e veriam seus interesses atendidos, principalmente com as reformas de base propostas pelo empossado presidente. O certo é que foi um período de grande tensão social e política, principalmente percebido pela imposição do regime parlamentarista para evitar que João Goulart tivesse plenos poderes quando tomou posse, um prelúdio do golpe que se desenvolveria em 1964. Nesse quadro de tensão social, algumas frações de classe agiam em favor dos trabalhadores, outros em favor do empresariado. A luta de classes nunca esteve tão presente e à flor da pele como nesse período. E do lado conservador, se encontrava boa parte da classe média, e algumas entidades civis. Pretendo estudar uma dessas entidades civis, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Familia e Propriedade, que apesar de civil, suas propostas eram de cunho católico reacionário, que conviu na correlação de forças para o avanço das forças modernizante-conservadoras.

A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Familia e Propriedade (TFP) foi fundada em 1960 por Plinio Corrêa de Oliveira, um católico fervoroso, de formação ultramontana, ou integrista, que defendia a ortodoxia da Igreja Católica, contra qualquer papel modernizante ou liberal que ela possa desenvolver, volvendo ainda para um Estado católico, em que se junte "o trono e o altar". Ou seja, a TFP defendia uma volta do período de ouro, o auge da Igreja Católica, onde havia uma ligação intrínseca do domínio do Estado politicamente falando com a Igreja: a Idade Média. Plinio Corrêa de Oliveira, seu fundador, tornou-se presidente vitalício da entidade até seu falecimento em 1995, propondo diversas campanhas de cunho reacionário, principalmente contra a Reforma Agrária defendida pelo governo de Jango, como outras questões mais de cunho moral, como contra a legalização do divórcio e do aborto. Devido aos seus trabalhos, ao seu pensamento e sua influência dentro de alguns circulos religiosos e principalmente dentro da TFP, foi considerado um verdadeiro profeta e homem-santo, que poderia levar até o fim a proposta da entidade, que este mesmo desenvolve em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", fortemente apoiado pelo pensamento de São Luís Maria Grignion de Montfort e no seu culto a Virgem Maria.

[Bem, foi o início de uma introdução. Não quero me delongar, quero escrever pausadamente, revendo o que eu escrevi sempre, pra tentar no final escrever algo melhor. Vou levar alguns posts até desenvolver tudo que eu tenho na cabeça. As coisas muito complexas, ou muito obtusas, que nunca ouviram falar, serão discutidas mais frente. Se tiverem paciência...]

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Todos pro paredão!

Esse título vai chamar a atenção. Vão me acusar de terrorista, ditatorial, e sei la mais o que. Mas a discussão não tem haver diretamente com paredão de fuzilamento. Apesar que não seria mais idéia.

Vou falar do campeão de audiência, o maior programa besteirol da história. O Big Brother. Começou agora a nona edição desse programa. Exato, nona! Nove anos! E é um programa que apesar das inovações, dificilmente vai deixar de atrair o interesse. É uma fórmula fácil, instigar o interesse das pessoas na vida alheia. A fofoca existe desde quando as mulheres aprenderam a falar (piadinha machista, mas ja voltei ao normal agora). E ficar sabendo da vida dessas pessoas, ou de como elas agem quando enclausuradas, parece muito interessante. Parece que o homem, como um ser social, gosta de ver, saber, e entender porque ele mesmo reage de tal forma. Ele busca simpatizar com as pessoas que estão trancadas dentro daquela casa luxuosa. Apesar que nesse ano, novidades apareceram. Trancaram pessoas como peixes num aquário num shoppingo do Rio de Janeiro. O cúmulo da voyeurismo. E colocaram pessoas supostamente normais, ou seja, uma senhora e um senhor, sem ser aquele número costumeiro de modelos e rapazes tatuados. Tentaram trazê-lo o mais próximo possível da realidade.

Entretanto, não é simplesmente para satisfazer os desejos de fofoca do povo brasileiro. É um programa muito lucrativo, com muito investimento, de muitas lojas. O Ponto Frio por exemplo faz várias promoções com prêmios durante o programa. Merchandising. Além dos produtos de beleza e dos tratamentos de beleza que ocorrem durante o programa. Além disso, um dos participantes será escolhido para desfilar no carnaval carioca, ao lado de uma escola que a Rede Globo patrocina (normalmente a Beija-Flor de Nilópolis, que vem ganhando quase todos os últimos carnavais). Claro que a curiosidade do brasileiro sobre esses desconhecidos, de suas ascensões e quedas, é apoiado por inúmeros outros programas, como os de fofoca a tarde nos outros canais. Isso gera audiência também. Dinheiro. E o povo vai "emburrecendo".

Eu sei que esse termo não existe, mas é verdade. Essa época, junto com o carnaval e big brother a noite, torna o povo mais e mais ignorante. Um programa cultural nesse horário seria logo tirado do ar, ou como acontece, passa na TV Cultura, na TVE, enfim. Nada que estimule você a estudar, pesquisar, ou só ler um livro. Você tem que ficar entretido e embasbacado com a vida de desconhecidos dentro de uma casa luxuosa em Jacarépaguá. Talvez seja mais uma crítica vazia, porque a maioria esmagadora da população assiste, e quase ninguém lê aqui. Ou quase ninguém lê. E mesmo que leia, dificilmente entende por completo. Eu mesmo não entendo tudo por completo. Temos uma dificuldade imensa de criticar, de entender tudo em diversos termos. E somos treinados, constantemente, a ficarmos mais burros e ignorantes, assistindo a programas inúteis e saciando nossa necessidade fofoqueira.

Leci Brandão ja dizia que a televisão brasileira distrai e destrói toda a gente com sua novela. Agora, atingimos um novo patamar com o Big Brother. E esse patamar só fica mais alto com o passar do tempo. Já são 9 anos. Mas o que fazer. Só mandar todos pro paredão mesmo. E nesse, não tem eliminação por telefone.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cidades Históricas


Agora se inicia mais um ano. 2008 deles se passaram desde o início da era cristã, mais ou menos, ainda há estudiosos tentando entrar em acordo a respeito. Mas vale ressaltar que ela deixou e deixa suas marcas nos nossos dias. Fiz uma visita as cidades históricas no estado de Minas Gerais. Primeiramente passando por Tiradentes e São João Del Rei, e em sequência por Mariana, Ouro Preto (foto) e Congonhas. São cidades de arquitetura ainda bastante preservada, com seus sobrados do século XIX, casas de um andar com porão do século XVIII, e as antigas casas simples e despojadas do século XVII, em especial em Tiradentes. O que mais marca essas cidades é sua quantidade de templos católicos, com marcas arquitetônicas e esculturais do barroco e do rococó.



Além disso, as obras de Aleijadinho, que devem ser cuidadosamente aferidas ao artista, já que muitas de suas obras foram "terceirizadas", marcam por sua beleza, expressão, e interação com o expectador. (Na foto ao lado vemos a Igreja de Bom Jesus do Matosinhos, onde estão os 12 profetas construídos por Aleijadinho já em sua época de maior sofrimento) Além disso, a opulência das igrejas da região, com suas estátuas que parecem falar diretamente com o fiel, exaltando sua fé e o teor redencionista da religião cristã, são um prato cheio para qualquer um. Se não levarmos em conta o preço pago para se construir esse patrimônio histórico mundial, e apenas apreciarmos sua beleza, sairemos de lá com uma sensação de volta ao passado, de compreensão da realidade da época. Mas devemos sim levar em conta os custos disso, para termos uma compreensão real do que acontecia.


O que torna isso mais claro, para os que visitam, é a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. Não por sua opulência em ouro e prata, que há muito foi usurpada de seu total esplendor, mas pela própria forma das esculturas. Como não é permitido fotos dentro das igrejas em Ouro Preto, cabe uma descrição. De um lado da Igreja, as esculturas foram produzidas por um espanhol, em que uma espécia de altar semelhante a uma varanda (três de cada lado da igreja) são sustentados por sujeitos acima do peso, de aparência jovial e praticando pouco esforço para sua sustentação. Entretanto, o artista ficou doente, e os outros três altares foram terminados por seus escravos. Esses, construíram essa espécie de varanda/apoio para os santos da mesma forma. Entretanto, aqueles que os sustentavam, pareciam se esforçar, como num trabalho realmente braçal, e seu físico era magro e esguio, como alguém que trabalha constantemente ou passa fome. Vemos como o trabalho artístico é traduzido na vivência do indivíduo, e como não foi a base de uma beleza romântica que vai do barroco ao rococó que as cidades históricas da Estrada Real foram construídas. Contudo cabe valorizar também esse trabalho. E ressaltar a sua preservação, não apenas para fins de observação, mas como um lembrete histórico, em busca da sua superação.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Crônicas de um pequeno burguês

Em épocas de crise, vendem até a mãe, desde que você pague os juros. Fato. Bancos vendem cartões de crédito a rodo. Me ligam mais de duas vezes por dia. American Express ja me ligou. Eu lá vou gastar com American Express? Meu VISA já é tão mal-usado. Gosto tudo no dinheiro, a vista, sem prestação nem dinheiro que supostamente vai vir, vai chegar, mas nunca chega.

Agora, as montadoras diminuem os juros dos carros à prestação. A Toyota já vende carros sem juros! A 36 prestações! (Quem tem dinheiro, acredito que poucos, comprem um Toyota, porque tá SEM JUROS!) A Ford já lança um Ecosport Flex! Vai abater o preço bruto do carro em dois mil reais, além de economizar no consumo de gasolina, claro. Daqui a pouco a Chevrolet tem uma promoção: compre um S10, e leve um Celta de graça! Ainda vou ver cada loucura, de lembrar o Brasil tacando fogo nas reservas da café durante a crise de 29 para tentar levantar o preço no mercado exportador. E eu, consumindo no A vista, no que eu tenho eu pago. Sem contar com o ovo na cloaca da galinha.

E hoje, um grande absurdo que eu percebi, e acho que um dia atrasado. A passagem de ônibus já está a R$ 2,20! Eu era da época que pagava R$ 0,60 pra ir pra qualquer lugar dentro do município. De 9 anos pra ca, já foi um aumento de 200% no preço da passagem! E a gente não nota, porque nosso dinheiro não vale nada. Por isso eu pago a passagem no dinheiro, nada de RioCard. Porque aí eu sei quanto tenho na mão. Tudo à vista.

Daqui há um tempo, a situação vai estar tão ruim, que vai ter gente dando seus estoques por aí, em grande saldões, descontões, tudo a R$ 1,99. E as lojas de R$ 1,99 vão falir! Daí, pros saques e furtos, não falta muito. Parece que o governo la do Tio Sam já ta liberando verba pras montadoras que tavam pra falir. Imagina a Chrysler falindo, e eu levando um Dodge da loja a preço de banana. Seria lindo, motor 4,8, 1 km por litro, bebe que nem uma viúva deprimida. Depois falam que eu sou catastrofista. Que nada. Eu pago tudo a vista. E to vendo meu dinheirinho só indo embora. Imagina eu pagando juros. Mais um inadimplente. Tem muita gente já recorrendo à inadimplência, pra pagar as contas do mês. A coisa ta feia, camarada. E o governo tem recordes de arrecadação, e o povo consumindo. Como é que pode? Não é com dinheiro real, é com dívida, com juros, que neguinho ta comprando tudo. E na hora que a cor do dinheiro sumir??

Ainda bem que eu pago tudo a vista...né


Zé das Couves

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Direitos e Deveres

Agora é falando pra todo mundo entender. Estou tentando me livrar do palavreado bonito e rebuscado, e de explicações que eu acabo de encontrar, e que provavelmente a grande maioria nunca vai ter. Então, agora, explicações simples para problemas de todos. Ou quase todos.

No último final de semana, devido ao meu período de conclusão de curso (em breve, eu espero) tive que fazer o ENADE, assim como tantos outros estudantes universitários. É o que nos tempos de FHC era conhecido como Provão, e era publicamente rechaçado, odiado, um ataque a democracia, já que obriga os universitários a prestá-lo, senão seu diploma ficaria preso devido a uma pendência com o governo. E para eu ficar mais bobo, eu vi estudantes universitários empenhados em responder as questões da prova. Porque isso? Vou relatar o que aconteceu.

Para minha surpresa, um colega de curso, um semestre mais antigo, fez prova no mesmo local que eu. E discutimos árduamente sobre porque fazer ou não fazer a prova. Ele acusou a esquerda de fraqueza de mente, que é tudo uma relação de poder, que o governo ordena isso então devemos obedecer, porque é nosso dever cívico, além de contribuintes, devemos votar, e fazer o ENADE quando o governo manda, porque assim ele quer. Assim que tem que ser. Ainda fui acusado de não ter um sentimento patriótico, porque nunca vesti uma farda ou algum uniforme com a bandeira do meu país bordada nele, ou algo ufanista, dotado de um Policarpo Quaresma. Simplesmente impressionante. Era eu um traidor da pátria?

Aqui vem o que eu só consegui pensar uma hora depois de ter escrito três propostas para a educação brasileira que está extremamente defasada, no cartão resposta, colar um adesivo de boicote e ir até o ponto de ônibus mais próximo:
Não existe uma concepção de cidadania que inclua os direitos e deveres de um cidadão que seja do conhecimento da população. A população não sabe as leis que a regem. Apenas os que andam fora da lei tem noção dos seus direitos. Desde o assaltante esfarrapado até os criminosos de colarinho branco. Porque é meu dever cívico votar, ou fazer o ENADE, ou me alistar aos 18 anos? Eu considero uma obrigação, que não deixa para o indivíduo escolhas, então ele não é mais indivíduo, ele é sujeito. Sujeito a ordens, a diretrizes, e a responsabilidades que não lhe condizem. Porque eu digo isso? Até agora falamos dos deveres de um cidadão, sem mesmo entender direito o conceito de cidadão e de cidadania. Falarei sobre os deveres do Estado, para quem nós temos deveres cívicos a prestas, mas de quem não exigimos nossos direitos.

O Estado têm o dever de dar educação pública e de qualidade para TODOS. É uma lei de diretriz e base da educação nacional. Entretanto, essa LDB deixa brechas para que o Estado tire essa responsabilidade dos seus ombros, e jogue para cima das escolas particulares, das ONG's, de movimentos de solidariedade. Mas como que todos terão condições de pagar por essas escolas particulares? Que hoje em dia, perdem em qualidade.

O Estado têm o dever de prestar serviço de saúde pública a toda população. Entretanto, presenciamos hospitais caindo aos pedaços, sem leitos, sem espaço, sem aparelhos, sem exames, sem médicos. E ainda por cima, crescem descomunalmente os consultórios e hospitais privados. Todos são familiarizados com a Rede D'or? (Copa D'or, Barra D'or, Quinta D'or, aqui no Rio de Janeiro, por exemplo) Todos temos que possuir planos de saúde. Não que somos obrigados a isso, mas dificilmente teremos um atendimento de qualidade se não tivermos planos de saúde.

Algum de vocês faz uso de transporte público? Ônibus, trem, metrô, barca, o que for? Acredito que não. Os que tiverem, me falem, me mudo para cidade de vocês AGORA.

Entretanto, os deveres cívicos das pessoas são constantemente lembrados. Como votar com consciência, alistamento aos 18 anos, cuidar e preservar da sua cidade, prestar o ENADE, sermos solidários e cooperativos. São deveres cívicos. Mas e nossos direitos de cidadãos, de uma existência digna provida pelo Estado, de respeito as leis, a ordem, a justiça, entre outros direitos. A segurança pública por exemplo, tornou-se privada, não só com as firmas de segurança patrimonial, os guarda-costas no caso dos grandes "endinheirados", mas também no caso da classe média e baixa, que tem seu serviço de segurança provido pelas milícias ou por uma polícia corrupta. Quando nenhum dos dois é presente, o tráfico toma conta de uma comunidade. Isso quando não há embate entre os três, o que é o mais recorrente. Como sentir que contribuo prestando uma prova, bastante contestável por seu caráter obrigatório, apenas com função de estatística, cumprindo com meu dever cívico, se o Estado que deveria me proteger e dar conta dos meus direitos fundamentais, se imiscuiu e tira a responsabilidade dos seus ombros?

Lamento aos camaradas que lerem isso, que querem mudar, mas não posso reconhecer e defender um Estado que me explora, me obriga a fazer o que não desejo para poder seguir com a minha vida, e ainda não tem condições de prestar os serviços básicos da minha sobrevivência, como educação e saúde. O ENADE não muda nada. Nem as 3 propostas que eu escrevi no meu cartão resposta, frente e verso, junto com meu adesivo de boicote. Nem o boicote, nem fazer a prova, vão mudar nada. Mas pelo menos eu não deixo de acreditar nos meus ideais por pouca coisa. E posso aproveitar o restante do meu domingo com quem valoriza o que eu penso e a minha companhia, e não cumprindo um dever para quem não me garante meus direitos.

Bom ENADE, e boa alienação aqueles que preferem continuar assim

Continuou complicado. Uma coisa realmente tenho que melhorar, aprender a discursar de maneira mais simples, que torne meu argumento plausível e inquestionável. Bem, isso só com o tempo.